A linguagem do jeans nas malhas

O que assistimos no ano de 2013, e nas mais recentes temporadas de moda do cenário denim global, em síntese, foram coleções de marcas focadas no “look everyday”, com uma proporção maior de jeans e chambray, abocanhando espaço antes reservado à outros tecidos. E como de toda ação, resulta uma reação, a resposta à essa intromissão não poderia ser mais oportuna para o guarda-roupa pessoal básico mundial. Das lavanderias às marcas de fast-fashion, passando por nomes luxuosos da alta moda global, multiplicam-se incontáveis interpretações de t-shirts e malhas simulando o visual do índigo, e os efeitos antes estritamente peculiares à linguagem do jeans.


A consistência de tal desdobramento já supera a lógica de blusas e moletons lavados com puídos e tingimentos vintage. É notável o planejamento de peças-chave dedicadas à temporada de verão 2014 (2015 nacional), cujo design considera a fusão do denim com as malhas. Enquanto Julien David lançou maxi-moletons, Balmain enfatizou nas coleções masculinas, camisetas tingidas, atualizadas por rasgos estilo distressed e diferenciadas por aplicações de metais. Nos lookbooks de verão de marcas como NSF, as t-shirts envelhecidas e amassadas comunicam conforto, e nos editoriais, a calça de moletom substitui com competência o jeans, reproduzindo sua aparência lavada, em composições invernais e vanguardistas. Algumas marcas, como a JBrand, apropriam-se da própria fisionomia da jaqueta jeans como principal informação de moda de peças confeccionadas em outros tecidos.


Ao que parece, o mercado da moda simplesmente concluiu: independente do material ou segmento trabalhado, o mais sábio apelo comercial do momento, é definitivamente, o visual do índigo como fisionomia principal. As inovações em beneficiamento, agora, além de atenderem à demanda do mercado denim, voltam seus holofotes para as malhas, tricôs e para a descoberta de novos materiais passíveis de incorporar as valiosas qualidades antes exclusivas ao denim.


VIVIAN DAVID / FOTOS:REPRODUÇÃO