Morreu nesta quinta-feira (4), aos 91 anos, o estilista italiano Giorgio Armani, uma das figuras mais influentes da moda mundial. Conhecido como Re Giorgio — Rei Giorgio —, o criador da marca homônima era sinônimo de elegância e sobriedade. O anúncio foi feito pela própria empresa, que descreveu seu fundador como “força incansável” por trás de um império que movimentava bilhões de euros todos os anos. Segundo o comunicado, uma câmara funerária será aberta ao público em Milão no fim de semana, seguida de um funeral privado.
Natural de Piacenza, no norte da Itália, Armani iniciou sua trajetória tardiamente para os padrões da indústria, fundando sua grife em 1975, aos 41 anos. Antes disso, havia estudado Medicina, servido ao Exército e trabalhado como comprador na loja La Rinascente. Sua entrada definitiva no design ocorreu ao desenhar a linha masculina de Nino Cerruti, experiência que o impulsionou a criar seu próprio estilo: minimalista, atemporal e voltado ao conforto. Foi com a desconstrução do terno que o estilista alcançou notoriedade, introduzindo cortes mais leves e próximos ao corpo, que se tornaram símbolo da elegância dos anos 1980.
O cinema foi decisivo em sua consagração. O filme Gigolô Americano (1980), em que Richard Gere veste seus ternos, transformou-se em vitrine global para a estética Armani, marcada pela alfaiataria moderna e discreta. A partir daí, o estilista colaborou com mais de 250 produções, incluindo Os Intocáveis e Beleza Roubada, além de se tornar presença obrigatória no tapete vermelho de Hollywood. Sua capacidade de unir moda e narrativa cinematográfica fez dele um dos criadores preferidos da indústria cultural.
Se a alfaiataria foi o cartão de visitas, os jeans representaram um dos capítulos mais ousados da trajetória de Armani. Lançados no início dos anos 1980 dentro da linha Emporio Armani, eles carregavam o mesmo DNA do estilista: sofisticação aliada à simplicidade. Diferentes das calças tradicionais, suas propostas exploravam lavagens inovadoras, modelagens mais ajustadas e uma comunicação jovem e sensual, que ajudaram a reposicionar o jeans como peça de desejo no guarda-roupa urbano.
As campanhas de jeans e underwear da grife também se tornaram parte da cultura pop. Estrelas do esporte e do entretenimento, como David Beckham e Rafael Nadal, emprestaram suas imagens para reforçar a ideia de um casual chique com apelo global. Armani conseguiu transformar o denim, um tecido associado à rebeldia e à informalidade, em um ícone de sofisticação acessível, sem perder a essência democrática que sempre caracterizou a peça.
Reservado e avesso a escândalos, Giorgio Armani construiu sua reputação com disciplina, perfeccionismo e independência. Supervisionava pessoalmente cada detalhe de suas coleções, da publicidade ao penteado das modelos. Sua morte encerra um ciclo de cinco décadas em que revolucionou a moda masculina e feminina, expandiu sua marca para diversos segmentos e consolidou um estilo universal. Minimalista e pragmático, mas sempre guiado pela emoção, Armani deixa um legado que atravessa gerações e que continuará vivo em cada terno, vestido e par de jeans que leva sua assinatura.
Fonte: Ana Gimonski | Foto: Divulgação









