Decorações alinhadas com o consumidor da era do engajamento

Tendências de moda mudam ao sabor dos gostos, preferências e demandas do consumidor final. Já os caminhos estéticos do Visual Merchandising; estes se ampliam para uma alquimia muito maior. Sem trair as direções sinalizadas pela aparência das roupas, agregam também no design de experiência, tendências de “como fechar negócios”. Em algumas temporadas, a fantasia da marca e o espaço envolvente protagonizou o pontapé inicial. Noutras, onde a crise se sobrepôs ao imaginário coletivo, o produto e o ambiente com cara de “business” soou mais confiável. Logo, convenceu mais.

Hoje vivemos tempos onde é permitido sonhar, mas, sobretudo é fashion lutar e se engajar. Compram-se roupas e escolhas de moda. Mas o faro estratégico persiste; e se reflete em investimentos que comunicam o que as pessoas querem ser e o estilo de vida que desejam conquistar.

Por isso os espaços de exposição das marcas referenciais para o Verão 2020, voltam a deixar pistas dos personagens que inspiram suas coleções: o consumidor. Mais do que expor produtos ou temas em evidência – detalhes de fotos, objetos pessoais, e mesmo o estilo dos bonecos expositores vai transmitir opiniões e pontos de vista muito claros. Na decoração, essas características se refletem por espaços mais limpos e geométricos, permeados por cores sólidas e macias, e foco maior na iluminação. Também pela ênfase em objetos pessoais com valor afetivo, como carros antigos, televisores, pranchas de surf e até rodas gigantes.

Os blocos são bastante usados, para elevar manequins e assim priorizar o personagem que veste a marca. Da mesma forma máscaras com jeitão de aplicativo emoji de Instagram, cumprem igual função. O universo do surf, as flores, e os gramados suspensos pairam sobre as decorações, criando espaços de reflexão e encontro com um lifestyle repleto de menções à qualidade de vida – esta uma grande tendência. Tudo sinalizando que o lojista comprador adentrará os espaços das marcas focando muito mais o alimento de um guarda-roupa que vista discursos e ideais, em substituição à meras apostas de visual.

Já nas marcas que colocam o jeans como carro-chefe, ou o denim como material exclusivo das coleções; percebemos uma redução daqueles espaços com visual de atelier. Em substituição, temos uma exposição muito didática das lavagens, em paredes riscadas de giz com explicações. Também o uso de mesas centrais longas, recepcionando os lojistas com a exposição organizada de uma espécie de síntese do sortimento de lavagens e calças ofertado onde todos os modelos são reconhecidos simultaneamente. Tudo sempre, posicionado de forma centralizada e convidativa ao toque e manipulação.

Qualidade é a busca em nosso setor, mas ela não funciona se em algum ponto da decoração, não constar uma explicação muito clara do modo de manufatura das peças. Displays laterais, expondo em fotos conceito a tecnologia usada para o beneficiamento, ou caixotes de apoio com releases e material de publicidade esclarecendo a origem dos materiais, junto aos vestígios de um personagem de consumo extremamente exigente, são os principais recursos.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução

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