Primeiro semestre de 2021 aponta crescimento para vestuário e setor têxtil, diz Abit

Em meio a um cenário ainda incerto, porém que caminha para a “normalidade” os setores têxtil e de vestuário tiveram aumento em suas produções em relação ao ano passado. Esses dados foram apresentados pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) através do balanço do primeiro semestre de 2021, além das perspectivas para a segunda metade do ano.

Segundo o presidente da entidade, Fernando Pimentel, houve uma retomada nos setores varejista e têxtil em relação ao ano passado, mas ainda há uma queda quando comparado ao ano de 2019. “Essa pandemia vai conviver com a sociedade por um período quase permanente, não vai nos abandonar”, afirma Pimentel, que se diz otimista apesar dos altos e baixos da crise provocada pela Covid-19.

A produção têxtil teve um aumento de 36,3% em relação à 2020 no período que corresponde entre janeiro e maio, com um crescimento de 15,6%. Já o vestuário ficou em 36,6%, porém com uma queda de 1,6%, O varejo de vestuário ficou com 26,2%, mas ainda com queda de 3,9% nos últimos 12 meses. Entre janeiro e maio de 2021 foram gerados mais de 45 mil novos empregos.

As exportações e importações também tiveram crescimento, porém a importação de vestuário teve queda de 23%.

Segundo Pimentel, o IPCA para o setor de vestuário é o menor do período entre julho/94 e maio/21 comparado a outros itens como comunicação, habitação, alimentação, saúde e transporte. “O setor tem papel fundamental no controle da inflação do país, repassando ganhos de competitividade e produtividade para o consumidor”, diz Pimentel.

Através de enquetes mensais realizadas com seus associados a Abit divulgou ainda um crescimento de 73% na produção acima do nível esperado e, nas vendas de 75%, comparado ao mês de junho do ano passado.

Há uma situação favorável no último mês de junho, em relação à produção, vendas, aumento de postos de emprego, produtividade, entre outros, tanto para o setor têxtil quanto para o de confecção. “O têxtil reagiu mais rápido que confecção porque tem outras alternativas como máscaras, uniformes…”, comenta Pimentel. E, continua: “Várias empresas ainda estão com problemas, mas há uma esperança de melhora”.

Apesar do varejo de vestuário ter sido um dos mais impactados desde o início da pandemia, no acumulado deste ano, o setor já apresenta crescimento positivo em comparação com o ano passado. “O varejo total cresceu 36,7% entre abril e maio de 2021, com um aumento de 156,9% em relação ao ano passado. Isso é reflexo da volta das pessoas nas ruas”, afirma Pimentel.

Há uma expectativa de crescimento para esse ano, de 7,4% para as manufaturas têxteis e de 13,6% em volume de peças para o mercado de vestuário.

Sustentabilidade

A indústria da moda sempre foi muito criticada em relação às ações sustentáveis. É claro que aconteceram muitos avanços nesse sentido, porém, ainda temos pontos a serem modificados no caminho da preservação do planeta e na prática de boas e justas condições de trabalho. Nesse sentido, a Abit vem trabalhando em cima de oito pilares com relação à agenda tecnológica e sustentável.

São eles: rastreabilidade da cadeia de fornecimento, combate às mudanças climáticas, uso eficiente da água, energia e químicos, ambientes de trabalho seguros e respeitosos, composição sustentável de materiais, sistema de moda circular, promoção de melhorias de melhores salários, quarta revolução industrial.

Segundo pesquisa, 63% dos brasileiros acham muito importante o tema sustentabilidade no dia a dia, sendo que 62% preferem pagar a mais por produtos naturais que agridam menos o meio ambiente e 77% passaram a se preocupar mais com o meio ambiente desde que a pandemia começou.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução