No imponente Centre Pompidou, em Paris, a atriz Helen Mirren abriu o desfile de Stella McCartney recitando Come Together, dos Beatles — uma homenagem direta à herança familiar da estilista e um convite à união entre humanidade, animais e natureza. Mais do que um show de moda, o Verão 2026 (2027 no Brasil) da marca foi um manifesto em defesa da coexistência consciente. Com 98% da coleção confeccionada com materiais sustentáveis e 100% livre de crueldade animal, McCartney reafirmou seu papel como uma das principais vozes do ativismo ambiental na indústria do luxo.
Entre as inúmeras inovações apresentadas, o jeans se destacou como protagonista silencioso e poderoso. Reimaginado sob a ótica do upcycling, o denim ganhou novas funções: cós de calças transformaram-se em detalhes estruturais de vestidos, bolsas e sapatos, revelando um olhar artístico sobre o reaproveitamento. Jeans bordados à mão com paetês reciclados e efeitos de brilho suave reforçaram a ideia de que o sustentável também pode ser glamouroso. O denim, um ícone do cotidiano, foi elevado à categoria de manifesto visual de uma moda ética e inventiva.
A alfaiataria inspirada em Savile Row continuou como uma das bases da marca, agora revisitada com cortes laterais e lapelas amplas, compondo looks que mesclavam força e leveza. Calças amplas e camisas de influência esportiva dos anos 1980 encontraram equilíbrio em peças artesanais, como tricôs de ráfia e vestidos de tulle com bordados de flores. O contraste entre o rigor da alfaiataria e a fluidez dos tecidos sustentáveis refletiu o espírito dual da “Stella woman”: feminina e masculina, racional e etérea.
No campo da inovação, a estilista apresentou dois marcos tecnológicos: o FEVVERS, um substituto vegetal para as penas, leve e cheio de movimento, e o PURE.TECH, o primeiro tecido programável capaz de absorver poluentes como CO₂ e óxidos de nitrogênio. Essas criações reforçam o compromisso da marca em provar que estética e responsabilidade ambiental podem coexistir de forma harmônica — e até poética — na moda contemporânea.
Em meio a vestidos de festa esculpidos em cetim e tules etéreos, o jeans reciclado trouxe o contraponto do real, lembrando que o luxo do futuro nasce do reaproveitamento inteligente e do respeito ao planeta. No fim, Come Together não foi apenas o título do desfile, mas um chamado: unir técnica, arte e propósito. E nesse movimento, o jeans — renovado e consciente — emergiu como o tecido que costura o passado, o presente e o futuro da moda.
Fonte: Ana Gimonski | Foto: Divulgação















