A Semana de Moda de Milão revelou uma temporada Verão 2026 (2027 no Brasil) marcada pela reinvenção do denim. O tecido mais democrático da moda se transformou em protagonista de uma narrativa múltipla, que vai do luxo descontraído ao experimentalismo estético. Dario Vitale, em sua estreia como diretor criativo da Versace, foi o grande destaque ao revisitar o espírito vibrante dos anos 1980, com referências diretas à linha Versace Jeans Couture e à cultura de Miami. O couro, antes símbolo máximo do glamour da marca, apareceu apenas em detalhes — aplicado em painéis e patchworks sobre shorts e calças jeans coloridos.
A Diesel, conhecida por seu estilo ousado e por seus desfiles-conceito, inovou mais uma vez. Em vez de uma passarela tradicional, modelos foram exibidos dentro de cápsulas transparentes em formato de ovo, espalhadas por pontos estratégicos de Milão. A coleção trouxe denim desgastado e o novo “satin denim”, desenvolvido a partir de poliéster reciclado. O tecido, tingido em tons vibrantes, apareceu em coletes biker, vestidos e tops tipo avental. A marca também apresentou uma técnica inusitada: jeans desbotados de dentro para fora, criando um efeito de raio-X.
O brilho foi o fio condutor da coleção de Pierre Louis Mascia, que apostou em um denim ilusório. Usando a técnica trompe-l’oeil, o estilista reproduziu a aparência do jeans sobre a seda, resultando em peças sofisticadas e leves. Shorts longos e calças com cós triplo ganharam destaque, mostrando como a estética do denim pode ser reinterpretada de forma luxuosa e contemporânea.
A leveza também marcou coleções de outras casas italianas. Ermanno Scervino combinou jeans em tom azul-pó com corpetes de tule e renda, criando um contraste entre o casual e o romântico. Elisabetta Franchi adicionou transparência e delicadeza com o uso de chiffon sobre jeans destruídos, enquanto Blumarine e Giuseppe di Morabito apostaram em bordados e rendas para sofisticar suas peças denim. A Calcaterra Milano explorou lavagens contrastantes e bolsos fantasma, enquanto a Ferrari apresentou um jeans com aparência grunge, em saias desconstruídas e jaquetas moto.
A silhueta da temporada é ampla e relaxada. Jeans folgados dominaram as passarelas, com modelagens que variaram entre o boho de Etro, o palazzo refinado de Brunello Cucinelli e as calças de cintura baixa e wide leg da Luisa Spagnoli. O mesmo espírito solto se estendeu aos shorts e jaquetas com mangas amplas, vistas em coleções de Sportmax e Blaze Milano. Em Milão, o denim reafirmou seu poder camaleônico — agora mais artístico, sustentável e livre do óbvio.
Fonte: Ana Gimonski | Foto: Divulgação






















