O poder trendy e terapêutico das campanhas de jeans

O jeans relacionado ao senso de liberdade, com direito a motocicletas, paredes pichadas, postos de gasolina, praia e maresia. Esta lista de refúgios desejo, feita de paisagens tão proibidas para o momento delicado pelo qual o mundo está passando, é também a mesma que contribuiu para criação desse apelo emocional tão intenso e marcante ao desenho da five pockets. De uma longa história de fotos conceito inspiradas no espírito de aventura, criou-se uma forte associação relacionando o denim a indumentária feita para as ruas.

Uma escolha de moda idealizada para se vestir quando se está livre, uma roupa para se usar fora de casa. Boa parte deste paradigma foi quebrado pelo imenso salto evolutivo dado pelo denim em suas composições. Hoje temos elastanos superiores capazes de proporcionar ao jeans, conforto equiparável ao de uma legging. Temos também misturas macias, que igualam o toque do jeans ao dos tecidos pensados para a moda fundamental.

Porém, o que não temos (ou encontramos em menor quantidade) são campanhas que explorem justamente a imagem do jeans inserido nos hábitos cotidianos, proposto como uma peça ideal para se vestir em casa.

Editorial This is How We Chill

O que as marcas tem feito é transmitir a mensagem das qualidades elásticas e confortáveis do jeans, como produto, em tags e composições. No entanto, é preciso criar essa nova imagem do jeans como escolha irreverente para os momentos de descanso. Sem apagar a beleza do seu passado livre.

Não existe ferramenta mais poderosa para comunicação do que a fantasia de uma foto conceito. É consenso que o consumo de moda é movido prioritariamente por esta paixão. A mensagem colocada desta forma, é lida de forma mais influente (e às vezes até arrebatadora) pelo consumidor.

Aos poucos, editoriais de moda e mesmo fabricantes tem investido nessa abordagem estratégica. O sofá, o chão da sala, a varanda e até o corredor do hall estão se transformando nas molduras com apelo trendy prediletas das direções fotográficas. A proposta é apresentar o jeans, com naturalidade, inserido nestes ambientes e assim relacionar a sua estética às escolhas de moda que envolvem o momento de ficar em casa.

No lookbook da marca Fidelity Denim, a skinny se associa a alfaiataria para propor o jeans associado a relaxamento em equilíbrio com a atividade de home office. No editorial da revista Sportswear International, o mix denim da Etro é colocado como escolha ideal para o conforto em versão romântica com fortes laços de intimidade.

É notável é que a comunicação do jeans relacionado ao contexto do isolamento social não tem limitado o styling ao das produções descompromissadas. Pelo contrário, o jeans eleito para estrelar as publicações tem vestígios de manualidades, confessa procedência upcycled por meio de patches e aposta na dramaticidade da modelagem bocas de sino. Complementos como babados, rendas e cintos de couro asseguram um visual absolutamente “instagramável”.

Sem qualquer abalo emocional, dispensando traços de desânimo, o que temos aqui é mais do que uma tendência para a comunicação do jeans. A criação de campanhas que explorem o contexto atual do isolamento, de forma positiva, otimista e bela pode causar efeitos maiores do que o apelo comercial. Elas tem o poder de reativar o sonho, os ideais e a capacidade de reação das pessoas.

Se vamos ficar em casa, então que fiquemos bem, nosso lar merece as melhores produções. A atitude se apresenta como um bom remédio para competir com a onda preguiçosa dos pijamas e um forte argumento para prevenir o look anti-moda que assombra as produções confinadas.

Fonte: Vivian David | Fotos: Divulgação