Guia Jeanswear promove um dia intenso e rico em informações e workshops durante o Denim Meeting Caruaru

O slot gacorGuia Jeanswear, junto ao SEBRAE e NTCPE, promoveram no último dia 17 de outubro, mais uma edição do Denim Meeting, no Armazém da Criatividade, em Caruaru (PE) reunindo os amantes do Denim para workshops de Lavanderia e Upcycling, além das palestras com assuntos como sustentabilidade, gestão estratégica na moda, entre outras. O evento teve como patrocinadores a SeiLaser e a Indústria Química Coratex.

Confira o que rolou de mais interessante e alguns insights sob a percepção de Guilherme Gaspar, diretor e consultor de estilo.

A primeira palestra apresentada por Edson Daguano abordou o Branding e como a indústria do jeans precisa trabalhar a sua marca: “uma marca tem que ter presença, ser inconfundível, lembrada, ter identidade”. Outro assunto importante é que existem dois caminhos dentro do mercado denim: as marcas com jeans que tem o produto dentro do portfólio e as de jeans que tem o artigo como carro-chefe. “É preciso entender qual  sua vocação”. Edson trouxe vários exemplos de marcas nacionais que são de jeans como Forum, Ellus, Zoomp, Carmim, que fizeram muito sucesso e tinham o jeans como protagonistas e, também, internacionais e, o que tem de positivo. E a mensagem final é essa: “A sua marca tem que marcar”.

O Talk “Marcas em ascensão” reuniu empresas da região, porque é importante também exemplificar o que anda fazendo sucesso dentro em outros locais. Estiveram presentes,Vanielli da VIVS, Juliana Silva, da Missing, Rejane Chagas da XLZ, Miguel Santos, consultor de estilo e mediação de Karina Fernandes, consultora de negócios da moda.

XLZ

O nome XLZ foi criado porque Rejane foi para Paris e não conseguia pronunciar Champs Elysse, uma história que a proprietária se diverte em contar. A marca é comandada por um casal empreendedor, o que é muito comum na região, já vinha investindo no digital, mesmo antes da pandemia e vem evoluindo toda essa comunicação sempre direta com as clientes, criando até o bordão “migas” e, trazendo mais proximidade. As clientes se identificaram com essa relação mais próxima de estar comprando com uma pessoa que está ali do lado, uma amiga. Além disso, a marca investiu nos “provadores”, método de vendas que anda fazendo sucesso no Instagram e expandiu para Fortaleza. “Ela entendeu que o seu mercado era direcionado à um produto diferenciado, com valor agregado e, que em Caruaru/Toritama, havia o impasse de um target de preço que queria avançar. Com isso foi para Fortaleza conhecer o mercado da região”, comenta Guilherme Gaspar.

Atualmente, a empresária faz trabalhos com influencers e não para de rever sua comunicação, sendo rápida e promovendo mudanças, quando necessário.

VIVS

Marca jovem que já nasceu com o propósito de comunicar bem, incluindo os processos de sustentabilidade, desenvolvimento, o passo a passo de construção da peça, com estampas, tecidos, provas de roupas, sempre com transparência e mais próxima ao consumidor. Aqui o pilar do digital também é muito importante. “Acho que isso é a virada do Denim Meeting Caruaru – não é porque estamos do outro lado do Brasil que ele não pode ser tecnológico, conectado, porque são marcas que estão vendendo para o país inteiro. É preciso entender quem é a persona que vai construir e essa persona pode estar em qualquer lugar”, comenta Guilherme.

Miguel Santos, consultor de estilo, que também participou do Talk, já trabalhou em várias empresas de Toritama e, agora oferece o serviço de desenvolvimento de produtos, traz boas reflexões sobre o mercado questionando onde estão os profissionais que se formam todos os anos na região. Segundo Miguel, eles poderiam levar um olhar diferenciado ao negócio. Ele ainda pontua que as empresas da região têm o mesmo acesso aos tecidos e tecnologia do Brasil inteiro, mas por que não brilham nacionalmente? Por que não têm as marcas mais interessantes se tem a tecnologia e as boas confecções? “Eles não podem só fazer produto, precisam fazer uma marca. Porque esse mercado de só ser uma confecção pode estar com seus dias contatos, agora é financeiramente estável, mas e o futuro?”,acredita Guilherme.

A palestra sobre “Estratégias de Negócios” aborda o mercado jeanswear americano e o que podemos aprender com ele. Participaram da conversa, Iolanda Wutzl, Co-fundadora do Guia Jeanswear e realizadora do Denim Meeting, Karina Fernandes, consultora de Negócios da Moda e Guilherme Gaspar, diretor de Consultor de Estilo.

Iolanda apresentou uma visão muito interessante do mercado americano após realizar uma imersão de mais de 20 dias nos Estados Unidos com um overview dos maiores players e foi pontuando porque eles chegaram nesse nível de maior consumidor de denim do mundo. E, por que o Brasil não tem essa força? O primeiro ponto é o plus size – ampliando a grade de numeração dentro do mix de produtos, isso porque, o brasileiro está cada vez mais com um manequim maior e o movimento plus size é crescente no país, porém, isso não se reflete nas marcas que normalmente trabalham até o 44. 

Nos EUA, qualquer marca e, não especificamente de plus size, trabalham numerações maiores. Esse é o futuro. Os consumidores não querem comprar somente em marcas específicas e nichadas em tamanhos maiores, querem comprar em qualquer uma que possa seguir seu estilo, seja plus size ou não.

“Quer crescer seu mercado, expandir, você tem que entender que precisa aumentar sua grade, faz parte do negócio. Comece pequeno, invista em grades rasas e vocês vão ter com certeza um retorno porque não vão ser os tamanhos que vão sobrar numa liquidação. A gente tem números que comprovam isso. Então vai aumentando e ele vai sentindo ao longo do processo qual é o melhor caminho”, afirma Guilherme Gaspar.

Outro ponto é a modelagem perfeita e produzida no mínimo em cinco lavagens.

“Trabalhar a mesma modelagem assertiva é estratégico porque você vai conseguir ter uma redução no jeans, na matéria-prima que é o maior valor dentro de um produto, vai deixar a loja com VM mais bonito porque você não vai ter uma salada de fruta, calça com bolsinho, calça com recorte… O foco estratégico de mostrar o seu melhor, o que apostou. Porque se mostrar uma calça cigarrete que lançou em cinco versões, você mostra para o cliente que essa é sua aposta. Agora se você pega cinco cabides e faz cinco propostas diferentes, qual é a que você está acreditando? Então o americano, ele não tem medo, ele acredita”, comenta Guilherme.

Um terceiro ponto é o Visual Merchandising e a comunicação dentro da loja com explicações sobre as modelagens e, isso pode ser apresentado em tags, nas gôndolas, araras….

“O tempo todo o americano trabalha para não ter vendedora. No Brasil é o contrário, jogamos toda informação para os vendedores. Então, o americano pensa que a loja seja quase um auto-atendimento, totalmente explicativo para aquele cliente. Olhe, se entenda, se enxergue e compre. Será que a gente também não tem que investir nos pontos de venda, numa loja que seja praticamente auto-sustentável, se a mão de obra é tão cara aqui? Vamos ter menos vendedores, mas para isso a loja precisa estar editada. Precisamos saber qual é a aposta”,diz o consultor.

Para finalizar, o mercado americano sabe trabalhar muito bem a persona do plus size, da marca.

O Talk de Sustentabilidade reuniu Juliana Medina como mediadora, Júlia Stolfo, idealizadora da Casa DenimJoão Paulo Bortoli – Gerente de Vendas Nacional da Sei Laser,Fernando Siebert – CEO do Grupo SIEBERT Química/CORATEX e Jacqueline da Silva Macêdo – Lavanderia Nossa Senhora do Carmo em uma das pautas mais importantes do Denim Meeting Caruaru onde é necessário pontuar que sustentabilidade não é custo. Todas as empresas têm essa responsabilidade social, com o meio ambiente, colaboradores, mercado, e elas podem comunicar suas ações. Muitas vezes elas já têm práticas super saudáveis e louváveis mas não comunicam. E a lavanderia faz parte desse processo. É importante trabalhar com os fornecedores de material químico, maquinário, como grandes parceiros de pesquisa e inovação.

“São profissionais e empresas que estão atuando no mercado todo, então eles podem trazer informações relevantes. Da mesma forma, o próprio profissional de lavanderia vai pesquisar a estrutura do seu fornecedor, explorar o que ele tem de melhor. É um convite para você sair do seu quadrado e pensar fora do convencional. Se meu principal fornecedor fica em São Paulo, vou pegar uma maleta e conhecer na prática. Você é meu principal fornecedor de produtos químicos, eu quero ver, eu quero conhecer, eu quero entender como é que eu posso comprar melhor. De repente, pode me trazer inovação. O Talk trouxe a visão de três profissionais ali, mas que convergem nesses mesmos pontos”, comenta Guilherme.

A palestra sobre as tendências para 2024 ministrada por Guilherme Gaspar trouxe uma pesquisa sobre desfiles, street style, mercado e cultura, onde todos são importantes.

O consultor traz como foco o jeans artesanal onde pode-se mesclar diferentes técnicas como o laser com bordado, o upcycling e lavanderia mais tecnológica.

“Depois da pandemia, a gente percebe que as pessoas querem se emocionar de novo. Sabemos que esses são produtos que não são os campeões de venda, não vão carregar uma marca mas é a cereja do bolo. Então temos que ter no catálogo ou vai ser um produto que a gente vai trazer um valor agregado muito grande, então é muito importante ter dentro do nosso portfólio”, diz Guilherme que acrescenta que toda tendência tem a sua contra-tendência que é o básico bem feito, para um consumidor que até pode se encantar com a peça diferenciada, mas vai comprar o básico.

“É muito importante ter as duas coisas, para uma puxar a venda da outra. E para o mix de produtos mais básicos a marca deve pensar em todas as pontas da estrela: matéria-prima certa, como na Mamacita, que é uma marca local, que investe em um tecido de altíssima qualidade, a modelagem para um produto que vista bem e, principalmente se estiver vendendo na Internet porque não é possível experimentar, então a marca precisa ser mais rigorosa. E o básico realmente está na moda numa tendência em que as celebridades internacionais já aderiram, como também nas apresentações das grifes e campanhas em um produto minimalista premium, a peça-chave que vai agregar ao nosso guarda-roupa”.

Guilherme abordou também sobre o mercado de luxo, sendo que o Brasil é um dos maiores consumidores deste nicho. Como exemplo, a estilista PatBo que trabalha para encantar o mundo – a estilista mantém lojas no Brasil e se apresenta na Semana de Moda de Nova Iorque e aposta no jeans com bordados e brilhos, referências que surgiram ainda na temporada de Paris. Outro assunto apresentado foi a sustentabilidade onde grifes trabalham com a transparência de informações e processos. As marcas de luxo investem no jeans para rejuvenescer e trazer frescor ao mix de produtos.

Designers autorais foram assunto com foco em modelagens mais complexas e trabalhadas em conjunto com a lavanderia no raw ou somente desengomado, em peças conceituais.

O último painel trouxe o Case de Sucesso da marca Mamacita, da empresária  Luciana Valle.

A proprietária passou por dificuldades no Rio de Janeiro e recomeçou sua história em Caruaru. A Mamacita, apesar de ser uma marca de atacado, foca no consumidor final e não nas multimarcas e, o revendedor compra como se fosse uma pré-venda. “Por isso, conseguem ser a única empresa no Brasil que não tem estoque, produto já sai vendido. O que conhecemos é o formato de multimarca, que tem que fazer uma aposta, e essa aposta sobra. Se faz estimativa da venda, e ela não se conclui, precisa queimar em bazar”, comenta Guilherme.

Mesmo focando em um segmento popular, a pesquisa de matéria-prima é muito forte. A marca trabalha com as bases de tecido com muita tecnologia, é incansável em trazer tecido bom, mesmo que faça um produto C, mais popular e, consegue ter um produto de alto valor agregado e competitivo.

Luciana já fez, por exemplo, 100 vezes uma peça para chegar no formato ideal para vestir vários corpos.

É uma marca que vem crescendo e sabe exatamente quem é seu consumidor.  Agora querem expandir para outros países, como a Colômbia, porém, mantendo o DNA deles que é muito bom e bem construído.

Agradecemos aos nossos parceiros pelo apoio dado ao evento para que o tornasse ainda melhor: ACIT, Armazém da Criatividade – Local inovador e acolhedor, que tem uma equipe super atenciosa, propício para abrigar o Denim Meeting, ao Tales Cavalcanti que abriu as portas da Lavanderia Nazaré para realização do Workshop de sustentabilidade, a Mamacita Jeans que fez nossas lindas bolsas, ao Hotel Maysa que sempre dá um desconto bem especial aos nossos convidados, Santista Jeanswear que proporcionou ao público um delicioso café da tarde, e as nossas amigas amigas Silvia Boriello que com a Revista Costura Perfeita, e a Yuko que com a revista World Fashion, nos ajudaram a divulgar o evento. Que Deus abençoe a todos.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Equipe Guia JeansWear