Responsabilidade. Segundo o dicionário esse termo representa a obrigação de responder pelas ações próprias ou dos outros. Transparência, por sua vez é a qualidade do que não é ambíguo; clareza, limpidez. Juntas, essas palavrinhas fazem a diferença na indústria, dão seriedade aos assuntos e geram a mudança que realmente importa.
Quando o edifício Rana Plaza desabou em abril de 2013, em Bangladesh, causando morte e ferindo milhares de trabalhadores, foi necessário investigar em meio aos escombros quais marcas estavam ligadas às confecções que trabalhavam no prédio.
O que gerou certo estranhamento foi que as marcas levaram semanas para deliberarem sobre como as suas etiquetas foram parar ali, e quais os tipos de contratos de compra elas tinham com aqueles fornecedores. A falta de transparência mostrou que nem mesmo as marcas sabiam que suas peças haviam sido produzidas por lá.
A evolução da indústria levou a maioria das marcas e varejistas por um caminho onde não possuíam fábricas próprias, o que tornou a tarefa de monitoramento das condições de trabalho mais complicada. Isso porque em uma indústria global as empresas passam a usar desculpar para se esquivar da responsabilidade sobre sua produção.
As marcas realizavam pedidos aos fornecedores que dividiam as demandas, subcontratando o trabalho de outras fábricas. Essa contratação transformava esses trabalhadores em mão-de-obra invisível, uma vê que se tornava impossível rastrear quem eles eram na cadeia de fornecimento, o que abriu espaço para a violação de direitos humanos e degradação ambiental.
O desastre deixou claro que era inadmissível que a indústria da moda permanecesse como estava. Seria necessário saber “quem faz as nossas roupas”, o acesso a informação também foi crucial para que os consumidores se posicionassem contra empresas que não respeitam os direitos de seus trabalhadores, os pagando mal e contribuindo com ambientes poluídos.
Quando as marcas apresentam posturas responsáveis e transparentes o cliente final tem a impressão de que os problemas podem ser solucionados com alternativas eficazes rapidamente. E por isso, o índice de Transparência da Moda Brasil foi elaborado, pelas equipes do Fashion Revolution Global e Fashion Revolution Fashion Brasil, contando com a parceria técnica do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces).
O Índice de Transparência da Moda existe globalmente desde 2016 e chegou ao Brasil em 2018 para revisar e classificar 20 das maiores marcas que operam em território nacional. O país é um dos principais pólos têxteis do mundo e o quarto maior parque produtivo de confecção, gerando cerca de 1,4 milhão de funcionários diretos, sendo que destes 75% são mulheres.
Na Cadeia Têxtil ocidental que vai da produção de fibras (principalmente algodão), passando por fiação, tecelagem, beneficiamento, confecção e varejo, até as passarelas.
Reforçando sua relevância como um dos principais atores do setor, o Brasil é o primeiro a ter uma edição nacional do Índice de Transparência da Moda, enfatizando a necessidade de aprofundar as discussões locais sobre a importância da transparência na construção de uma indústria da moda com melhores práticas.
Mesmo assim, são muitas as empresas que não abrem suas informações. Entre as 20 revisadas no Índice brasileiro, 8 (40%) obtiveram resultado de 0%. A pontuação média das marcas foi de 17%, onde apenas 2 pontuaram acima de 50% e nenhuma alcançou mais de 60%.
É importante lembrar que transparência é um meio para a mudança e não um fim. Ela funciona como uma valiosa ferramenta de orientação as empresas a uma cultura de autoanálise e prestação de contas, levando a mudanças na forma como os negócios são conduzidos e, consequentemente, traz melhorias nas condições de trabalho e práticas socioambientais ao longo de toda a indústria.
Divulgar informações publicamente traz benefícios significativos e gera em longo prazos para as empresas melhores resultados para os trabalhadores, mitigar impactos sociais e ambientais e facilitar o acesso a informação aos consumidores.
Fonte: Redação | Foto: Reprodução









