A preocupação com o meio ambiente tem tomado o mundo da moda. O mais novo passo deste compromisso foi a coalização selada por 30 grandes grupos internacionais da indústria da moda para reduzir seu impacto ambiental de maneira voluntária.
O “pacto da moda” foi assinado por marcas como Adidas, Capri Holdings (dona da Versace), Carrefour, Chanel, H&M, Gap, Inditex (proprietária da Zara), Kering, Nike, Prada, Puma e Stella McCartney, entre outras. O tópico volta aos holofotes durante a reunião do G7, que acontece nesta segunda-feira, tendo François-Henri Pinault, presidente do grupo Kering, como porta-voz.
O compromisso selado entre as marcas busca “direcionar as empresas para ações compatíveis com a trajetória de 1,5º C de aquecimento climático, através de uma ‘transição justa’ para alcançar zero emissões líquidas de gás carbônico em 2050”.
Além disso, a lista de objetivos ainda visa “atenuar as mudanças climáticas e se adaptar”, “inverter a curva da perda de biodiversidade em 10 anos” e proteger os oceanos com objetivos em números, como 100% de energias renováveis em 2030 “em toda a cadeia de suprimentos”, “eliminar o plástico de uso único em 2030”.
A decisão, contudo, foi vista com ceticismo por organizações não governamentais envolvidas com o tópico. Isto porque não há detalhes sobre como estas medidas serão acatadas nos próximos anos.
O setor é responsável por 10% das emissões de CO² no planeta, além da descarga de 20% de águas residuais. Há ainda o uso de pesticidas em plantações de algodão, produtos químicos em tingimentos e as microfibras de plásticos que terminam nos oceanos, após serem desprendidas durante lavagens.
A pressão para que as novas medidas surtam efeitos, de acordo com a AFP, o Ministério da Transição Ecológica da França vê como aliados “influenciadores digitais, ONGs […]”, que podem “vigiar os atrasos entre os discursos e os atos”. A falta de comprometimento pode causar “efeitos sobre a reputação” das marcas envolvidas.
As dúvidas sobre os efeitos práticos do compromisso ganham mais forças quando levantado o problema do conceito de fast fashion. De acordo com Pierre Cannet, da WWF França, o consumo de roupa duplicou no mundo entre 2000 e 2014 e a tendência promete se manter com o “furor” do consumo no setor.
A reciclagem está entre os termos do pacto, mas o processo acaba encontrando barreiras na tecnologia e economia empregadas na execução. A “boa vontade” das empresas se mostrou a principal chave para o emprego das medidas.
Fonte: Redação | Foto: Reprodução









