A última edição da feira Bread & Butter que ocorreu entre os dias 2 e 3 de julho em Barcelona, trouxe importantes apontamentos para as futuras compras de matérias primas pelas confecções de jeans, ações de desenvolvimento de lavanderias e desenvolvimento de produtos para os fabricantes de denim do mercado nacional. A principal, e mais valiosa direção evidenciada pelo evento, foi o retorno do blue denim. Com a mudança, tanto os aviamentos quanto a linguagem da estamparia que ainda vinga nas coleções, subordinaram-se à supermacia do visual índigo como aparência principal. Os coloridos continuam, porém em espaço reduzido, jogados como toques de luminosidade em cartelas aquareladas e macias. E em espaço ainda menor, os estampados, que na maioria das vezes são propostos com sutileza, através de um visual “camuflado” que se confunde com as nuances do denim lavado.
Destacamos também, o senso de “agilidade” que foi colocado pelo formato da feira, com a presença do grupo BestSeller, que posicionou-se em um “time” mais adiantado em comparação com os demais participantes. A corrida pela colocação das tendências em tempo recorde, com preço, qualidade e bom material, é a grande estratégia global do segmento. Aos leitores disponibilizamos um agrupamento de imagens representativo, bem como uma síntese das informações de moda direcionais mais relevantes, evidenciadas pelo agrupamento de marcas da edição da Bread&Butter, equivalente ao verão 2015 brasileiro.
LAVAGENS:
O índigo multiplica suas fisionomias através de variações na sua tonalidade. A aparência irregular, é a linguagem principal. Manchas esbranquiçadas, riscos, visual vintage, efeito ombrè (degradê), delavés e peças com total descarregamento do azul com algumas reservas localizadas de pigmento, seja irregulares ou em formatos geométricos estilo blocked, representam a aparência do denim nesta temporada. O visual amaciado é também pertinente, especialmente nas peças que elevam o mix como vestidos, macacões, saias e outerwear em geral.
PEÇAS-CHAVE:
A camisa em chambray permanece um ítem importante para o guarda-roupa da temporada. Sua renovação no visual, consiste principalmente pelo design mais trabalhado, especialmente através de marcas de reservas de pigmento, de bolsos ou palas arrancados, ou mesmo pelo contraste de diferentes tons de denim. Tuxedos, jaquetas bomber e o outerwear em geral, trouxeram as fisionomias mais criativas das coleções, especialmente através do recurso do matelassê. As jaquetas básicas femininas, podem vir mais curtinhas, e mas mais volumosas são interpretadas com visual mais decorativo, com aplicações e bordados étnicos adornando a vista traseira da peça.
ESTAMPAS:
As estampas mais notáveis e distanciadas da linguagem do denim, ocupam menor proporção nas coleções. Ente os motivos que ainda vingam nas coleções, estão a estampa a phytom, alguns padrões étnicos multicoloridos e principalmente os camuflados, com desenhos alterados. Entretanto a grande maioria das estampas, é colocada dissimulada aos efeitos de lavanderia do jeans. São desenhos irregulares e delicados que se confundem com a própria linguagem e visual do denim lavado, como plumas, folhagens, e florais miúdos e espaçados. No repertório masculino, destaque para os micropoás, com volume e toque, especialmente na camisaria.
COLORS:
Os coloridos se dividem em duas cartelas: a de tons macios e saturados com tratamento vintage. A mais representativa, é formada pelas cores aquareladas e suaves. Entre os tons trabalhados, o amarelo, pink, salmon, verde piscina e paleta cobalt esmaecida. Já a segunda paleta, mais intensa e vigorosa no tom, aparece em menor proporção, e agrupa o vermelho, cobalto, e os tons terrosos de argila. O visual, inclui puídos nos bolsos, marcas em 3D, e manchas esbranquiçadas.
DETALHES:
No repertório de minúcias do denim, customizações “ripped” com rasgos horizontais repetidos, lembrando “listras” esfarrapadas, nas calças em white denim ou coloridos. Buracos, efeitos “ripped” e devorês com a trama aparente jogando charme nas peças predominam na linguagem vintage. Com o retorno dos índigos, há mais espaço para filigranas, que podem ganhar pontos “espinha de peixe”, e bordados embelezando a lateral das calças, ou bolsos traseiros junto à aplicações. Desenhos mais decorativos, étnicos ou florais, são os temas principais. As aplicações, metais com spikes, e tachas ganham importância maior nas peças.
VIVIAN DAVID / FOTOS: EQUIPE GUIAJEANSWEAR










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