Trama Afetiva tem recorde de público em edição de 2019

Promovido pela Fundação Hermann Hering, o projeto Trama Afetiva encerrou sua terceira edição na última sexta-feira, no Centro Cultural São Paulo. O evento registrou recorde de público, com mais de 600 visitantes nos três dias de atividades, estabelecendo-se como um festival multicultural e espaço de convergência artística e social da capital paulistana.

Com o tema “Um novo passo rumo à Economia Circular”, contou com oficinas, masterclass, painéis, exposições, filme e shows, tendo incluído aqui uma média de 20 atividades e gratuitas para o público geral.

Ainda nesta edição, 13 profissionais previamente selecionados de várias regiões do Brasil participaram de uma verdadeira imersão sensorial e criativa ao serem desafiados a trabalhar colaborativamente com uma nova matéria-prima – um feltro feito a partir da desfibração de peças que retornam por motivo de trocas realizadas nas lojas da Cia. Hering. O produto foi submetido a um processo de tecelagem industrial, contando com tecnologia da empresa paulista Feltros Santa Fé.

O projeto foi exaltado por Jackson Araujo, que divide a direção criativa e de conteúdo do projeto com Luca Predabon. “Percebemos a evolução do evento até mesmo pelo perfil dos inscritos. Foram quase 300 nomes, de todas as regiões brasileiras, de diversas áreas da indústria criativa, como artes plásticas, fotografia, dança, design, artesanato, ou seja, uma pauta que se mostra atraente para profissionais e estudantes de diversos segmentos culturais”, disse.

A construção colaborativa contou com a participação de dos paulistas Guilherme Diniz (estilista, mestre em design têxtil e moda e educador), Juliana Yoshie (designer de moda), Luccas Morais (designer gráfico), Lucas Navarro (DJ, produtorx e performer), Paloma Gervasio da Silva Botelho (stylist e idealizadora do Projeto Afro: Passado, Presente e Futuro), Rafael Silvério (designer de moda), Renata Dias Nascimento (costureira), e Vinicius Valério Teixeira (designer de produto e diretor de arte) e Stephan Maus (designer de moda e fundador do projeto Botão de Flor).
Vindos de fora de São Paulo, estão: Maira Gouveia (artista têxtil e designer), de Minas Gerais; Mauricio Duarte (estudante de moda) é do Amazonas; Renata McCartney, (designer de interiores) atua no Paraná e Vinicius Almeida (designer de moda), que é do Rio de Janeiro.

Para Araujo, o grande legado dessa edição foi o fato de “potencializar o coletivo e entender que ele é mais importante do que a individualidade”. O diretor destacou que “mobilizar pessoas em torno da sustentabilidade é uma forma de reafirmar que a moda não é mais sobre roupas, mas sim sobre pessoas. Conectamos de pequenos coletivos a grandes marcas e ações para fortalecer a ideia da formação de uma rede de pessoas que conectam pessoas para potencializar as transformações socioambientais”.

A edição teve como destaque também a inclusão de atividades que evidenciaram a importância da representatividade social e de gênero dentro dos processos criativo, produtivo e de consumo.

“Não podemos falar sobre resíduos têxteis ou sólidos sem mencionar o resíduo social, ou seja, os discursos e corpos ainda invisibilizados pela moda, como corpos negros, transvestigêneres e gordos, para citar alguns. Estamos sempre ampliando nosso foco de pesquisa para fortalecer as reflexões sobre origens, identidade e representatividade. Temos que perceber que a transformação da indústria, na busca por processos que contribuam para a regeneração do planeta através do reaproveitamento, parte do princípio de cuidado com as pessoas”, concluiu Jackson.

Fonte: Redação | Fotos: Divulgação