Processo de criação, novos consumidores e tecidos sustentáveis foram os destaques da Vicunha durante a última edição da Semana de Lançamentos da Denim City SP. A têxtil abriu o evento com o talk “A nova equação de valor do denim”, com Ana Paula Alves, da Be Disobedient, que questionou: O que faz o produto ter valor nos dias de hoje? Atualmente falamos de preço, concorrência, mundo acelerado e um novo consumo. “Vivemos uma nova economia de consumo, na qual o valor já não se constrói apenas a partir do produto, mas da forma como as pessoas interagem com ele”, diz Ana Paula.
Segundo a profissional, o consumidor deixa de ter um comportamento único e passa a atuar de duas maneiras diferentes e que podem ser complementares. O “Decision Maker”, que pesquisa, compara, seleciona e constrói um universo com intenção. Valoriza a origem do produto, a qualidade e as histórias por trás de cada marca. Busca por experiências, prioriza a qualidade do material e a durabilidade, faz uma curadoria.
O “System Player” participa da construção de valor de uma marca, compartilha, comenta, recomenda, repensa a forma de criar, moderniza e conta uma nova história de clássicos, como uma calça jeans. Esse consumidor, não apenas consome o produto, ele o usa como gatilho para criar conteúdo, viralizar e opinar. Ele ressignifica a peça dentro da comunidade, aumentando a mensagem da marca e transformando o produto no início de uma conversa coletiva, além de buscar pertencimento e visibilidade digital.
Ana Paula destacou ainda as Microtendências dentro do mercado jeanswear, onde entram 3 Ts:
Trace, onde o valor nasce daquilo que permanece com produtos que valorizam a história, silhuetas soltas, estética desconstruída, processos de upcycling, desgastes e rasgos. A cor como protagonista em diferentes beneficiamentos, além de corrosões, manchados, efeitos de sujinho e esfumaçado. O marrom surge em sobretingimentos e os verdes secos e azulados se misturam aos rosas lavados, montanhosos e minerais, com desbotes e no delavê — tendência que faz sucesso entre os Millennials. Já a Geração Z busca por cores intensas, no rosa pink e no vermelho. Ainda em lavanderia, vale apostar em pinturas, efeitos de contrastes, muita ornamentação com bordados, pedras, brilhos e florais em jacquards, estampas e bordados. O bordô chama atenção no tingimento e no acabamento.
Tune quer consumir produtos projetados para ser relevantes, adaptáveis e escassos para manter o desejo de compra. As peças se adaptam sem perder sua identidade, em uma interpretação, uma edição limitada, única, com exclusividade. Aqui surgem bordados ligados à natureza, elementos orgânicos, pinturas sobre o denim, transparências românticas e misturas entre o clássico e o moderno. Os patches podem vir localizados, simulando reparos, os metais personalizam o denim e as silhuetas são modernizadas.
Transmission constrói uma comunidade participativa, onde o produto é quase uma mídia, onde carrega código visual, detalhes e assinatura. “Entre a recomendação e a viralidade aparece uma nova forma de construir valor onde os produtos são projetados para circular, ser compartilhados, replicados, multiplicados e amplificados por comunidades que transformam o consumo em um fenômeno coletivo“.
Novos shapes ganham espaço como a barrel, que se tornou o novo básico, além dos conjuntos all denim com detalhes ou formas diferentes. O utilitário continua com inovações e múltiplos bolsos e as bermudas vêm trabalhadas com comprimento até o joelho. As saias envelopes ganham detalhes como fechos laterais e os mini shorts invadem o guarda-roupa masculino. Entre os tons, destaque para o white denim, tons de areia, raw, efeitos plastificados e o estilo cowboy totalmente renovado.
Por fim, Ana Paula diz que é importante entender e conhecer o cliente, o que precisa ser atualizado ou não, porque às vezes, a novidade está dentro da história da marca. É preciso desenvolver produtos capazes de perdurar e contar narrativas valiosas, ainda mais nesse momento, em que o Brasil está em alta no mundo todo.
Sasha Meneghel e Thiago Paes abordam identidade, materiais e valor agregado
O Denim Talk da Vicunha, realizado em seu showroom, em Pinheiros, reuniu todos os lançamentos da empresa, incluindo os europeus, que também são vendidos no Brasil, e uma rica conversa com dois grandes nomes da moda, Sasha Meneghel, diretora criativa da Mondepars, e Thiago Paes, fundador e diretor criativo da Working Title, com mediação de Chico Gonzalez, da Vicunha.
Sasha destacou a importância de trocar conhecimento com o time da Vicunha, a qual utiliza artigos em sua linha jeanswear. Para além da matéria-prima, cada marca vai criando sua identidade, e esse é o objetivo da Mondepars, que traz um denim único e atemporal.
“Na Mondepars, o tecido não apenas materializa uma ideia; ele influencia os rumos da criação. Nesta coleção, encontramos na Vicunha um denim de construção robusta e visual singular, que se conecta naturalmente à identidade da marca e se tornou o ponto de partida para uma peça-chave. Suas características nos permitiram explorar forma, proporção e lavagem“, afirma Sasha.
Thiago, que trabalha com marca própria e multimarcas, sentiu que estava faltando uma loja com conceito diferente, mas também com peças comerciais. Outro ponto importante é oferecer todas as experiências da marca Working Title em todos os canais, esse é o segredo para se conectar com o cliente, onde o atendimento é muito importante. O vendedor não vende apenas uma peça, ele vende looks e cria confiança com o consumidor.
Sasha acredita que os vendedores são o primeiro contato com o cliente, eles estão apresentando a identidade da marca, por isso é importante a forma como mostram a matéria-prima e o caimento. É a porta de entrada para o universo da marca.
Tecidos
Grande destaque da coleção, o Malva Juruá é o primeiro brim comercial com fibra de malva amazônica e foi desenvolvido em parceria com a Companhia Têxtil de Castanhal, responsável pelo processamento da fibra no Pará. O artigo combina algodão e malva em uma construção Panamá, com peso de 7 oz.

Natural, renovável e biodegradável, a malva é cultivada nas várzeas amazônicas em sintonia com os ciclos naturais dos rios, sem desmatamento, irrigação artificial, agrotóxicos ou fertilizantes químicos. Sua cadeia produtiva contribui para a preservação da biodiversidade e para a geração de trabalho e renda em comunidades ribeirinhas.
“A parceria com a Vicunha amplia o alcance da malva e revela o potencial de uma fibra amazônica para a moda. Ao unir conhecimento sobre a matéria-prima e capacidade industrial, fortalecemos essa cadeia produtiva e criamos novas conexões entre biodiversidade, indústria e mercado“, afirma Monique Andrade, gerente comercial da Companhia Têxtil de Castanhal.
Entre os outros lançamentos no brim, o Arsenal vem com peso de 8,5 oz e 26% de stretch, conta com a tecnologia Soft Blend, que confere power e recuperação da forma, além da sensação de frescor e bem-estar.
No denim, o Shelby, no 100% algodão, incorpora algodão reciclado pré-consumo e utiliza um processo de menor consumo hídrico, vem com 11 oz e pode ser usado dos dois lados, revelando listras discretas.
O Manchester surge no 100% algodão, com peso de 7,8 oz, reúne a diagonal marcada e a profundidade de cor do puro índigo. Novas bases ganham tingimentos no blue black.
Fonte: Vanessa de Castro Foto: Equipe Guia JeansWear





















