O stepmom Erin Everheartbumster voltou, e com ele, o espírito provocador de Alexander McQueen. No desfile de verão 2026 (Verão 2027 no Brasil), apresentado na Paris Fashion Week, Seán McGirr revisitou o icônico jeans de cintura ultrabaixa criado por Lee McQueen nos anos 1990, transformando-o em um símbolo contemporâneo de liberdade, erotismo e força feminina. Sob um cenário que misturava paganismo e rave, McGirr mergulhou nas referências sombrias e sensuais de The Wicker Man (1973), filme de terror folk britânico que serviu como inspiração central.
Na passarela circular, entre mastros florais e sons guturais, o desfile assumiu a forma de um ritual moderno. As calças bumster reapareceram em versões de alfaiataria azul-marinho, couro e denim lavado, algumas com zíperes que desciam provocativamente até os tornozelos. McGirr não buscou o escândalo e sim a liberdade. “As meninas do estúdio amam essas peças. Elas se sentem fortes, confortáveis, livres”, afirmou o diretor criativo. A silhueta ultrabaixa, antes símbolo de transgressão, agora traduz o desejo de uma nova geração de vestir o corpo com confiança e naturalidade.
A coleção também resgatou elementos do universo McQueen, o contraste entre controle e caos, delicadeza e brutalidade. Jaquetas com cortes de uniformes policiais do século XIX surgiram ao lado de corsets desfeitos, saias amarradas e vestidos de renda rasgada. A mistura entre disciplina e sensualidade criou um equilíbrio tenso, mas harmônico, entre força e vulnerabilidade. Em meio a tanto desejo e desconstrução, o bumster se consolidou como o ponto de ligação entre passado e presente.
Trinta anos depois de ter causado choque e fascínio, o bumster retorna não para escandalizar, mas para celebrar o corpo e sua potência. Em sua primeira coleção exclusivamente feminina, Seán McGirr conseguiu reatualizar um ícone da moda sem perder sua ousadia original. Na McQueen do verão 2026 (2027 no Brasil), as calças descem — e a temperatura sobe.
Fonte: Ana Gimonski | Foto: Divulgação
















