Vicunha volta ao passado para trazer o futuro

Na semana passada, entre os dias 7 e 9 de novembro, as maiores tecelagens do segmento jeanswear apresentaram seus lançamentos para o Verão 2019 em um momento onde acontecem muitos questionamentos inseridos no mercado de moda.

Onde não há regras, onde surgem novos consumidores, muito mais antenados, não só com as tendências, mas também com o propósito de cada marca, o que há por trás de cada coleção, as relações com a sustentabilidade, comunidades, tecnologias, enfim, a real necessidade de obter um produto vai muito além da roupa em si, mas também de uma troca de informações entre a empresa e seus clientes. Onde o passado e o futuro andam de mãos dadas e, muitas vezes ultrapassam toda e qualquer fronteira existente no mundo.

Seguindo essa linha de pensamento e trazendo o tema “The Future is Back”, a Vicunha Têxtil apresentou suas quatro macrotendências da temporada. Confira!

Psywellness: Um novo lifestyle vem surgindo em meio ao caos urbano. É hora de parar, respirar e pensar em nosso comportamento, liberdade, autoconhecimento e espiritualidade, sempre com muito otimismo. As cores vêm ligadas à cromoterapia e os tecidos refletem o conforto e sensações táteis com texturas e superfícies diferenciadas. Destaque para as calças baggy, capas, quimonos, bermudões, túnicas, parkas e vestidos. O alto power com stretch multidirecional faz sucesso assim como o denim leve com toque macio.

As lavagens são suaves ou vêm no raw, super limpo. As sarjas ganham fibras com propriedades funcionais e aparecem ainda em acabamentos resinados. Looks monocromáticos surgem em tons saturados e ácidos ou com estampas abstratas no pink, amarelo ovo, limão, papaya e turquesa. Em lavanderia temos o dip dye, tons super lavados e muito delavê.

Artbreaker: Manifestos políticos e sociais onde entram os questionamentos de gêneros, estilos e padrões. O upcycling ganha vida onde tudo pode ser renovado com influência na cultura dos anos 70. Maximalismo, recortes, colagens e estampas fazem sucesso nesse tema totalmente irreverente. No denim as jaquetas podem virar saias, as calças ganham cós duplo através de sobreposições, bolsos se transformam em tops, valorizando a desconstrução de silhuetas e a criação de novas peças.

Bordados, efeitos de patchwork, acabamentos irregulares, alvejantes químicos, enzimas, pinceladas e novas técnicas de desbote destacam ainda mais o jeans. As calças em sarja surgem com cintura mais alta e recortes funcionais. Há espaço ainda para camisas, macacões e jaquetas. Os tons passeiam entre os tons primários e secundários onde a roupa conquista o status de obra de arte. Em lavanderia podem ser trabalhados desde o raw até o stone, dirty ou destroyed em artigos de maior gramatura.

Sportcore: O streetwear não pode ficar de fora da temporada e, aqui vem inspirado nos anos 90 onde a funcionalidade é a palavra de ordem juntamente com movimentos como normcore e releituras do workwear que agradam diretamente a juventude hiperconectada. Aqui entram silhuetas largas e folgadas com referências do grunge e do hip hop em peças como a calça baggy retrabalhada, pantalonas e moletons oversizeds. O denim ora surge mais encorpado, ora com aspecto de moletom.

Em lavanderia temos estampas tipográficas, camadas em resina ou plástico e aplicações geométricas localizadas. As sarjas vêm trabalhadas em tops, regatas e collants em tecido com elastano. Peças funcionais ganham elásticos nos punhos, cós e barras das calças e detalhes como cadarços, bolsos duplos, velcros, fivelas e faixas em looks nogender e inspiração fitness ou motocross. Texturas enceradas e plastificadas podem ser vistas em tons como o marinho, verde bandeira, amarelo vivo, cinza e preto.

Pop Nighters: Sem regras a moda já virou faz tempo um “supermercado de estilos” e, aqui ganha atitude irreverente e bem humorada, por vezes, kitsch chic, onde tudo é possível. Pense na cultura drag onde há muito brilho, bordados, volumes e texturas que são transferidas para o dia e podem ser mescladas ao street. O denim surge em silhuetas exageradas com maxi ombreiras, mangas bufantes, calças boca de sino, saias em camadas e, jaquetas perfecto.

Aplicações, bordados, paetês, pedrarias ornamentam os artigos que ainda podem vir no acid wash dos anos 80. Mais é mais e, nada será brega. Tudo é questão de estilo. Na sarja a alfaiataria clássica vem com um quê vintage onde entram a cintura alta e paletós alongados com ombreiras. Os shapes variam da reta até a baggy, cenoura ou pantalona. Metalizados ganham força juntamente com os resinados em tons adocicados e vivos onde o rosa, vermelho e o azul capri se destacam.

FONTE: Vanessa de Castro | Fotos: Divulgação