Os mistérios da cationização em malha e em jeans

Desde que a lavanderia percebeu que era uma formadora de opiniões de moda, não parou mais. Nasceu então no segmento de criação e desenvolvimento uma nova profissão, chamada pelos experientes como laundry designers (designers de lavanderia), estes profissionais são responsáveis por traduzir anseios, expressões, ideais e paixões em objetos de desejo, e dentre eles conhecemos um conjunto especial: o jeans e as malhas.

Em especial podemos falar de uma técnica que atende estes dois grupos de tecidos – tanto plano quanto de malha – esta técnica é a cationização e stonagem especial.

Na cationização podemos destacar sua definição e alguns pontos relevantes, significando a priori “um processo no qual um filme sobre o substrato têxtil é gerado e preparado no tocante as cargas positivas, preparando o substrato para receber o processo posterior de tingimento, sendo ele direto, reativo, enxofre, pigmentos e até corantes de cunho natural, dando características de stonagem após o processo de aplicação de enzimas, pedras ou mesmo de outros elementos abrasivos…”.

Atualmente, processos com esta terminologia são amplamente difundidos para através de mesclas gerarem condições de modificar a aparência final do produto. É importante abordar alguns detalhes com este insumo de tão procedente importância com as seguintes características:

A peça pode ser jateada em determinadas localidades e seca posteriormente tinta com qualquer classe de corante, gerando efeitos variados desde de degradês como aspecto abrasivo.

Se uma peça sofre tal tratamento a mesma pode vir a agregar valores diferenciados como a similaridade do aspecto de marcação de costura (semelhante ao jeans) em uma camiseta de malha de algodão. Vale salientar que para que uma cationização ocorra de forma igualitária e de boa aparência, é necessário que tenhamos alguns elementos bem controlados (inclusive aditivos) como:

a)Cationizador (doador/gerador de cargas positivos) responsável pela geração do filme de recepção do corante e até mesmo de pigmentos


b)Alcalinizador (Bicarbonato de Sódio ou Hidróxido de Sódio 38º Bé) com o propósito de condicionar o banho para a recepção da matéria de coloração


c)Temperatura, sendo que esta não deve superar nunca na maioria das vezes os 65ºC


d)Eventualmente uma resina de condicionamento para ampliar a solidez do corante caso a peça não necessite sofrer stonagem.

Os resultados são muito satisfatórios e o banho sofre um esgotamento de 100% na grande parte das vezes (claro que dependendo da cor, intensidade e classe da matéria de coloração). Também é possível aplicá-lo por jateamento, mas se faz necessária uma cura posterior, gerando assim um possível gargalo de produção.

O que se deve ter em mente de maneira bem clara é que a peça deve ser amaciada generosamente para que não se tenha problemas de craquelamento e/ou até mesmo sensação de aspereza.

PROF. WESLEY S. PAIXÃO – Técnico Químico Industrial Têxtil, Consultor & Palestrante no Segmento Têxtil e de Moda Técnica – Atendimento para Confecções, Lavanderias Industriais, Estamparias e Bureaus de Moda

WESLEY PAIXÃO | FOTOS: REPRODUÇÃO