Protocolo e regras de etiqueta da indumentária masculina: este foi o ponto de partida do
discurso apresentado por Valentino na coleção de Inverno 2016
apresentada pela marca, em Paris. Os looks se iniciaram sóbrios e formais, regados pela
fisionomia de ternos em maxi-comprimentos; e no decorrer da apresentação evoluíram
para um visual completamente étnico: especialmente no bloco em que o jeans marcou
presença na passarela. O tema setentista predominou, propondo diálogos entre
linguagens do universo jeanswear e da alfaiataria.
Das trocas entre linguagens distintas apresentadas, Valentino
apresentou primeiramente a proposta da flare clássico do segmento interpretada na
versão calça social com vincos. Em continuidade, trouxe os tweeds pesados com jeitão
de casaco do avô, renovados pela leitura de festival hippie graças à aplicação de tachas
decorativas lembrando a lógica das jaquetas em denim mais
enfeitadas do estilo boho feminino. Somado à isso, a grife mesclou ternos e conjuntos à
trenchcoats de vinil e sobretudos.
Preto, cinza, nude e tons de cáqui comportados prevaleceram na cartela de cores, com
alguns respiros de vermelho em padrões de xadrez e materiais plastificados; até a
entrada do jeans. Neste ponto, a peça conferiu aos looks tonalidades esverdeadas e
desgastadas especialmente através do fit comfort largadão. A partir daí, Valentino incluiu
ponchos com jeitão de andarilho, jaquetas com xadrez de buffalo dialogando com
estampas de estrelas, couro e camurça estampados em padrões étnicos.
Além dos tons esverdeados, os azuis médios na aparência stonewash
prevaleceram, sempre associadas à jaquetas em materiais nobres alteradas por
estampas coloridas nos moldes de motivos tribais. Um visual comercial, na medida em
que dialoga bastante com as coleções femininas inspiradas no Boho, e é muito bem
sucedida em propôr apelo fashion ao closet masculino, ora seguindo, ora quebrando os
protocolos da indumentária aceita pelo menswear.





















