O comércio eletrônico brasileiro segue em trajetória de forte expansão e deve consolidar o país entre os mercados mais promissores do mundo nos próximos anos. Projeções apresentadas pela EMARKETER, durante o terceiro dia do Fórum E-Commerce Brasil 2026, apontam que o Brasil será o sétimo mercado de e-commerce com crescimento mais acelerado em 2026, impulsionado pela digitalização do consumo, pela evolução da jornada de compra e pela crescente adoção de tecnologias como inteligência artificial.

Para a indústria da moda – especialmente para a cadeia têxtil e do jeans –, o cenário representa muito mais do que o aumento das vendas online. Trata-se de uma transformação estrutural na forma como marcas, confecções, varejistas e marketplaces se relacionam com o consumidor.
Durante a apresentação, Matteo Ceurvels, analista principal para América Latina e Espanha da EMARKETER, destacou que o Brasil já responde por mais de 40% de todas as vendas online da América Latina e deverá praticamente dobrar o volume financeiro movimentado pelo comércio eletrônico entre 2024 e 2030.
“O mercado varejista brasileiro continua sua rápida digitalização”, resumiu o especialista.
Segundo Ceurvels, esse crescimento não ocorre apenas pela entrada de novos consumidores no ambiente digital, mas também pelo aumento do ticket médio anual, demonstrando que os brasileiros estão cada vez mais confiantes e habituados a realizar compras pela internet.
Moda precisa acompanhar a nova jornada de compra
Um dos pontos mais relevantes apresentados pela EMARKETER é a mudança no comportamento do consumidor. A tradicional jornada de compra, composta por diversas etapas de pesquisa, comparação e decisão, está sendo encurtada.
Hoje, a expectativa do consumidor é descobrir um produto e concluir a compra em poucos cliques.
Para as marcas de moda, isso significa investir em conteúdos que despertem desejo imediatamente, descrições mais completas, imagens de alta qualidade, vídeos demonstrativos, avaliações de consumidores e processos de checkout cada vez mais simples.
Na prática, quem conseguir reduzir o tempo entre a inspiração e a conversão tende a ganhar vantagem competitiva.
Marketplaces seguem dominando o e-commerce brasileiro
A pesquisa confirma que os marketplaces permanecem como o principal canal de compras online dos brasileiros.
Embora Amazon, Mercado Livre e Shopee liderem em audiência, o Mercado Livre concentra aproximadamente 37% do market share nacional, mantendo a liderança em volume de vendas.
Para a indústria da moda, isso reforça a importância de estratégias omnichannel. Estar presente apenas em um canal já não é suficiente.
O consumidor brasileiro pesquisa preços, compara condições de entrega, verifica avaliações e navega entre diferentes plataformas antes de finalizar uma compra. Isso exige integração entre estoque, logística, comunicação e políticas comerciais.
Conteúdo passa a influenciar diretamente as vendas
Outro movimento destacado pela EMARKETER é o crescimento da influência do conteúdo digital sobre as decisões de compra.
Vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos produzidos para redes sociais estão deixando de ser apenas ferramentas de comunicação para se tornarem verdadeiros canais de descoberta de produtos.
Para marcas de jeanswear, isso significa produzir conteúdos capazes de mostrar caimento, modelagem, detalhes de acabamento, combinações de looks e diferenciais técnicos dos produtos.
Em um ambiente altamente competitivo, quem conta melhor sua história vende mais.
Inteligência artificial acelera a transformação do varejo
Entre as tendências que deverão concentrar investimentos nos próximos anos, a inteligência artificial aparece como protagonista.
Segundo a pesquisa, quase metade dos internautas brasileiros já utiliza ferramentas de IA diariamente, e o Brasil deverá ultrapassar a China em número de usuários mensais de inteligência artificial generativa.
No varejo de moda, a IA tende a ganhar espaço em diversas etapas da jornada do consumidor, como recomendações personalizadas de produtos, atendimento automatizado, criação de campanhas, busca inteligente e análise preditiva de comportamento de compra.
Para Matteo Ceurvels, apesar do avanço acelerado da tecnologia, a supervisão humana continuará sendo fundamental para garantir qualidade e assertividade nas decisões.
Social commerce ganha espaço entre as marcas
Outro destaque da apresentação foi o crescimento do social commerce.
O avanço do TikTok Shop demonstra como as redes sociais estão deixando de ser apenas ambientes de relacionamento para se consolidarem também como canais efetivos de vendas.
Embora ainda representem uma participação menor quando comparadas aos grandes marketplaces, plataformas sociais apresentam elevado potencial de crescimento, principalmente para categorias fortemente influenciadas por imagem, tendências e estilo de vida — características que colocam a moda entre os segmentos mais favorecidos.
Retail media amplia novas possibilidades para as marcas
A EMARKETER também aponta o retail media como um dos pilares da próxima fase do comércio eletrônico.
Ao permitir que marcas anunciem diretamente dentro dos marketplaces e plataformas de varejo, esse modelo amplia a visibilidade dos produtos exatamente no momento em que o consumidor está pronto para comprar.
Para empresas da cadeia têxtil e do jeans, isso representa uma oportunidade estratégica para fortalecer lançamentos, destacar coleções e aumentar a conversão utilizando dados de comportamento e segmentação cada vez mais precisos.
O que isso significa para a indústria da moda?
Os dados apresentados durante o Fórum E-Commerce Brasil 2026 deixam claro que o crescimento do comércio eletrônico não depende apenas da expansão dos canais digitais, mas da capacidade das empresas de compreenderem o novo comportamento do consumidor.
Para a cadeia da moda, especialmente o segmento de jeanswear, o desafio passa por integrar tecnologia, conteúdo, inteligência artificial, marketplaces e redes sociais em uma estratégia única de relacionamento e vendas.
Mais do que vender online, será necessário oferecer experiências digitais completas, personalizadas e cada vez mais rápidas. Nesse cenário, marcas que investirem em inovação, dados e presença multicanal estarão mais preparadas para aproveitar o novo ciclo de crescimento do e-commerce brasileiro.
Apresentação de Matteo Ceurvels, analista principal para América Latina e Espanha da EMARKETER, durante o Fórum E-Commerce Brasil 2026.
Fonte: Anny Garcia | Fotos Divulgação









