O Instituto Denim Brasil, sob o comando de Orivan Baptista, se reuniu com entidades como o Senai, a empresa de tecnologia Audaces, além de especialistas do denim, como a CEO Marlene Fernandes – Co-fundadora do Guia Jeanswear, para discutir a sustentabilidade dentro da cadeia do jeanswear e começar um plano de ação para viabilizar projetos para reciclar sobras de retalhos que irá contar com o apoio do governo do Espírito Santo, Estado em que Orivan atua há bastante tempo, dentro do segmento como designer de lavanderia e representante de empresas de tecidos e aviamentos.
“Temos uma grande novidade: foi publicado no Diário Oficial do Estado do Espírito Santo e sancionado pelo governador Ricardo Ferraço – o Instituto Denim Brasil conquistou o título de utilidade pública, então com isso, seremos uma agência, um escritório oficial de desenvolvimento, criação e tecnologia, principalmente ligada à sustentabilidade para a Indústria Têxtil“, ressalta Orivan.

Orivan Baptista (Presidente ID) ,Bruna Neitzel (Gerente – Senai) , Naila Linker e José Cláudio Valbuza – (iFES)
Todos os presentes colaboraram com ideias e propostas, como Marlene, que abordou a experiência de Rio do Sul, em Santa Catarina, onde produzem tijolos a partir de resíduos da Lavanderia Cristal, juntamente com o Senai.
A moda capixaba é muito desenvolvida no denim e já avançou bastante, chegando em vitrines internacionais. Para o consultor, Américo Guelere – CEO da FIB – Fashion Innovation Bureau, o Espírito Santo tem capacidade de avançar na construção de um centro que possa atender os empresários de diferentes setores, tanto na questão de treinamento, quanto capacitação, designer circular, trabalhar o resíduo e, pensar em soluções, seja de alto valor ou menor valor agregado, todas são válidas.
“Uma característica que tem muito forte no Espírito Santo é a governança, mobilizando o poder público, instituição de ensino, empresários, a prefeitura, esses atores são fundamentais”, afirma Américo.
Um dos principais propósitos do Instituto Denim Brasil é dar destino para os resíduos têxteis através de projetos como o que foi realizado em Blumenau, o Cobogó Denim, que transformou as sobras de tecidos em elementos para construção civil. E, agora é a vez de trabalhar a rica região do Espírito Santo.
“O Espírito Santo vai ser o grande visionário em criar grandes empreendedores, desde o início, com a sua visão regional de desenvolver potencialidades.
A região, com a quantidade de empresas e material gerado, tem condição de criar infraestrutura local, não faz sentido mandar resíduos para o Sudeste, Sul para desfibrar, fazer novos fios e depois novos tecidos. A questão da descentralização é que eu acredito muito”, comenta Américo, que ainda ressaltou que o universo de confecções ainda é muito pulverizado, de pequenas e micro empresas e, muitas não tem essas ferramentas, por isso, a importância desse núcleo reunindo o Instituto Senai, Audaces, entre as diversas consultorias.
Segundo os representantes do Senai, a instituição tem a competência para fazer a formação dessa mão de obra, por exemplo, para trabalhar com esse novo bloco reciclado.
Já Gizele da Audaces diz que uma das macrotendências para a indústria é investir na tecnologia com o propósito de otimizar custos, tempo e assertividade de produtos, o que gera também, menos resíduo.
“Nosso objetivo é criar essa estratégia com a Audaces, para fornecer o que precisamos. Somos mais de 400 empresas da indústria têxtil no ES, com uma moda jeanswear que vai para fora e um empresariado preocupado com a sustentabilidade”, diz Orivan.
Américo contribuiu ainda contando sobre o primeiro projeto de transição para a economia circular, que desenvolveu junto a Renner em 2017, reduzindo resíduos gerados no corte. Já em 2023/24 conseguiram trabalhar com quatro fornecedores responsáveis por 80% do jeans da Renner.
“Temos uma oportunidade muito grande de seguir com melhores práticas para reduzir bastante e isso é o maior motivador para o empresário, porque quando ele sabe o quanto está jogando fora, se anima a melhorar”, diz Américo.
O especialista comentou ainda sobre a lei de incentivo a reciclagem, que existe desde o ano passado e é um instrumento que pode abrir caminhos para o financiamento dessa infraestrutura coletiva.
“O núcleo regional de economia circular e reciclagem têxtil deve pensar em soluções regenerativas, porque, existem várias aplicações, redução é o ponto de partida. É um conjunto de melhores práticas que podem ajudar os empresários a reduzir a quantidade e é uma conta que sentem rápido no bolso e isso pode abrir caminho para os projetos colaborativos porque com a lei de incentivo a reciclagem, a empresa troca investimento em reciclagem por abatimento de imposto de renda, mas para isso, precisa ter um bom projeto e governança e, todos esses elementos estão reunidos nessa região”, afirma Américo que ainda sugere a criação de um núcleo de PDI – Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, uma central que seja operada por uma cooperativa que gere emprego e renda pra eles e também traga a tecnologia.
Américo ressalta que esse tipo de reciclagem já é uma realidade lá fora e, temos como exemplo, os jeans da H&M que têm 20% de fibras recicladas.
“O denim por natureza, sua estrutura de tecido, consegue avançar de forma mais rápida. Não é pretensão pensar em ter um processo de desfibragem integrado a uma fiação, para que, pelo menos, a gente consiga fazer o fio regionalmente”, comenta Américo.
O encontro foi muito proveitoso com sugestões de vários especialistas e alguns órgãos já levantaram editais que serão abertos para a parte da sustentabilidade e o Instituto entrará para viabilizar o processo sustentável para dar uma nova vida aos resíduos do jeans.
Essa iniciativa começa no Espírito Santo, onde nasceu o Instituto do Denim e, pretende percorrer todo o país, através de ações locais.
Fonte: Vanessa de Castro Fotos: Divulgação









