A segunda edição da Amarê Fashion aconteceu entre os dias 29 de agosto e 2 de setembro no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia (GO) e apresentou uma programação completa de desfiles, palestras, rodadas de negócios, talks, shows, exposições de marcas de slow e fast fashions, entre outras ações.
O evento que visa fortalecer o setor da moda da região, foi realizado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Goiás), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac Goiás) e Governo do Estado de Goiás, por meio do Goiás Social e Secretaria da Retomada.
Com o tema Futuro e Sustentabilidade, o logo criado pelo artista visual Danilo Itty ganhou novo conceito unindo tecnologia à natureza.
Estiveram presentes no evento, Bruno Astuto, jornalista expert em moda com o Talk “O Futuro da Moda Nacional e Mundial”, o estilista Lucas Leão, conhecido pelo uso da tecnologia em seus designs com a palestra “Transformação do Mercado de Moda para a realização de roupas digitais”,Theo Alexandre, estilista goiano que participa da SPFW, além de shows como o de Mumuzinho e Fernanda Abreu.
O jornalista e colunista do jornal O Globo e da Vogue Brasil, Bruno Astuto, participou da abertura do evento e contou um pouco de como foi o início de sua carreira. “Eu comecei a empreender na jornada da moda fazendo jornalismo, cobrindo as semanas de moda e escrevendo nas revistas para qual eu escrevo até hoje. Sempre procuro trazer pensamentos sobre aquilo que vejo e vivencio no meu cotidiano”, relatou. Em relação às mudanças no mundo da moda, Astuto disse que “a grande transformação da moda nasceu com as redes sociais, ela deixou de ser algo de nicho. Antigamente a gente ia para as bancas de jornal para consumir esse tipo de conteúdo, e era muito caro. As redes sociais deram acesso inclusive para pessoas que não tinham contato com a moda”.
O jornalista e consultor apontou que o mundo não é feito de tendências. “Cada pessoa tem sua tendência. Costumo dizer que a tendência é ser feliz. É maravilhoso você poder mudar de ideia, sem ter a necessidade de agradar todo mundo. Cada um tem seu estilo. A moda não é só o desfile. É valorizar a sua cultura, a cultura da sua cidade. É contar e dividir conhecimento”, afirmou.
Além das marcas jeanswear já conhecidas, o estado de Goiás vem ganhando destaque as grifes autorais que estão despontando no mercado nacional, como a Duuo Arte, da estilista Auriele Moraes que trouxe uma coleção-manifesto para a preservação da floresta na Amazônia. O destaque fica por conta das estampas como obras de arte que permeiam saias, vestidos assimétricos e calças com recortes. Já a masculina M.Pollo aposta em um Verão descontraído com opções que vão da praia ao trabalho onde entram bermudas slims em sarja ou no jeans delavê, skinnies com esbranquiçados, black denim e chinos. As marcas Muchacha e Balada trazem tops croppeds, macacões, vestidos justinhos e, pantalonas para as meninas. Os meninos passeiam com bermudas e, calças ajustadas com resinas e bigodes.
O estilista Theo Alexandre assinou a collab de jeanswear do Senac Fashion School numa coleção inspirada no estilista João Queiroz, famoso na moda goiana e ex-aluno do Senac. Além das peças apresentadas no proposito da sustentabilidade, outro ponto de destaque do desfile foi a participação de modelos com deficiência na passarela, com a participação da Lari Mariano consultora do Teleton.
De acordo com o diretor-superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, o evento tem o propósito de estruturar e consolidar o segmento de moda no Estado. “A Amarê nasceu com este princípio: juntar aqueles que fomentam e promovem a moda goiana e apresentá-los para toda sociedade da nossa capital e do Brasil. O que a gente deve enfatizar é que todos que participaram da Amarê 2023, tiveram a oportunidade de ver, de perto, os principais protagonistas, aqueles que realmente promovem, constroem e desenvolvem a moda no Estado”, ressalta.
Para Marcelo Baiocchi, presidente do Sistema Fecomércio Sesc-Senac, a Semana da Moda Goiana é uma oportunidade para mostrar o que Goiás tem de melhor. “A moda é um segmento com um peso enorme para nossa economia e desenvolvimento regional, movimentando milhões (de reais) todos os anos. Fazer parte de uma iniciativa tão importante para a economia do Estado, como a Semana da Moda Goiana, é uma realização, sobretudo porque sabemos que continuamos fazendo aquilo que sabemos fazer de melhor: capacitar, incluir, divulgar e expandir”, diz.
Para o vice-presidente do Sistema Fecomércio Sesc-Senac, Márcio Andrade, a Amarê Fashion soma valor às muitas iniciativas do setor produtivo em prol da economia do estado, que tem uma vocação especialmente destacada no segmento de moda. “A Amarê é mais uma representação de quanto o estado pode ser referência também neste ramo. E não falamos só de economia, mas de vocação artística mesmo, de inclusão, sustentabilidade. É uma honra mostrar para o restante do país que Goiás também tem essa potencialidade. É o que vemos e provamos aqui”, considerou.
A Secretaria de Cultura (Secult) realizou a exposição “Cavalhadas: cultura, natureza e nós”, dos artistas Fatinha Bastos e Vinicius Fagundes Bárbara, que trouxe uma representação das batalhas entre mouros e cristãos com artigos feitos de fibras, palhas de milho, cápsulas de jequitibá e de outras árvores do cerrado. Foram expostos também manequins com as históricas indumentárias dos cavaleiros de alguns municípios que participam do Circuito das Cavalhadas em Goiás.
Esta edição apresentou um programa voltado para causas sociais e sustentabilidade: o ‘Amar é’. Um dos projetos é o apoio à Associação de Mulheres Kalunga de Monte Alegre, por meio do lançamento da marca Tuya Kalunga, criada por mulheres da comunidade quilombola do Tinguizal. Outra ação é o estudo de viabilidade do tratamento dos resíduos sólidos das facções têxteis em Goiânia, como forma de reduzir o impacto ambiental dessa produção de larga escala.
Com uma exposição africana de moda e o programa Cinturão da Moda, que aproxima lojistas e produtores de moda, a Secretaria de Indústria e Comércio também marcou presença na Amarê.
Por meio da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), o público pode conferir uma coleção feita de retalhos de tecidos confeccionada pelos alunos da Oficina de Corte e Costura. Todo o conceito foi desenvolvido pelos adolescentes, desde a idealização e desenho do croqui até a etapa de molde, corte e costura. Entre as peças, há, inclusive, um modelo para gestantes, caso em que a modelo será uma das jovens atendidas pelo Programa Meninas de Luz, que também funciona no Tecendo o Futuro e atende adolescentes grávidas em situação de vulnerabilidade social.
Apoiador desde a primeira edição, o Grupo Mega Moda, formado pelos shoppings de moda atacadistas Mega Moda Shopping, Mega Moda Park e Mini Moda, localizados na Região da 44 em Goiânia estiveram presentes com um stand no evento e, apresentaram suas novidades com uma coleção cápsula de 20 marcas que possuem lojas no complexo localizado no segundo maior polo de moda atacadista do país, como Meia Três, Diva Fashion, Conceito, Adoro Plus, Ayla Thaynara, Moda Amora, Florê, Gesú e Nobreza.
“Promovemos um espetáculo de cores e energia, traduzindo o alto verão brasileiro em moda. Com tonalidades como rosa, laranja, verde-limão e neon, cada marca levou à passarela peças que traduzem o seu DNA, com cortes e tecidos que prometem trazer todo o frescor e caimento da estação mais quente do ano”, destaca a stylist Lorena Cantanhede.
Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Divulgação





















