Imaginários foi o tema da última edição do SPFW, realizado entre os dias 14 e 18 de outubro, no PACUBRA, no Parque Ibirapuera, em São Paulo e reuniu mais de 15 desfiles e uma ´programação aberta ao público geral. O evento reafirma a moda como expressão da cultura brasileira e abre espaço para diferentes formas de criar, produzir e imaginar o presente.
Entre as apostas para 2027 pudemos perceber a dualidade das marcas e suas referências pessoais, assim como, o segmento de moda vem nos apresentando. Os opostos que se complementam em diferentes perfis de consumidores, numa comunicação mais ampla, pulverizada e cada vez menos, polarizada. Claro, que o denim e a sarja permeiam diferentes marcas, em variados estilos, sendo itens universais dentro do mundo fashion.
Confira os destaques dessa edição.

SPFW 61 – Do jeans bruto aos manchados em formas amplas para Verão 2027
Do crochê da Ammi que investiu na técnica também sobre o denim no corpete com armação lateral e na calça reta no azul mais claro, passando pelos bordados da Hisha e a feminilidade de Herchcovitch, as marcas passearam do punk, rocker e gótico até as manualidades brasileiras.
Alexandre Herchcovitch, por exemplo, que realizou seu desfile na FAAP, apresentou um mix do que ele sabe fazer muito bem: o street moderninho mesclado ao fetichismo com o couro e lingeries e, dessa vez, toques do boho, que deixa tudo, um pouco mais suave e romântico. Destaque para os vestidos de alcinhas com transparências que se renovam com rendas e sedas, além de casacos de pelúcia em peças exclusivas. Segundo Alexandre, é uma coleção que mescla produtos sob encomenda e o prêt-à-porter que chega nas lojas em março em uma linha gótica e romântica onde a “renda está em lugares onde as pessoas esconderiam o corpo”.
Forca
A marca sempre leva apresentações impactantes para o SPFW. Dessa vez, foram os motores de carros de automobilismo e a fumaça do pneu queimado que deram o tom do desfile. Sua moda mistura o punk com muito couro em ombros marcados e o jeans em diferentes looks como o resinado com aspecto sujinho na modelagem utilitária ou cintura baixa com manchas de óleo. O jeans raw vem no fit reto com vinco no look com blazer plastificado. As jaquetas e calças são mais largas e o short marrom vem com esbranquiçados. A sarja de algodão se sobressai nas maxi bermudas e, há espaço ainda para vestidos sexys e góticos, pantalonas na alfaiataria, veludo e efeitos líquidos.
Dario Mittmann
A Turma da Mônica ficou moderna e cheia de atitude através das mãos de Dario Mittmann. Com a coleção “Bagunça: o belo caos de ser humano”, o estilista realizou uma collab com a Maurício de Sousa Produções, em comemoração pelos 90 anos do desenhista e levou para a passarela uma revista em quadrinhos repleta de humor, provocação, personalidade e ousadia. A coleção parte das diferenças, travessuras e autenticidade dos personagens de Maurício de Sousa onde entram referências à cultura pop, mangás, animes e ficção científica.
Pelúcias, rendas, animal print se misturam em microssaias, corpetes, t-shirts. Já os metalizados passeiam entre jaquetas puffer que ganham aplicações de mini Mônicas. O jeans acinzentado com reservas de cor vem repleto de brilhinhos com correntes. O denim com aspecto de moletom com respingos de tinta surge no vestido com capuz e na bota longa e, também ganha aplicações, correntes e personagens da turminha. Na calça wide com manchas amareladas vem aplicado o coelho Sansão na parte traseira e o delavê aparece no conjunto utilitário repleto de bolsos. O estilista utilizou em cinco looks, o tecido da Santista Jeanswear, RePower Denim Plus, desenvolvido com fio REPREVE, feitos a partir de garrafas PET pós-consumo recicladas.
A alfaiataria entrou nesse universo em terninhos coloridos com detalhes como laços e rendas ou uma profusão de tiras e fivelas em verniz. Múltiplas estampas dos personagens e suas histórias, permeiam diferentes peças, sempre com a releitura de “caos” de Dario. Dentro desse contexto, a Mônica vira punk com o look xadrez e o Sansão muda de cor ou vem em penduricalhos.
Dendezeiro
A marca dos estilistas Hisan Silva e Pedro Batalha, que mescla alfaiataria e streetwear, apresentou o desfile “Oração de Barbearia”, seguindo uma estética da periferia com inspiração nos anos 2000 onde entram tons como o preto, cinza, off-white e artigos em denim, sarja, couro, látex e jacquard. Destaque para os terninhos com bermudas dos meninos, as estampas camufladas terrosas e o jeans da Santista, ora bruto, ora em conjuntos com manchas esbranquiçadas em peças amplas, no black da calça utilitária com manchas e resinados, no fit boca de sino com degradê de tingimentos do vermelho até o marrom. A risca de giz surge na calça pantalona de cintura baixa usada com top em renda.
Lilly Sarti
A marca traz o ano da cabra no calendário chinês, 2027, que é representado por yin refletindo o romantismo, suavidade e sensibilidade onde entram jacquards que remetem às ranhuras dos chifres de cabra. Ora estruturados como a sarja de algodão, ora super leves como tule e o cetim em looks de vestidos com drapeados, calças Aladim, pantalonas ou sequinhas, trench coats, jaquetinhas e blazers desestruturados. O jeans vem na cor verde militar no conjunto de calça utilitária e jaqueta com pala. O metalizado no prata renova a modelagem reta.
Aluf
Com o tema “Sonho de Pescador”, a Aluf trouxe lindos tons de azuis, nudes, o branco e terrosos em silhuetas fluídas ou com volume. O denim bruto ganha força no vestido acinturado com desfiados que formam ondas, mangas bufantes e cordão.
Handred
Com inspiração no Japão a marca trouxe uma alfaiataria precisa repleta de detalhes, formas soltas, ombros marcados, volumes e texturas. O denim raw vem em sua forma mais pura, com brilho, tecido estruturado, costuras marcadas no vermelho e as sarjas complementam produções com calças e bermudas amplas, em tons como preto, branco e off white.
Apartamento 03
A Apartamento 03 sob direção criativa de Luiz Claudio Silva, encerrou a edição N61 do São Paulo Fashion Week com a coleção Atempo que convida a repensar a relação da moda com o envelhecimento, valorizando as marcas, memórias e transformações que acompanham a passagem dos anos.
Na passarela, o conceito ganhou forma por meio de técnicas artesanais e materiais ressignificados. Sobras de ateliê, bordados desenvolvidos a partir de linhas brancas descartadas e acessórios produzidos com louças quebradas, inspirados na técnica japonesa do kintsugi, traduziram a proposta de encontrar beleza naquilo que carrega histórias.
Cria Costura
O Projeto Cria Costura – Aceleradora Criativa levou para a passarela uma coleção inspirada no paisagista Roberto Burle Marx. Segundo Simone Nunes, coordenadora dos participantes, a obra de Burle Marx está representada nos detalhes das peças com texturas, relevos, pregas e apliques, além das pinturas e azulejos em cores e geometrias e a flora brasileira. Lindos trabalhos de pregas, dobraduras, camadas, quadriculados e volumes em tecidos de sarja e o denim retrabalhados como a calça vazada com quadriculados.
O Cria Costura é uma iniciativa apresentada pelo Ministério da Cultura, Prefeitura de São Paulo e INMODE – Instituto Nacional de Moda e, alia estímulo ao potencial criativo a conhecimento em gestão. Os participantes percorrem uma jornada que amplia repertórios e apresenta ferramentas para transformar ideias em projetos, produtos e incremento de negócios.
Fonte: Vanessa de Castro – Fotos: @agfotosite












































































