O futuro da confecção já chegou: Silmaq apresenta robótica e IA na FEBRATEX

Empresa, que se aproxima dos 40 anos de mercado, apresentou tecnologias da chinesa Jack, sua parceira no Brasil, com soluções da Aitu, braço de tecnologia e inteligência artificial do grupo

A transformação da indústria de confecção passa cada vez mais pela integração entre máquinas, automação, inteligência artificial e gestão de dados. Na 19ª edição da FEBRATEX, realizada em Blumenau (SC), a Silmaq apresentou um conjunto de tecnologias que aponta justamente nessa direção, com soluções voltadas à otimização da produção, controle de qualidade e aumento de produtividade.

Estande da Silmaq – FEBRATEX 2026

Próxima de completar 40 anos de mercado, a Silmaq levou à feira equipamentos e sistemas desenvolvidos em parceria com a Jack, empresa chinesa especializada em máquinas e soluções para a indústria de confecção e parceira da Silmaq no Brasil.

Dentro desse ecossistema, a Aitu atua como o braço de tecnologia e inteligência artificial da Jack, desenvolvendo soluções que incorporam IA, robótica e automação aos processos produtivos. É dessa frente tecnológica que vem, entre outras novidades, o robô experimental apresentado pela Silmaq na FEBRATEX.

O equipamento, focado em operações de costura e automação, foi apresentado pela empresa como uma novidade inédita em sua categoria e em sua primeira apresentação na América Latina. Ainda em fase de protótipo, o robô representa uma visão de futuro para a indústria, com a perspectiva de evoluir em velocidade, autonomia e capacidade de executar tarefas de forma cada vez mais independente.

A parceria entre Jack, Aitu e Silmaq reúne, portanto, três frentes complementares: a Jack com o desenvolvimento de máquinas e soluções para a indústria; a Aitu com a tecnologia, inteligência artificial e robótica; e a Silmaq com a representação e oferta dessas soluções ao mercado brasileiro.

Robótica e inteligência artificial chegam à costura

O robô desenvolvido pela Aitu marca uma nova frente de aplicação da inteligência artificial na indústria de confecção. Ainda em fase de protótipo, o equipamento pode atuar tanto em operações de costura quanto em processos de automação.

Segundo a Silmaq, neste primeiro momento o robô é apresentado como uma demonstração do que deverá ganhar escala e velocidade nos próximos anos. A expectativa é que a evolução da tecnologia permita que ele desempenhe funções de maneira cada vez mais autônoma, aproximando sua atuação da realizada atualmente pelos operadores.

Sistema automatiza o caminho da peça dentro da fábrica

Entre as soluções que mais chamam a atenção para o segmento jeanswear está o Ranger/Hanger System, apresentado por Claudinei Roberto da Silva, especialista da solução.

O sistema foi desenvolvido para otimizar o fluxo das peças dentro da linha de produção. Em vez de a peça precisar ser transportada manualmente de uma operação para outra, ela é conduzida por um sistema suspenso até as diferentes estações de trabalho.

A implantação é dimensionada de acordo com a realidade de cada fábrica. A equipe visita a empresa, avalia suas necessidades e, junto ao proprietário, define a quantidade de estações e a configuração mais adequada para o projeto.

Segundo Claudinei, o sistema pode proporcionar ganhos de produtividade de 15% a 20% ou mais, dependendo da aplicação.

No jeanswear, o benefício está não apenas na velocidade, mas também na redução da movimentação manual. Depois de entrar na linha de produção, a peça é direcionada automaticamente para as estações necessárias, seguindo o fluxo até a revisão.

Além do ganho operacional, o sistema contribui para a organização do ambiente fabril, reduzindo o trânsito de operadores carregando peças entre os postos de trabalho e diminuindo o acúmulo de produtos no chão de fábrica.

Dados ajudam a identificar gargalos e defeitos

Outro diferencial está na possibilidade de acompanhar individualmente o desempenho da produção.

Ao final do dia, o sistema pode fornecer informações sobre a produção de cada estação e operador, incluindo quantidade de peças produzidas, peças corretas e ocorrências de defeitos.

Essa rastreabilidade permite ao gestor identificar gargalos, acompanhar a produtividade e tomar decisões baseadas em dados.

O controle também se estende à qualidade. Quando uma peça chega à revisão e apresenta algum problema, ela pode ser direcionada novamente à estação responsável pela operação que precisa ser corrigida.

Da automação à fábrica inteligente

A proposta apresentada pela Silmaq na FEBRATEX mostra que a automação da confecção está avançando para uma etapa em que máquinas e sistemas deixam de trabalhar isoladamente.

Inteligência artificial, robótica, transporte automatizado, monitoramento de produtividade e controle de qualidade passam a fazer parte de um mesmo ecossistema.

Além dessas soluções, a Silmaq apresentou na feira novidades em máquinas de costura, automações, equipamentos para salas de corte, estamparia e bordado.

Para a indústria jeanswear, o movimento representa uma oportunidade de repensar não apenas a velocidade da produção, mas toda a lógica de movimentação, acompanhamento e controle das peças dentro da fábrica.

Mais do que substituir tarefas manuais, as tecnologias apresentadas apontam para uma indústria em que dados, inteligência artificial e automação passam a trabalhar juntos para produzir mais, com maior controle e menor desperdício de tempo e recursos.

Fonte: Iolanda Wutzl  | Fotos: GuiaJeansWear