Guia traz orientações para tornar jeans mais ecológicos

Cerca de 40 especialistas em denim de todo o mundo, de produtores a acadêmicos, contribuíram para a elaboração das “Jeans Redesign Guidelines”, um conjunto de diretrizes que visam ajudar as marcas de moda a serem mais sustentáveis. Publicadas pela Ellen MacArthur Foundation, as diretrizes já foram subscritas por nomes como Gap, H&M, Lee e Tommy Hilfiger.

As orientações definem requisitos mínimos em relação à durabilidade das peças, qualidade dos materiais, reciclabilidade e rastreabilidade. As diretrizes têm como base os princípios da economia circular, incentivando empresas a produzirem jeans que durem mais tempo, possam ser facilmente recicláveis e sejam fabricados através de métodos amigos do ambiente e também respeitem a saúde dos trabalhadores.

“Começamos pelos jeans porque sentimos que existe uma receptividade muito positiva por parte deste segmento para contribuir para a economia circular”, explica Francois Souchet, responsável pelo projeto Make Fashion Circular da Ellen MacArthur Foundation. “Isso foi um bom ponto de partida para unir a indústria em torno de uma visão partilhada”, afirma.

H&M

Como parte das orientações, as empresas vão trabalhar colaborativamente para desenvolver inovações, que serão partilhadas, com o objetivo de tornar a cadeia de aprovisionamento e a economia o mais circular possível. Pretende-se que, posteriormente, o projeto Make Fashion Circular, chegue a outras categorias de produto.

As orientações foram subscritas por marcas como Arvind, Boyish Jeans, C&A, Gap, Hirdaramani, H&M, Weekday, HNST, Kipas, Lee Jeans, Mud Jeans, Outerknown, Tommy Hilfiger, The Reformation, Saitex e Vero Moda.

“O número de empresas que aderiu é reduzido”, admite Francois Souchet. “Cerca de 350 mil pares de jeans serão produzidos em linha com as orientações. O objetivo é que o volume aumente anualmente”, revela.

As diretrizes também foram apoiadas por empresas de reciclagem de vestuário, como a Circular Systems, HKRITA, Infinited Fiber Company, Recover, Tyton Biosciences LLC, Wolkat e Worn Again. De acordo com Francois Souchet, as orientações partem de um guia prático criado por uma iniciativa conjunta entre a C&A e a Fashion For Good, que desenvolvem jeans com certificação Cradle 2 Cradle.

Os requisitos

As orientações baseiam-se no respeito pela saúde, segurança e direitos dos trabalhadores na cadeia de aprovisionamento, assim como a melhoria das condições de trabalho.

Em termos de durabilidade, os jeans devem resistir, no mínimo, a 30 lavagens domésticas, indo de encontro aos requisitos mínimos de qualidade das marcas. As peças devem também incluir etiquetas com informação clara acerca dos cuidados a ter com os produtos.

Quanto à saúde dos materiais, as orientações definem que os jeans devem ser feitos de fibras de celulose, obtidas a partir de métodos de cultivo sustentáveis e devem estar livres de químicos prejudiciais. A pedra pomes, o permanganato de potássio e o jato de areia são proibidos.

Além disso, a produção de artigos que possam ser reciclados é também uma prioridade. Segundo as orientações, os jeans devem ser produzidos com o mínimo de 98% de fibras de celulose. Os rebites de metal devem ser eliminados ou reduzidos a valores mínimos e qualquer material adicionado aos jeans deverá ser facilmente removível.

Em relação à rastreabilidade, as regras exigem que exista informação disponível que confirme que cada elemento dos requisitos foi cumprido. As marcas e retalhistas que cumprem os requisitos, podem usar o logotipo da Jeans Redesign, cuja utilização será revista anualmente, tendo como base o cumprimento dos requisitos.

A ambição é que mais empresas se unam em torno das Jeans Redesign Guidelines e produzam o seu denim em linha com as diretrizes.O primeiro par de jeans produzido de acordo com as normas estará à venda em 2020.

“A forma como produzimos jeans está a causar grandes problemas, como os resíduos e poluição, mas não tem que ser desta forma. Ao trabalharmos juntos, podemos criar jeans que duram mais tempo, que podem reciclados e transformados em novos jeans no final do seu uso e, ainda, produzidos através de processos que são melhores para o ambiente e as pessoas que os fazem. Isto é apenas o início. Vamos continuar a lutar por uma indústria próspera que tenha como base os princípios da economia circular”, garante Francois Souchet.

Fonte: Portugal Têxtil | Fotos: Reprodução