No campo internacional, as confecções brasileiras de vestuário têm muito poucas chances de crescer em exportações, ao menos no curto e médio prazo, dadas as próprias limitações estruturais do setor e conjunturais do mercado.
Estruturalmente, é preciso considerar que o setor produtor de vestuário no Brasil é formado por um imenso número de micros e pequenas empresas (apenas 2% das unidades produtivas contam com mais de 150 empregados), resultando em escalas muito baixas de produção e custos operacionais muito acima da média das plantas industriais asiáticas, norte africanas e centro-americanas, que se dedicam principalmente às exportações e que hoje predominam no suprimento das grandes marcas, grandes redes de varejo e no comércio internacional de roupas.
Além disso, por melhor que seja o trabalho realizado pela TexBrasil, Apex e o Sebrae, exportar ainda é um privilégio de grandes produtores, que possuem volume suficientes para serem competitivos no exterior e com poder econômico para bancar todo o ônus de
promover, prospectar, distribuir, estocar, repor, dar assistência técnica, cobrar, etc., a milhares de quilômetros de distância e em dólares.
Moeda Forte
Conjunturalmente, a forte valorização do Real diante do dólar e o enfraquecimento da demanda nos países mais desenvolvidos, praticamente eliminaram as chances de assistirmos a uma recuperação das exportações brasileiras, hoje inferiores a 1% da produção nacional.
Assim, no campo externo, não nos restam muitas alternativas de crescimento, a não ser explorar certos nichos de mercado onde a atratividade do estilo brasileiro, já conhecido lá fora, conte com boa aceitação dos mercados consumidores.
Além dessa possibilidade, há que se procurar diversificar os destinos dos nossos produtos no exterior, embora seja muito difícil
substituir o potencial de demanda existente nos grandes centros consumidores internacionais, hoje explorados pelos asiáticos, com vendas para a Argentina, Bolívia,Venezuela e Angola.
Perspectivas Positivas
Isto posto, fica claro que o desempenho da imensa maioria das nossas empresas produtoras de vestuário dependerá, nos próximos anos, quase que estritamente do crescimento da demanda interna.
E neste campo, sem dúvida, as expectativas a média prazo continuam bastante positivas, apesar da recente desaceleração do consumo observada na última coleção inverno, na qual o varejo apresentou um pequeno crescimento se comparado ao mesmo período do ano passado (+1,2% em peças).
Com uma previsão para o crescimento do PIB próximo a 2% e do consumo das famílias superior a 3%, em 2012, é possível prever um
desempenho mais animador para o segundo semestre deste ano, já que as importações também diminuíram seu ritmo de crescimento
e os estoques no varejo estão bem abaixo do necessário para encarar o final de ano.
Nossa estimativa é de que possa vir a faltar algo em torno a 400 milhões de peças até o final deste verão, cerca 6% do consumo interno previsto para 2012, se as compras do varejo junto a seus fornecedores não se elevarem rapidamente.
Num quadro como esse, vai perder o lojista que tiver falta de produto no ponto de venda para atender a seus consumidores, quando o final de ano chegar. Em novembro, não adianta tentar correr atrás de importadores e fabricantes para se abastecer. Se a demanda atual seguir o rumo previsto e a loja for conservadora de mais nas compras do alto verão, o lojista pode começar a fazer as contas do prejuízo, pois quem tiver produto vai se dar muito bem.
MARCELO PRADO, DO IEMI | FOTO: REPRODUÇÃO










