Um resumo do denim para você se sentir dentro do DFB Festival

Para o segmento jeanswear, um dos maiores ganhos de valorizar e fruir eventos que dão visibilidade à moda nacional é a percepção de que neste momento, não existe nada mais “global” do que apostar no que tem apelo local. Além disso, a moda com pegada regionalista é estratégica para validar formatos mais alinhados ao clima, às cores e aos corpos do nosso país.

Todos esses argumentos estiveram reunidos nas passarelas da mais recente edição do Dragão Fashion Brasil Festival. O evento, que aconteceu entre os dias 25 e 28 de maio, nas areias da praia de Iracema, em Fortaleza, mostrou no line-up uma preocupação muito forte em colocar a moda autoral como oportunidade para geração de valor na indústria.

Noivas artesanais com nimbos religiosos emoldurando feições bronzeadas, o look cangaço inspirando silhuetas inovadoras, luto e fantasmas evoluindo para a alegria dos anos 70, e o efeito hipnótico das cores da aurora foram algumas das inspirações exploradas nas passarelas. Através delas, criadores e marcas como Alix, Sherida, Rio de Jas, Almerinda Maria, Bruno Olly, Sand Blue, Lindebergue, David Lee, e Sau Swin e Marina Bitu trouxeram estéticas inspiradoras para dialogar com a linguagem, os materiais, as lavagens e formas do jeanswear.

A religiosidade que tanto está presente na nossa cultura, a generosidade das “Marias”, e o jeito beira mar de se vestir em formato reinventado, a beleza dos bordados e a afetividade do crochê foram elementos colocados com sensibilidade nas passarelas. Maxi coletes de crochê, combos de top substituindo o formato cortininha pelo circular, transparências, franjas, macramê e look total crochê foram algumas das estéticas exploradas pelos estilistas.

O denim teve representatividade especialmente nos desfiles do Manuel Bessa, Energia Upcycle da Enel, Baba e Banana Urbana. E nos demais nomes, trouxe informações de moda que mesmo em materiais distintos do setor jeanswear, representam diálogos com potencial de ponto de partida para criação.

Confira abaixo um resumo das coleções que apresentaram o denim como material protagonista:

Manuel Bessa

A imagem do andarilho que tanto a moda explora ganhou uma versão cearense e repleta de sentidos culturais por meio de Manuel Bessa. O denim foi o material eleito pelo designer, que o interpretou tanto em versões metalizadas quanto em lavagens descarregadas, lembrando a maresia, personalizadas por respingos de tinta no tom do barro e pelo artesanato do ponto capitonê. Macacões com abotoamentos diferenciados, mitenes (meia luvas), chorões, rosas, espiral e bolsas foram alguns acessórios que acompanharam os looks.

Enel

Assinada pelos designers Bruno Olly e Marcelo Belizário, a coleção “Coleção Energia” foi realizada com uniformes descartados pela Enel, descosturados e portanto 100% criada a partir do upcycle.

Na passarela, quarenta jalecos e calças jeans doados pela empresa privada do setor elétrico se transformaram em macacões, vestidos com aplicações manuais, maxi coletes e casacos sobretudos majestosos repletos de detalhes em patchwork e mix de tecidos. Aplicações de materiais com brilho metalizado 100% reaproveitados, como CDs complementam o toque autoral da coleção.

Vitor Cunha

A libélula e sua capacidade de adaptação e evolução foi a inspiração de Vitor Cunha que incluiu o denim em sua coleção em lavagens claras e versões coloridas. Peças com recortes diferenciados, shapes alternando entre modelagens retas, justas e oversized valorizaram os movimentos do corpo. A assimetria nos looks femininos e masculinos reforçou o conceito de fluidez de gênero.

Técnicas manuais como o crochet freeform e o macramé somado a experimentações em pintura na técnica do graffiti, culminaram em peças com visual urbano. Destaque para os calçados feitos a partir de resíduos têxteis da própria coleção em collab com a marca Aurea Inspira.

Banana Urbana

Brasilidades como Carmem Miranda e o biquíni asa delta foram algumas referências percebidas na coleção da Banana Urbana. O denim não lavado foi a base para peças glamourosas, com babados, e mix com tecidos metalizados criando formas assimétricas. Ainda nessa cartela, a Banana Urbana trouxe diversas peças com cós asa delta criando vazados cut out nos quadris, e tiras redesenhando a área do abdômen.

O trabalho de tie dye transformando coloridos alaranjados com manchas azuis foi o ponto alto do expertise em lavanderia. O denim também foi usado como aviamento criando aplicações geométricas com sentido cultural. Por fim, o black denim fez contraste com acessórios verde fluo em versões estampadas a laser com personalidades como Carmem Miranda e imagens de consumo de massa diversas.

Baba

Do regional para o digital. A Coleção “De Outro Mundo” da Babá explorou o denim em formatos two tone, trabalhos vazados cut out com aplicações de patches geométricos com sentido cultural na dose certa para compor um look estilo festival. As calças femininas vieram desmembradas e unificadas por cinta liga denim.

O denim foi mesclado a cores luminosas, tecidos metalizados e com visual emborrachado em alguns  momentos, lembrando o swinwear e roupas de mergulho. A cós do jeans em formato asa delta foi jogado também no mix masculino e toda essa profusão de influências foi mesclada a estampas com pegada retrô tecnológica.

Fonte: Vivian David | Fotos: Divulgação