França reforça aposta na moda circular e projeta mercado de € 104 bilhões até 2030

A França amplia sua atuação para acelerar a transição da indústria da moda rumo a um modelo mais circular. A Federação Francesa da Moda Circular (FMC) realizou sua conferência anual na Faculdade de Ciências Po, em Paris, e apresentou uma nova edição do relatório “Estado e Perspectivas da Moda Circular na Europa”, desenvolvido pela KPMG França em parceria com a entidade.

Faculdade de Ciências Po – Paris

O estudo reúne uma análise da evolução da legislação europeia relacionada à economia circular e avalia mecanismos como a Responsabilidade Estendida do Produtor (REP), os Passaportes Digitais de Produtos e a proposta de implementação de um IVA Circular.

Um dos destaques do levantamento é a dimensão econômica que a moda circular poderá alcançar na União Europeia até 2030. A estimativa considera quatro pilares: Reinventar, Reutilizar, Reparar e Reciclar, com potencial de movimentar aproximadamente € 104 bilhões e gerar dezenas de milhares de empregos.

O novo pilar Reinventar, incorporado nesta edição do estudo, considera o impacto da aplicação dos princípios de ecodesign desde a concepção das peças. A estimativa é de que esse segmento alcance € 71 bilhões até 2030.

Já o mercado de Reutilização poderá atingir € 27 bilhões, com potencial para criar cerca de 75 mil empregos. O setor de Reparação é estimado em € 3,7 bilhões, associado à criação de quase 10 mil postos de trabalho, enquanto a Reciclagem poderá movimentar € 2,4 bilhões e gerar aproximadamente 3.500 empregos.

Legislação como instrumento de transformação

A conferência também colocou em discussão o avanço das políticas públicas para tornar a cadeia da moda menos linear. Entre os participantes estavam a deputada francesa Anne-Cécile Violland, que esteve à frente de iniciativas mais rigorosas da França contra o fast fashion, e o eurodeputado Rasmus Nordqvist, integrante do grupo de trabalho da Lei da Economia Circular.

Uma nova legislação europeia voltada à economia circular têxtil é esperada para este outono europeu. A proposta deverá buscar maior harmonização entre medidas atualmente distribuídas por diferentes regulamentações relacionadas a resíduos, ecodesign e responsabilidade estendida do produtor.

Circularidade na prática

A FMC também anunciou, pela primeira vez, os Prêmios de Sinergias Circulares, reconhecendo iniciativas que transformam os conceitos de circularidade em modelos concretos de negócio.

O prêmio escolhido pelo público foi para a LeLab+, empresa de upcycling localizada nos arredores de Paris, que trabalha há anos com a Nike na transformação de produtos não vendidos em novas peças.

Já o prêmio do júri reconheceu a parceria entre a Crush On, marketplace especializado em produtos de segunda mão, e o Carrefour, que implantou espaços da plataforma em 11 de suas lojas na França.

A iniciativa francesa evidencia que a sustentabilidade na moda está deixando de ser tratada apenas como uma agenda ambiental e passa a ser considerada também uma oportunidade econômica, de inovação e geração de empregos. Para a indústria têxtil e de confecção, o avanço do ecodesign, da reutilização, do reparo e da reciclagem aponta para uma transformação cada vez mais profunda na forma como produtos são concebidos, produzidos, comercializados e reinseridos no mercado.

Fonte: Redação | Fotos: Redação