Denim Expertise reúne especialistas com muito conteúdo e imersão com soluções práticas e estratégicas no jeanswear

O Denim visto por diferentes direções dentro da cadeia de moda do jeans. Esse foi o mote do Denim Expertise, idealizado pelas CEOs do Guia Jeanswear, Marlene Fernandes e Iolanda Wultz e que aconteceu entre os dias  e 10 de abril, na Denim City SP.
A edição trouxe maior compartilhamento estratégico e prático, reforçando a proposta de oferecer uma imersão voltada ao desenvolvimento de marcas, coleções e negócios no universo do jeanswear.

Assuntos como criação, produção, planejamento de coleções, beneficiamentos, modelagens e tecnologia 3D, foram abordados por profissionais do segmento. A proposta foi tirar o conteúdo do campo da inspiração e transformar em ferramenta real para produto, coleção, posicionamento e negócio.

Participaram do evento, magazines como a Riachuelo, Grupo Estrela, Privates Labels, lavanderias, marcas, estilistas, professores da área e tecelagens como a Santista, englobando todos os setores com uma profunda troca de informação.

Eduardo Cristian, embaixador das confecções, abriu o Denim Expertise com a palestra: “Criação e Produção: o que a indústria ganha quando esses dois setores se unem”

No mundo da confecção, a grande maioria das empresas são especialistas na produção e não na venda.

“A gente só olha o comercial quando a venda cai, mas precisa olhar o comercial da mesma maneira que olha produção, o tempo inteiro”, diz Eduardo.

Segundo o profissional, é preciso criar um mapa de planejamento. “Tem empresa que não sabe o que vai cortar no mês que vem”, afirma Eduardo.

E dá uma dica: “Para quem está começando, a primeira coisa que tem que entender é: o que você vai fazer, para quem e onde você vai vender?

Ele recomenda ainda trabalhar com um mix de produtos com foco na assertividade aumento a produtividade.

E qual o segredo da confecção que dá certo? “

Alinhar produto certo na quantidade certa, na hora certa, com preço certo, no lugar certo e para o público certo. Fazer o básico bem feito, como a Zara vem trabalhando, há tanto tempo: ela não inventa moda, mas pega o que vende e melhora. Isso não quer dizer, que não pode usar a criatividade, para inventar novos produtos, tem que ter criatividade com assertividade” comenta Eduardo.

Tudo começa no produto, que tem q ser bom, depois entra a produção, CRM (carteira de cliente, monitoramento e análise de dados), o marketing e, por último as vendas. “As pessoas querem inverter a ordem das coisas, elas acham que qualquer produto que tenha um marketing bom e um bom time de venda vai vender, esquece, foi o tempo que funcionava assim. Agora é entender o produto, público, preço, local de venda, quantidade…”, diz Eduardo.

Há ainda a variação de vendas durante o ano, onde o mercado é flutuante e, a confecção tem que trabalhar com sazonalidade: se preparar na baixa e estar abastecido na alta.

Segundo Eduardo, para ter 100% de resultados nas vendas deve-se trabalhar:

PDV – preparação das vendas, exemplos: organização de carteira de cliente, política comercial, organização de loja, métricas de acompanhamento, organização de estoque.

AGV – Ações geradoras de vendas, exemplos: mensagens de whats, atendimento presencial, vídeo chamada, prospecção ativa, marketing de conteúdo, parcerias estratégicas.

RPSC – relacionamento, parceria, sucesso do cliente, exemplos: dica de look, ligação no aniversário, cash back, cartão fidelidade, dicas para vender mais, uniforme para loja do cliente, brinde para os vendedores dele.

E por fim, quem trabalha com confecção, tem que amar problemas, pois são vários desafios por dia. “Isso é o nosso dia a dia, é o que sabemos fazer de melhor, porque quando fala que ter problema é uma coisa ruim dentro da confecção, quem é que vai querer assumir isso? Se você cria uma cultura de que ter problemas faz parte e enxergar como oportunidades, aí começa a mudar a visão das pessoas e isso tem que partir de você”,afirma Eduardo.

“Planejamento Estratégico de Coleções” foi o assunto abordado por Fabiana Ramos, palestrante e consultora de negócios de moda que falou sobre a Arquitetura das coleções e Lançamentos que vendem de verdade e com lucro. Segundo Fabiana, acabou a época do “achismo”, esse modelo antigo dentro das confecções está falindo com marcas que não tem posicionamento e persona, com venda de produtos que não constroem desejo, narrativa e pertencimento, baixa percepção de valor, insegurança no que apostar, crescimento sem clareza que só amplifica o que está desalinhado, entre outros erros. Segundo o Sebrae, 3 a cada dez marcas de moda fecham em 5 anos.

E como operam as marcas de moda que crescem e lideram?

Com inteligência de mercado, análise de vendas em tempo real, a logística ágil, feedback dos pontos de vendas, tráfego e tendências reais para decidir com segurança e prever demandas, pré-venda, pesquisa de tendências e comportamento, redes sociais, desfiles e streetstyle.

Para Fabiana, mais importante que a formação, é o chão de fábrica e é quando estamos com dificuldades é que surgem novos caminhos. O profissional de estilo precisa entender a cabeça dos empresários, e vice-versa.

Com o mercado cada vez mais competitivo, é necessário focar em um tipo de negócio: ou você vende volume e preço ou diferenciação. A marca precisa ter DNA, posicionamento e identidade e crescer corrigindo problemas. Além disso, é preciso ter sensibilidade para acertar entre mercado, tendências e mix de produtos.

A profissional falou também sobre os novos canais de comunicação que são importantes como o novo espaço no Mega Polo, no Brás que adotou o Live Commerce dentro do shopping, para acelerar as vendas e atrair mais público. O atacado para ser viável precisa de volume porque a margem é muito pequena.

“O tamanho do seu negócio está ligado ao tamanho da sua mentalidade.Toda grande mudança começa com um desconforto interno que não conseguimos mais ignorar”, afirma Fabiana.

Taís Isotton, Denim Specialist e mentora de negócios jeanswear apresentou o “Laboratório criativo na prática”. Mais conhecida como Taís do Jeans, a especialista falou sobre a importância de ser conhecer os tecidos para depois investir no beneficiamento com seus efeitos em lavanderia, diferentes possibilidades de tingimentos e a partir daí criar um mix de produtos mais assertivo. “A escolha dos tecidos é muito importante e a lavanderia muda tudo”, disse.

E o que é preciso analisar antes do beneficiamento? Para fazer um produto mais autêntico em lavanderia é necessário pensar em locais estratégicos. Pontos de luz, por exemplo, podem estragar a silhueta conforme o local que for trabalhado. Dá pra fazer milagres ou horrores com o used, a lavanderia pode melhorar e valorizar a silhueta do consumidor.

Taís frisa que é importante realizar em lavanderia processos naturais de uso. “Se o used tiver errado pode derrubar o bumbum”, afirma.

Ela também abordou sobre o calendário comercial e datas comemorativas e a importância de se preparar para ações exclusivas e lançamentos.

Daniela Marx, Palestrante e Mentora de negócios da moda comandou a palestra, “Branding: Produto e Moda” e falou sobre o que move o crescimento de uma marca hoje, como: tamanho de mercado, boas margens de lucro, distribuição ((múltiplos pontos de vendas) e redes sociais. E como diferenciar a sua marca? Seguindo o branding (traz o significado da marca), produto (materialização desse significado) e marketing (amplificação).

“Branding não é o que você fala sobre o produto. É o que o produto passa a significar na vida de alguém”, comenta Daniela Marx. E continua: “O erro das marcas é tentar aumentar preço antes de construir significado. Porque ninguém paga mai caro por produto. As pessoas pagam mais caro pelo que representa”.

A especialista citou ainda outros pontos importantes como o conceito de loja, identidade visual, experiências no varejo, investir em peças diferenciadas, canais de vendas que se conectam com seu cliente.

Não é só sobre produto, é como unir tudo em só significado que faça sentido para o seu público-alvo.

“Beneficiamento: onde o jeans pode se transformar em um objeto de desejo e tendências da geração Z” foram apresentados por Marco Britto e Zaira Britto, do Grupo GB. Marco comparou lavagens e abordou quais agregam maior valor ao produto e enfatizou que dentro do mix de vendas precisa ter variados beneficiamentos. É na lavanderia que o jeans ganha personalidade, sensação e desejo. Se não tiver um bom beneficiamento, não vai saber posicionar a marca.

O segundo dia do Denim Expertise iniciou com a mentoria coletiva sobre “Estratégia, Produto, Branding e Modelagem com Mão na Massa” e, reuniu Fabiana Ramos, Daniela Marx e Taís Isotton numa imersão estratégica de perguntas e respostas, analisando desafios reais trazidos pelos participantes e propondo soluções práticas para produto, posicionamento, beneficiamento, branding e estratégia comercial.

Soluções para o caimento perfeito da calça jeans foi conduzido por Robertto Dias, consultor e mestre em modelagem há mais de 30 anos. Robertto é inventor de uma técnica revolucionária de modelagem jeanswear que veste bem o corpo da mulher brasileira e é especialista em solucionar defeitos de modelagem que para muitos profissionais passam despercebidos. Ele abordou as soluções para o desenvolvimento de um cavalo perfeito da calça jeans. Os participantes trouxeram dúvidas reais de modelagem, que passam no dia a dia da confecção.

A Imersão: “Moda e Modelagem 3D & IA – O futuro da criação digital” foi apresentada por Fabiana Ramos, especialista em gestão de coleções e modelagens 3D que provou que é possível unir tecnologia e criatividade para desenvolver coleções completas com máxima eficiência – da construção do avatar com medidas reais da marca à simulação fiel de tecidos, caimento, texturas e movimento em alta definição.

Atualmente, a simulação de tecidos em sofwares 3D é fotorrealista e baseada em física (gramatura, elasticidade, densidade, fricção, textura).

Por: Vanessa de Castro