O futuro das roupas com o uso da Inteligência Artificial

É inquietante pensar que as roupas que vestimos, em um futuro talvez não tenham sido desenvolvidas propriamente por humanos. Mas não estamos tão longe desta realidade.

Nos últimos meses, o que antes era apenas pixel se tornou um mundo real de texturas e padrões nas passarelas do Paris Fashion Week. Algumas marcas do calendário oficial de moda, como Acne Studios e Tommy Hilfiger usaram Inteligência Artificial para identificar as apostas mais seguras para suas coleções.

Embora a alta moda seja apenas uma fatia modesta da cadeia, é ela que sugere à produção em massa os métodos e as inspirações para o mercado. Logo, não é de se surpreender que empresas de moda estejam surgindo com o formato calcado na própria tecnologia de análise de dados em massa.

“Quando você desenha uma coleção, você tem uma ideia de como a jaqueta ou um par de calças se parecem”, comenta Jonny Johansson, diretor criativo da Acne Studios. “O computador não entende o que é uma jaqueta. Ele tenta ler isso das imagens que o entregamos, e depois ele cria a sua própria ideia. Isso foi libertador, porque nós podíamos depois desenhar uma jaqueta que vinha de um universo paralelo”.

Através da Acne Studios, as roupas futuristas tiveram sua primeira apresentação nas passarelas. Mas a nova logística, já apresenta sinais de adesão e assimilação no mercado.

O time de desenvolvimento da marca Tommy Hilfiger também usou inteligência artificial, com ajuda da IBM e do laboratório de desenho e tecnologia do The Fashion Institute of Technology (em tradução livre, Instituto de Tecnologia da Moda), para testar como o visual da marca deveria parecer nas coleções, em um projeto chamado Reimagine. Com os testes, descobriu que a ferramenta poderia ir muito além.

Com uma amplitude maior, a marca de negócios de moda indiana Myntra usou seu software de inteligência artificial Ratatouille para sugerir novos desenhos de roupas, cortando o processo de desenvolvimento de seis meses para um. Trata-se de um programa que rastreia e decodifica quais serão os best sellers das coleções futuras.

A startup WIRED, tem usado a Inteligência Artificial do Google para produção automática de t-shirts feitas com dados provenientes do Doodle (software de agendamento de datas e prazos).

A Inteligência Artificial, e o seu subconjunto de rede neural alimentada, está apta a transformar a roupa e o modo como a consumimos. Talvez até possa contribuir para melhorar o planeta reduzindo o percentual de vestuário descartado, por falta de apelo comercial ou giro de vendas.

Fonte: Vivian David | Foto: Reprodução