O consumidor de jeans (e de moda de maneira geral), está
envelhecendo na matemática – mas não no closet pessoal. Esta é uma conta que
atualmente dispensa prova real – mas exige atenção no desenvolvimento: especialmente
nos detalhes dos aviamentos; como as etiquetas. Já que estamos
falando de um público, que de certa forma, doma o tempo a seu favor. Seus acessórios,
então, devem dialogar com as tendências de um jeito atemporal.
Dentro deste pensamento, temas relativos ao vintage, ao boho, e mesmo aos anos
setenta podem ser pontuados sem risco de erro, pelas versões mais limpas do
aviamento, onde o espaço vazio se converte em detalhe. O mix do e-
commerce correspondente ao Inverno 2017 ilustra bem este visual: a ideia de peça
enfeitada, nestas interpretações, é bastante minimalista, e pode vir de um retângulo em
material diferenciado, dispensando caracteres externos. Mas na grande maioria das
peças, couro e camurça em tom marrom escuro são as aparências mais trabalhadas,
com letras queimadas, em depressão, ou perfuradas.
Nas versões onde o apelo conforto e funcionalidade falam por si só; a jogadinha
diferenciada se inspira no capricho dos forros e acabamentos interiores da peça.
Logotipos de marca serigrafados diretamente no cós, ou mesmo a sutileza da
etiqueta parcialmente embutida são alguns exemplos.
Mas nem só de minimalismo vive a proposta do jeans sequinho e
atemporal. E é possível sim, adotar a lógica do acessório comunicativo e trabalhado, no
mix desenvolvido para este público. Uma boa referência, consta na versão da etiqueta
floral enfeitada de Roberto Cavalli, toda desenhada em materiais pesados e nobres,
recurso que mantém sua leitura neutra. E para finalizar, temos o visual icônico,
apresentado junto com seu discurso de tempo batido e falhado, o qual sempre irá figurar
como prova de valor agregado no segmento.
VIVIAN DAVID | FOTOS: REPRODUÇÃO















