Mais uma vez o jeans foi a estrela de algumas marcas que desfilaram na SPFW como Ellus, Amapô, Colcci, Vitorino Campos e TNG. A maioria delas buscou trabalhar o tecido destacando seu aspecto limpo no raw, bem limpo e valorizando os fios nobres cada vez mais tecnológicos ou ainda seguiram a inspiração artesanal, com patchworks de lavagens e retalhos justapostos formando figuras geométricas ou listras. Porém o aspecto vintage continua com força com puídos, rasgos e manchas, além de bordados e aplicações, principalmente nos segmentos mais jovens.
A Coca Cola Jeans, por exemplo, que abriu o calendário de moda em São Paulo com apresentação na Casa Fasano, apostou em seu estilo street despojado com muitos aviamentos dourados com plaquinhas, o nome da marca, correntes, metais cestavados e argolas em denims com esbranquiçados ou mesmo totalmente limpos no azul médio e em modelagens amplas que surgem em macacões, saias, calças e blazers. A skinny não pode faltar e, aqui ela vem com a cintura mais alta em lavagem com esbranquiçados. Para eles, o fit comfort tem tudo a ver com essa pegada streetwear moderna.
Destaque ainda para as estampas que permearam várias marcas nesta edição de Inverno. Na Coca Cola Jeans ela ganha aspecto gráfico, bem ao estilo anos 60. As formas também são importantes e não seguem um padrão único como o casaqueto com gola arredondada e manga japonesa que recebe ilhoses, zíper interno e costuras marcadas. Seus consumidores não tem medo de ousar e adoram os patchs aplicados como um outdoor ambulante.
Já a Colcci que vem trabalhando minuciosamente o denim há algumas edições, valoriza o tecido azul com texturas como se fossem minicanaletas que revelam o tom acastanhado de fundo juntamente com linhas marcadas na mesma cor, além do trabalho de tressê na lã. A marca aposta ainda nos looks totais no denim com peças práticas e básicas e, que podem ser usadas por qualquer faixa etária. Novamente o denim ganha fios nobres como a camisa super leve. No masculino, manchas, puídos, desgastes e rasgos fazem sucesso nas jaquetas e camisas.
Outra marca jovem e moderninha, a 2nd Floor apostou nas estampas, aqui as geleiras da Islândia serviram de inspiração para tons esmaecidos e manchados que ganham a companhia de bordados e punhos. A Amapô que trabalha o jeanswear em todas as suas possibilidades, incrementou as peças com lindas pedrarias no tecido estampado que mais parece um jacquard. Mistura de lavagens em listras constrastantes com leves desgastes e medalhas douradas na sarja vinho também fizeram parte da coleção da Amapô.
No Inverno da Apartamento 03 surgem texturas diferenciadas no denim raw com desfiados e tiras aleatórias. Aqui o denim limpo e com aspecto de alfaiataria ganha tonalidade mais clara. Já na marca Cavalera, o jeans raw surge com mistura de tecidos e um leve brilho. Vitorino Campos apostou no denim mais pesado e totalmente limpo e na estampa pincelada com diferentes tons de azul. Já a Triton trouxe o denim com brilho e ilhoses na calça feminina e na mistura de tecidos no modelo masculino. Os ilhoses permeiam ainda lavagens acinzentadas.
A Ellus trabalhou bastante os efeitos useds com bigodes, amassados, riscos, puídos e manchas juntamente com paetês, aplicação de patchs coloridos e faixas com o nome da marca. Modelagens amplas em macacões e as saias com babados vão fazer sucesso. Na TNG o jeanswear foi o carro-chefe com interferências vintage com esbranquiçados, puídos e rasgos. O trabalho de patchwork se faz presente com mistura de tecidos, bordados e desfiados em lavagens com manchas de sujinho ou no delavê com aplicações sobrepostas. Aqui a roupa dos mineradores priveligam os denims mais pesados, mas sempre com aspecto confortável.
VANESSA DE CASTRO | FOTOS: EQUIPE GUIA JEANSWEAR / REPRODUÇÂO










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