Do passado, tudo já foi dito ou revisitado. Daqui para diante o foco será a
roupa como o centro de todas as atenções: o que construirá um
cenário onde o ineditismo será muito mais percebido na qualidade do
material, do que através de um visual novo; e onde a exigência de
traquejo para os negócios será superior. Há quem enxergue nesta
definição, o futuro da indústria da moda, e há também quem encare a adoção desse
cenário agora, como um passo à frente de toda a concorrência. É da mudança para este
tipo de visão, onde a roupa se torna a grande protagonista de toda lógica do ciclo da
moda, que identificamos o crescimento de uma nova corrente de estilo, nas práticas de
Visual Merchandising utilizadas no segmento jeanswear.
Nesta nova proposta, ao invés de mergulhar o observador para uma ambiência de
fantasia relacionada à marca, o produto torna-se o foco de toda a
visibilidade. E por produto, entenda-se a venda tanto de um artigo, como da ideia de
coordenação de um look completo. O elemento sedução é mais real, e se coloca
através da mensagem direta de um ambiente profissional, organizado, e voltado para
realizar negócios.
Na decoração dos estandes, esta forma de pensar a moda vem se
tornando cada vez mais numerosa, e vem sendo explorada tanto pela exposição isolada,
quanto pela repetição do produto chave do mix em posição de absoluto mise en
scéne e visibilidade; quase sempre dispensando o manequim em prol de formas de
apresentação mais práticas, criativas e curiosas. Um bom exemplo está no moletom
esticado da Pic de Nore, a qual torna clara a importância do mix de
malhas na coleção, enquanto os demais ítens, dobrados e organizados como
coadjuvantes, proporcionam imediata compreensão da cartela de cores, materiais e
demais produtos da coleção. Nesta mesma lógica, porém trabalhando a repetição do
item, temos as calças vaso de plantas da Fracomina, e as calças e camisas
penduradas na parede das marcas Venti e Camp
David, respectivamente.
A idéia fundamental gira em torno de jogar toda a atenção para o produto principal,
através de formas criativas e até conceituais de dobrar, pendurar ou esticar fora do
manequim, montando um espaço onde a roupa é o tema da decoração, e o ambiente,
conduz ao diálogo e à reflexão.
Já nos estandes onde o produto vendido não foi apenas um tópico, mas sim a
conveniente prestação de um serviço de styling completo, os manequins
completamente vestidos foram novamente requisitados. Porém, fora de um contexto de
fantasia, e organizados em leitura prática, ágil e funcional através do enfileiramento.
Assim, na Salsa Jeans looks completos sintetizando as roupas
essenciais da estação, foram elevados às alturas, para atrair os lojistas à uma mesa de
comes e bebes, oportuna e convidativa ao exercício do fashion business. Já na
Reset, estilos masculinos dispostos tal qual um corredor de
supermercado, induzem ao pensamento da compra e venda de produções completas, e
organizam a leitura do visual proposto da temporada, tornando indiscutível suas
possibilidades de coordenação e funcionalidade.
VIVIAN DAVID | FOTOS: EQUIPE GUIA JEANSWEAR










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