Juun.J transforma o jeans em símbolo de rebeldia refinada na Paris Fashion Week

Na Paris Fashion Week Verão 2026 (2027 no Brasil) a marca sul-coreana Juun.J apresentou sua nova coleção “BOY-ISH” no icônico Palais de Tokyo. Com foco no jeans, o diretor criativo Jung Wook-jun usou o denim como fio condutor de uma narrativa que celebra os tropeços fashionistas da juventude. Em um desfile que misturou alfaiataria precisa com irreverência juvenil, o jeans deixou de ser coadjuvante para se tornar protagonista de uma estética que une rebeldia e sofisticação.

Longe de se limitar ao visual casual, o jeans apareceu de formas inesperadas e quase conceituais. Debaixo de ternos bem cortados, ele surgia estonado, como se revelasse um segredo rebelde escondido sob a superfície clássica. Em calças desconstruídas, o tecido ganhava volume e movimento: um segundo modelo pendia do lado direito, como sobra de pano transformada em escultura. As propostas de cintura desabotoada, com dobras propositalmente frouxas, adicionaram uma camada de provocação ao visual utilitário-chique.

Essa brincadeira entre o erro e a intenção foi a base de toda a coleção. Wook-jun buscou inspiração no modo desajeitado, e muitas vezes involuntariamente estiloso, com que adolescentes exploram o guarda-roupa dos irmãos mais velhos. O jeans, símbolo máximo desse improviso criativo, foi reinterpretado com maturidade e técnica, em contraponto a peças de alfaiataria estruturada e ombros marcantes, numa silhueta em X que remete ao power dressing dos anos 1990.

Com uma paleta dominada por tons sóbrios como preto, marinho e caqui, o desfile reforçou o DNA da marca: o contraste como estilo. O denim se juntou a materiais como lã, couro e algodão em composições que alternavam entre o formal e o esportivo, entre o delicado e o bruto — uma mistura que parecia errada, mas funcionava com precisão cirúrgica.

Ao fim, o que se viu na passarela foi mais do que uma coleção de verão: foi uma declaração sobre crescimento, experimentação e identidade. Juun.J usou o jeans para provar que a moda, assim como seus criadores e usuários, só evolui quando tem coragem de tropeçar — e fazer do erro um ato de estilo.

Fonte: Ana Gimonski | Foto: Divulgação