ABRAPA representa Brasil em debate sobre algodão

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), Haroldo Cunha, representou o Brasil no painel sobre Algodão na primeira sessão do congresso do ITMF (International Textile Manufacturers Federation, realizada no 17.10, em São Paulo. O debate contou também com a presença de Terry Townsend, diretor executivo do ICAC e Jeff Elder, vice-presidente da J.G. Boswell, que substituiu Don Cameron, gerente geral da Terranova Ranch.

O tema da palestra de Haroldo Cunha foi “Algodão geneticamente modificado é sustentável? Uma visão do Brasil”, onde o agrônomo goiano discorreu sobre a sustentabilidade em torno da produção de algodão. Contando um breve histórico do setor, Cunha explicou que nos anos 80 o rendimento era baixo, e melhorou após a mudança das plantações para o cerrado. Para ele, não é coincidência que a ABRAPA e outros órgãos estatais tenha surgido nessa época. “Hoje, a ABRAPA representa 100% do algodão exportado pelo Brasil”, informou.

Cunha salientou que é esperado um aumento de 40% na produção da fibra para 2011, destacando que o País perdeu 200 mil toneladas da produção neste ano, por conta do clima instável. “Estamos prevendo uma safra de 1,1 milhão de hectares para 2011, o que equivale a 1,5 milhão de toneladas. Sendo, desse total, 15% destinado ao algodão transgênico”, ressaltou.

Em relação à sustentabilidade, o presidente da ABRAPA disse que o conceito no Brasil é o mesmo que no exterior, ou seja, atender às necessidades do momento sem afetar o futuro. Para ele, é preciso focar em alguns aspectos do algodão transgênico, pois junto com ele, melhores práticas ocorrem.

Cunha mostrou uma pesquisa realizada pela SEEP e ICAC, revelando que na Austrália, Brasil, Índia, Turquia e EUA o uso de pesticidas foi reduzido de 11% para 6,8%, o uso de inseticidas foi reduzido em 23% e o impacto ambiental foi reduzido em 28%. Aqui no Brasil, entretanto, existem alguns problemas em relação à burocracia, que dificulta o uso de algodões transgênicos no País. Cunha previu que se não houver biotecnologia, ao invés de lucro, o Brasil terá um grande prejuízo financeiro, além de continuar degradando a natureza.

Ele afirmou que o algodão geneticamente modificado é sim sustentável, pois é preciso considerar riscos de pesticidas, inseticidas e produtos químicos, além da qualidade do trabalho do fazendeiro e agricultor. Observou, ainda, que há um grande potencial na biotecnologia para atender demandas e lidar com as nuances do clima brasileiro.

“Foi um painel objetivo, mostrando com clareza os desafios que a agricultura enfrenta no que diz respeito à produção de alimentos versus a produção de matéria prima industrial, o que fará com que, evidentemente, essa discussão continue a ganhar corpo. O Brasil tem uma excelente oportunidade de ser um grande player na produção de fibras, uma vez que temos terras para produzir ainda mais alimentos e algodão, portanto estamos em uma posição privilegiada neste horizonte próximo”, disse Fernando Pimentel, diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT).

O diretor da Hering, Ulrich Khun acredita que pouco provável que o preço do algodão diminua em um ano. “Já que o algodão é a nossa principal matéria-prima, o maior desafio a partir daí, vai ser evitar este repasse ao consumidor. Usaremos a criatividade para tentar inviabilizar o repasse de valores ao consumidor”, declarou o empresário.

ABIT | FOTO: EQUIPE GUIA JEANSWEAR