Um alerta global para uso de fibras geneticamente projetadas

Um dos legados que o segmento denim leva em seu currículo é o de lançar inovações com alcance no mercado de consumo de massa, que impactam em igual ou maior proporção no meio ambiente. Por isso, a ênfase atual no desenvolvimento de tecidos obtidos a partir de bio materiais sintéticos e microorganismos geneticamente modificados tem levado a indústria têxtil a ser mais crítica e cautelosa no que se refere aos novos resíduos industriais gerados, para não incidir no mesmo erro do passado.

Uma dos exemplos atuais, que ilustram esses novos rumos tomados pela cadeia de insumos, envolve a seda. Originalmente produzida por uma larva após a alimentação com amoras frescas, a seda nos novos moldes poderia ser fabricada por outro tipo de inseto graças à modificação genética: a aranha. Entre seus atributos, a teia de aranha carrega a fama de ser um dos materiais mais fortes produzidos pela natureza. Inicialmente desenvolvida para fins militares, a tecnologia recentemente ganhou visibilidade maior graças ao anúncio de que a Polartec e o laboratório Biocraft levariam sua utilização além de tais fins com a nova fibra intitulada Spider Silk.

O novo “fio-promessa”, no entanto, já recebeu um feedback de alerta por meio de um estudo, abordando como o uso de tecidos biotecnologicos poderiam provocar uma ruptura na cadeia de suprimentos, tomando o lugar da produção das fibras naturais. De acordo com o mesmo, qualquer expansão em escala comercial dos tecidos biotecnológicos poderia criar uma nova e perigosa fonte de resíduos que acrescentaria pressão ao ecossistema e desviaria o setor dos seus caminhos rumo à economia das fibras e tecidos naturais. O estudo, intitulado “Roupas Geneticamente Projetadas”, foi realizado pela ETC Group em colaboração com a Fibersheddetails.

Entre os exemplos analisados pela publicação, consta principalmente a nova fibra Spider Silk. O relatório alerta que muitas fibras bio sintéticas tem sido equivocadamente promovidas como opções eco-friendly, quando na verdade dependem de estoques de matérias-primas industriais como açúcar, o qual está relacionado ao desmatamento e às baixas condições de trabalho.

O relatório “Roupas Geneticamente Projetadas” chamou a atenção também para o potencial das novas formas de bio lixo geradas pelos microorganismos projetados para produzir os novos materiais. B-waste, por exemplo, um bio produto de microorganismos encontrado na produção de roupas geneticamente projetadas, que nunca foi encontrado no meio-ambiente, pode ser difícil de descartar em segurança e criar o risco da disseminação de um novo microorganismo através da água e do ar.

Neste cenário, o relatório conclui que a produção das roupas geneticamente projetadas é um risco desnecessário, o qual pode perpetuar o uso intenso de pesticidas na agricultura industrial. Com o ritmo inovador trilhado pelas tecelagens nacionais e internacionais de denim, fica o alerta para um estudo minucioso e uma reflexão maior precedendo a adoção de novas práticas.

Fonte: Vivian David | Foto: Reprodução