A inteligência artificial entrou no closet: Renner cria personal stylist digital

Re combina inteligência artificial, conhecimento de moda e histórico de relacionamento com a marca para interpretar desejos dos consumidores e ajudar na construção de looks

Se você assistiu a As Patricinhas de Beverly Hills, provavelmente se lembra do closet tecnológico de Cher Horowitz. Com alguns cliques, a personagem visualizava diferentes combinações de roupas e escolhia o look do dia. O que parecia ficção fashion nos anos 1990 está cada vez mais próximo da realidade.

A Renner acaba de lançar a Re, especialista em moda baseada em inteligência artificial que transforma a interação com o consumidor em uma experiência personalizada de styling. Disponível inicialmente para um grupo de mais de 2 milhões de clientes no aplicativo da marca, a ferramenta combina IA, conhecimento sobre moda e dados de relacionamento para interpretar as necessidades de cada usuário e sugerir produções.

A interação pode acontecer por texto, voz ou imagem, considerando fatores como estilo pessoal, contexto de uso e preferências. Na prática, a proposta é transformar a tradicional dúvida sobre o que vestir em uma conversa com uma personal stylist digital.

Do “o que vestir?” à compra

A Re pode ser acionada para diferentes situações do dia a dia. O consumidor pode, por exemplo, pedir sugestões para uma festa, montar uma mala para uma viagem de fim de semana, encontrar um presente, criar um look dentro de determinado orçamento ou buscar uma peça semelhante a partir de uma imagem.

Outro recurso é a possibilidade de experimentar virtualmente as peças, aplicando os produtos sobre uma fotografia do próprio usuário.

Mais do que uma ferramenta de busca, a Re foi desenvolvida para compreender o contexto da solicitação. A partir da conversa, a inteligência artificial pode fazer perguntas adicionais, identificar preferências e sugerir roupas e acessórios para diferentes ocasiões.

A tecnologia também considera o histórico de relacionamento do consumidor com a marca, ampliando a possibilidade de recomendações mais personalizadas.

Do styling à sacola

A experiência não termina na inspiração. Depois de definir a produção, o consumidor pode adicionar, remover ou substituir itens diretamente na sacola, consultar preços e prazos de entrega e escolher entre receber os produtos em casa ou retirá-los em uma loja física.

A integração entre descoberta, recomendação e compra reforça a estratégia omnichannel da Renner, conectando a experiência digital à estrutura física da varejista.

Para Flavio Reis, Chief Data & AI Officer da Lojas Renner S.A., o desenvolvimento da ferramenta partiu justamente da relação da empresa com seus consumidores.

“Criamos uma plataforma que combina inteligência artificial, especialização em moda e todo o nosso conhecimento em relacionamento para apoiar o cliente na escolha dos looks e nas decisões de compra. Essa é só a primeira etapa de uma jornada que vai ganhar novas funcionalidades e se expandir nos próximos meses. Seguiremos evoluindo a nossa agente de IA para tornar a experiência de compra cada vez mais simples, inspiradora e personalizada”, afirma.

Projeto começou em 2026

O desenvolvimento da Re teve início no começo de 2026 e passou por uma fase Beta com 2,5 mil colaboradores da companhia, que contribuíram com sugestões para aperfeiçoar a solução antes de sua disponibilização aos consumidores.

Com a abertura gradual para os clientes, a Renner passa a acompanhar os principais usos da ferramenta e as demandas mais recorrentes, informações que devem contribuir para os próximos ciclos de desenvolvimento.

A arquitetura da solução foi desenvolvida integralmente pela Renner e conecta a Re ao ecossistema digital da varejista, aos sistemas internos e aos recursos disponíveis no aplicativo. A proposta é que a plataforma continue evoluindo e incorpore novas funcionalidades ao longo do tempo.

IA e personalização no varejo de moda

A chegada da Re acompanha um movimento cada vez mais presente no varejo de moda: o uso da inteligência artificial não apenas para otimizar processos, mas também para aproximar o consumidor de uma experiência de compra mais personalizada.

Ao assumir funções tradicionalmente associadas ao trabalho de um personal stylist — como interpretar ocasiões, combinar peças, considerar preferências e propor alternativas — a ferramenta leva a personalização para dentro do ambiente digital.

A solução também foi desenvolvida considerando critérios de privacidade, segurança da informação e conformidade com a LGPD. Durante os testes e a fase inicial de uso pelos consumidores, a companhia acompanha as formas de interação com a ferramenta e as necessidades identificadas para orientar sua evolução.

Por enquanto, a Re representa a primeira etapa de uma estratégia que pretende aproximar ainda mais tecnologia, moda e relacionamento com o consumidor. E, se o closet digital de Cher parecia futurista nos anos 1990, a experiência de ter uma “personal stylist” disponível no celular mostra que parte daquela ficção fashion já chegou ao varejo.

Fonte: Anny Garcia Fonte: Divulgação