A primeira edição do Festival Colabora Moda Sustentável, aconteceu nos dias 16 e 17 de julho, no Espaço Unimed, em São Paulo e, reuniu grandes marcas do varejo de moda do país, como C&A, Riachuelo, Farm, Pernambucanas, além de novos talentos e a moda autoral exposta no espaço para a venda de produtos com marcas como Trama Afetiva, que produz peças a partir de guarda-chuvas usados, Manui com peças que ganham tingimento natural com plantas como o índigo, casca da romã, chimarrão e, a ONG Violeta Eliz, localizada no Extremo da Zona Sul, que mantém um brechó com roupas doadas, para ajudar no projeto que visa ajudar mulheres que estão ou saíram do ciclo de violência. Na instituição, elas podem ter acompanhamento psicológico, curso de empreendedorismo, entre outras ações.
Talks e workshops levaram diferentes visões, vivências e debates sobre os caminhos para uma moda mais consciente, inclusiva e regenerativa. Aconteceram ainda desfiles e shows como artistas como Karol Conká e Clarissa Muller. “A ideia do evento surgiu da necessidade de dialogar mais sobre a questão da moda consciente e tornar esse conhecimento mais acessível. O Festival trouxe um espaço para que essas informações pudessem ser discutidas em um âmbito maior dentro desse ecossistema”, diz Cyntia Kasai, Gerente Sênior de comunicação e ASG da C&A.
E continua: “O diferencial desse Festival foi levar grandes marcas e players do setor para essa discussão. Quando olhamos para a cadeia, sabemos que o varejista é aquele que tem o maior impacto de provocar a mudança no setor, então, essa, foi uma grande oportunidade para discutir os desafios e promover discussões para que possamos avançar. Muita coisa já foi feita, a jornada é longa, mas sabemos que o caminho para que isso aconteça é a colaboração e o Festival demonstra muito isso. Quando colocamos todos para discutir, saímos do âmbito da concorrência, é a questão do trabalho colaborativo, de como enfrentamos e superamos os desafios do setor da moda, olhando para essa questão do impacto positivo”.
O Instituto C&A promoveu uma masterclass sobre como comunicar a sustentabilidade, diversidade e ESG com a consultora Daniela Damiati e Michele Izawa para a construção de narrativas responsáveis. As profissionais falaram que esse ano, com a COP30 na Amazônia, o mundo volta os olhos para o Brasil e todas as questões sustentáveis. E a comunicação é muito importante para divulgar tudo o que envolve o ESG e como as empresas podem trabalhar esses temas de forma integrada. Para Daniela, é preciso mostrar para as pessoas o que impacta na vida de cada uma, no dia a dia, só assim, para entenderem. “Se a população não consegue enxergar na vida real, não muda o comportamento”, afirma Damiati. As marcas também têm seu papel. Muitos problemas têm solução, mas há a necessidade de se colocar em prática.
“Trabalhar diversidade é trabalhar questões climáticas porque os grupos que são mais vulneráveis aos efeitos climáticos, são os grupos sub representados, que estão mais sujeitos à enchentes, deslizamentos, falta de energia, abastecimento de água…”, comenta Izawa.
O Painel: “Colaboração para um futuro da moda mais responsável” reuniu representantes da C&A, Farm, Pernambucanas e Riachuelo. Para Raphael Frigerio, gerente de sustentabilidade e compliance da Riachuelo, as empresas não fazem nada sozinhas e precisam estar cada vez mais unidas em prol de uma sociedade melhor. “Nosso papel no varejo é dar visão para a sociedade de como construir uma moda cada vez mais inclusiva. Estamos buscando as mesmas soluções e desafios”, afirma Frigerio.
Já Livia Lopes, head de sustentabilidade, impacto positivo e integridade da Pernambucanas, disse que a empresa tem mais de 12 mil colaboradores e que é realizado um senso, para conhecer sobre eles. A varejista também preza pela transparência. Cyntia diz que a C&A se coloca desafios, metas e compromissos para mudar a cadeia. “Nosso maior desafio é permitir que o cliente entre em qualquer loja e possa escolher um produto de sustentabilidade”, diz.
Raphael contou sobre os investimentos em tecnologia para conseguir um preço acessível para matéria-prima menos impactante. “Ser sustentável não é caro, mas dá trabalho, precisa de disciplina e nos reinventarmos. E, nós como marca, temos essa função de conscientização, oferecemos uma opção para o consumidor escolher”, afirma Frigerio.
“Esse Festival traz a oportunidade de cada um se responsabilizar, de uma forma, pelo seu papel na transformação da moda que a gente quer na próxima década. Como podemos impactar positivamente, mesmo com todos os desafios que temos, de fechar custos, de concorrência, de sempre estar a frente do lançamento de uma tendência – isso pode atrapalhar o processo produtivo. Como vamos olhar para transformar tudo isso em algo mais eficiente, com muito respeito com os colaboradores dessa cadeia. A moda é feita de pessoas, são elas que estão todo dia, costurando, cortando uma peça, para você conseguir entrar na loja e ter uma experiência bacana”, ressalta Frigerio.
“Sustentabilidade tem que ser de todo mundo. 35% das metas das ODS estão avançando a passos moderados, metade a passo lento e 18% retrocederam, ou seja, ou a gente avança junto, ou ninguém avança. Para falar de sustentabilidade, precisamos falar de colaboração, de parceria, andar juntos com um objetivo final. E O Grupo Soma olha com muito respeito para as pessoas, temos uma auditoria externa que fiscaliza os fornecedores para garantir um trabalho justo, lançamos uma agenda ESG para que conseguíssemos levar o conceito da sustentabilidade para nossos fornecedores e vamos começar uma jornada de descarbonização em São Paulo, em parceria como Senac”, comenta Isabel Beaklini, gerente de sustentabilidade do Grupo Soma, que ainda disse que 100% das aparas do corte do grupo vão para a Eurofios seguindo na circularidade da matéria-prima e as pontas do corte são doadas para artesãs.
A C&A estava presente com uma ativação muito interessante: O Movimento Reciclo Coleta, onde as pessoas puderam doar no evento e, também, em mais de 300 lojas pelo Brasil, peças de roupas usadas, principalmente jeans. A ideia é seguir e incentivar a moda circular. O magazine também apresentou seu denim criado à partir de algodão sustentável e rastreável por Blockchain. Os convidados participaram de sorteios e ganharam brindes como bandanas ou bonés. A Farm Rio colocou, logo na entrada, uma instalação com mudas de temperos que podiam ser levadas para casa, valorizando a sustentabilidade no plantio dos alimentos.
O Festival Colabora Moda Sustentável é uma realização da plataforma multissetorial Colabora Moda Sustentável, criada em 2017, e marca sua nova fase com apoio do ProAC – Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo. A iniciativa nasce da urgência de transformar a moda brasileira, um setor que emprega mais de 1,4 milhão de pessoas no país e é responsável por cerca de 4% do PIB industrial, mas que ainda enfrenta desafios como o descarte têxtil em larga escala e a baixa representatividade de grupos periféricos na cadeia de valor.
Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Equipe Guia Jeanswear























