Zona de conforto inspira denim de Isabel Marant

A zona de conforto é mencionada com frequência nas redes sociais, um desafio que deve ser vencido. Mas o Inverno RTW de Isabel Marant Étoile diz o contrário. Em sua segunda marca, Marant endossa todas as tendências que transmitem qualidade de vida, aceita as temperaturas limítrofes como uma realidade, e encontra no passado recente, o melhor refúgio inspiracional. Camadas térmicas, volumes amplos, e construções engenhosas colocadas com intenção de proteger a pele de cenários congelantes, são alguns elementos pronunciados em Paris, através do Inverno 2020 da marca.

Para multiplicar o discurso de conforto na coleção, a camisa xadrez ganhou corte e comprimentos de poncho, lembrando um cobertor sobreposto ao look, e golas altas assumiram proporções maiores para salvaguardar as partes mais sensíveis ao frio. A ideia de acúmulo de panos, bem como folgas de volumes; foram adotadas para sublinhar o discurso acolhimento como característica principal da coleção.

Para assumir uma estética mais madura o denim foi coordenado à alfaiataria exagerada e interpretado em formatos relacionados à moda de sobrevivência, com olhares saudosos voltados para as formas oitentistas. Mangas presunto foram atualizadas pelo drapeado sequinho e desenho circular. O entrepernas baggy, serviram de base para calças com visual trabalhado por bolsos de colocação baixa, patches arquiteturais, lapelas invertidas, recortes princesa, e elegantes cinturas clochard.

O volume exagerado em dose dupla no look foi à característica mais direcional da apresentação. Dos combos denim délavé ao look formado por diferentes materiais, do colorido ao branco sujinho, e em todas as sugestões que seguiram as nuances terrosas com visual explorador; camadas foram mais relevantes do que silhuetas. Até mesmo na estética que beirou os limites do formato cargo as composições apontaram essa direção.

Se o consumidor vai usar esses cortes na mesma dose e intensidade, isso vai depender do perfil, mas que a ideia de uma peça ampla soa como importante alívio em tempos de instabilidade, isso não é dúvida. Que a fuga para a tal zona de conforto representa uma reação natural, também. Assim de modo subjetivo, ombros mais pesados, estruturas com proposta de blindar o corpo do ambiente externo, e construções focando o bem-estar, independente de vaidades e meras superficialidades, prometem mudar bastante os cortes e medidas das próximas estações.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução