Trend alert de oportunidades para o jeans na moda inclusiva

Sabemos que o denim é um segmento que está sempre procurando oportunidades de ampliação para o seu uso. Do jeans à moda atlética, do look todo-o-dia ao luxo, das roupas aos acessórios. Do público jovem a todos os tipos de corpos – será mesmo? Por todos os tipos de corpos a primeira referência que temos é o plus size. No entanto existe um segmento muito importante e carente de ofertas exclusivas para as suas necessidades: os portadores de necessidades especiais. Quase 24% da população Brasileira é composta por pessoas que possuem algum tipo de deficiência. De acordo com o último censo realizado pelo IBGE em 2016, este percentual representa o expressivo número de 45 milhões.

E embora a democratização da moda sempre tenha sido uma bandeira do nosso setor. Se pensarmos que no legado histórico do jeans, todos os momentos em que o mercado olhou para uma necessidade real do consumidor como uma oportunidade, tivemos marcos de expansão. Então está mais do que na hora de olhar para esse consumidor e apresentar uma ergonomia eficaz contemplando a palavra diversidade como um todo. Em patamar internacional, a primeira marca de jeanswear que começou a investir nesse público foi a renomada marca Tommy Hilfiger.

A grife lançou uma coleção intitulada Tommy adaptative, com estilos em denim para o uso em paraplégicos, cadeirantes e deficientes visuais. As peças contemplam o segmento feminino, masculino e infantil. Na campanha de Inverno 2018 da marca, o vídeo de um minuto explora a imagem de modelos de diferentes idades. Dirigido por James Roth, que nasceu com albinismo ocular, o vídeo inicia com Dimitry Kim, a dançarina de Hip Hop que teve uma perna amputada; e ganha sequência com Hunter Brown, o cantor de ópera autista; Mya Armostrong, portadora de Síndrome de Down; entre outros.

Mas o principal diferencial da coleção está na manutenção do visual consagrado das peças mais icônicas da marca, alteradas por soluções mais acessíveis. Por trás do design de cada item, a empresa investiu em pesquisas baseadas nas experiências reais dos portadores de necessidades especiais. Entre os recursos diferenciados constam botões magnéticos inseridos do tecido, em pontos estratégicos para descomplicar o ato de vestir. Também o velcro substituindo o botão flexível na abertura frontal, e um botão de ajuste de comprimento na bainha. Calças jeans, moletons, jaquetas com pele na gola, camisaria e moletons compõe a variedade do mix.

Muitas destas soluções, tem sido pesquisadas aqui no Brasil, pelo concurso anual de Moda Inclusiva que já está em sua décima edição. Porém não constam nas marcas de jeans – e sim em marcas voltadas exclusivamente para o deficiente. Entre os exemplos, temos a marca LadoBModaInclusiva que disponibiliza combos de bermuda e jeans para paraplégicos em seu website, junto a outros aparelhos e acessórios úteis para o público. No entanto uma marca de jeans desejo, que inclua em seu mix pessoas desse perfil: não temos notícia. Ficam aqui os caminhos, para as soluções e parcerias possíveis, para as marcas que desejam interpretar a palavra diversidade na moda jeanswear, em seu sentido mais completo e literal.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução