III Congresso de Lavanderias acredita em um futuro mais limpo

A terceira edição do Congresso de Lavanderias, promovido pela ANEL (Associação Nacional de Empresas de Lavanderia), aconteceu nos dias 07 e 08 de Novembro e contou com nomes importantes do segmento. A Sala Jeans, reservada para apresentar novas ideias e debater novas soluções para antigos problemas, contou com quatro palestrantes e com temas essenciais para o mercado: Sustentabilidade ambiental como plataforma de crescimento, Lavanderia: fornecedor ou parceiro estratégico, Tecnologia em laser e Automação em lavanderias jeans. Entre os presentes, representantes da indústria química, de tecelagens, produtores de maquinários, donos de lavanderias e marcas.


A primeira palestra sobre uma questão essencial, porém ainda polêmica, a sustentabilidade como forma de crescimento, foi ministrada por Fabio Forti e Henrique Leite, representantes da Garmon Chemical. Apesar de ainda se restringir a um mercado de nicho, a preocupação com o impacto ambiental dos produtos consumidos vem crescendo cada vez mais e em um futuro próximo, Fabio afirma que entre 5 a 10 anos, essa preocupação vai atingir grande parte da população. Sendo assim, a hora de investir em uma produção mais limpa para atender as futuras exigências é agora. A Garmon é uma das principais fornecedoras de químicos com preocupação sustentável e já desenvolve produtos muito a frente das exigências atuais, além de prezarem o acabamento perfeito em se tratando da aparência da peça.


Quanto ao fantasma do custo que assombra a palavra sustentabilidade, Fabio e Henrique afirmam que os produtos Garmon podem ser mais caros do que a grande maioria dos produtos disponíveis no mercado, porém custos que muitos empresários desprezam como água, esgoto e energia são os grandes vilões da lavanderia. Empresários que já adotaram políticas mais rígidas com relação ao meio ambiente e passaram a utilizar químicos Garmon, confirmam ter notado a diminuição no custo final na produção das peças.


Em seguida, Marcelo Coutinho ressaltou a importância da lavanderia como parceira estratégica e não apenas como fornecedora. A palestra divulgou as mesmas questões apresentadas no 8ª Laundry Show da GB Lavanderia e apresentou para os presentes como a questão variedade é mais importante que preço na escala de decisões que levam o cliente a efetuar uma compra e que essa variedade pode ser atingida com as tecnologias de uma lavanderia.


Eneko Fonseca, espanhol e gerente comercial da Jeanologia, premiada empresa de maquinários a laser, confirmou a afirmação de Fabio Forti ao dizer que cada vez mais os consumidores se preocupam com a forma com que os produtos adquiridos foram produzidos. Eneko também afirma que o laser já é realidade, não só por questões sócio-ambientais (muitos processos antigos estão sendo extintos por serem prejudicais ao meio ambiente e à saúde) como também por questões de economia. As máquinas a laser são capazes de economizar 79% de energia, 98% de água e 80% de químicos quando comparadas aos processos tradicionais.


Ao ser questionado sobre a dificuldade de submeter tecidos com elastano e poliéster ao beneficiamento a laser, Eneko afirma que o laser é capaz de produzir variados efeitos como bleached, vintage e puídos em diversos tecidos, porém ressalta a importância do mercado trabalhar junto como um todo, ou seja, é essencial que as tecelagens se atualizem e desenvolvam tecidos que possam ser submetidos a essas novas técnicas de beneficiamento. Dessa maneira, a Jeanologia, assim como as lavanderias devem ser vistas como parceiras estratégicas das marcas, deve ser vista como parceira estratégica das tecelagens a fim de disponibilizar para o mercado, tecidos pensados para uma lavanderia tecnológica.


Para encerrar, Eneko afirma que as tecelagens brasileiras tem tido interesse em investir nesses novos produtos, porém confirma perceber que o próprio mercado nacional tem dificuldade em entender o consumidor e a cadeia têxtil, o que, entre outros motivos, dificulta as ações e o desenvolvimento da indústria têxtil nacional. Apesar desses fatores e das dificuldades, tanto Eneko quanto a Texpal, representante da Jeanalogia no Brasil, afirmam ter encontrado empresários abertos a mudanças e novos investimentos.


Gilberto Oliveira, do Grupo GB Canaã, visitou diversas lavanderias no mundo e constatou que a automação está cada vez mais presente em todas as etapas dentro do setor, como, por exemplo, as esteiras para retirada de pedras e automação para inserir e retirar as peças das máquinas, que foram muito vistas. Gilberto também destacou que alguns processos ganham controle de resolução, da largura do fixo de raio, temperatura e potência, assim como o controle da variedade de altura, levando em consideração que as peças não são planas. Outra mudança significativa são as máquinas que trabalham à diesel ao invés de energia elétrica, gerando uma economia significativa em gastos com energia.


Em se tratando de beneficiamento, Gilberto ressalta que o jato de areia virou um jato de gelo, minimizando riscos a saúde. Também confirmou a importância do ozônio para o beneficiamento, “É um campo que ainda tem muito espaço para pesquisa e vai ser muito estudado, porém já é possível observar a versatilidade e a infinidade de opções resultadas da união do ozônio ao lazer”, comenta Gilberto. O palestrante também afirmou que cada vez mais os processos de lavanderia e estamparia vêm se unindo e junto com a estamparia digital, acredita ver no lazer e no ozônio o futuro do beneficiamento de jeans.

MARINA COLERATO | FOTOS: EQUIPE GUIA JEANSWEAR