Retomada ao argumento visual comercial do fio ao tecido

A vida é uma história de emoção, e compete à moda torná-la irresistível. E não há caminho mais eficiente para criação de uma ligação afetiva com o consumidor, do que uma imagem que o represente em gostos, preferências, desejos e memórias. Se essa imagem puder provocar mais sentidos – como o tato – tanto melhor. É por isso que paralelo a todas as tendências de mercado que estão valorizando as qualidades intrínsecas de desempenho, funcionalidade e sustentabilidade nos tecidos; emerge um novo mix de materiais, o qual retoma o argumento de moda calcado no visual.

Este foi um dos direcionamentos colocados pela edição de Verão 2020 da Première Vision Paris; a feira que reúne um dos portfólios mais relevantes de fios, tecidos, couro, acessórios e manufaturados para o cenário de moda global. Sem abandonar a tendência do valor agregado, das novas alquimias na composição, das tecnologias e modos de produção eco-friendly; muitas tecelagens de denim que se destacaram no evento, retomaram a lógica da competição no mercado fundamentada no design de superfície do tecido.

Padrões contínuos de quebra-cabeças gravados a laser no denim, exemplo da Lanificio Europa; e texturas com toque e relevo, como o matelassê da 496 Fabric Lab, ilustram esse contexto. Também a simulação de pele de crocodilo em 3D, da fabricante Recott.

Clássicos como o quadriculado simples, também foram dignos de releituras, a exemplo da versão tracejada em serigrafia da A&A Textile. Ou ainda, a versão metalizada desenvolvida para as listras verticais, exemplificadas em estilos de calças com acabamento vintage.

Os florais também foram um tópico mencionado; em versões extremamente femininas ou reproduzindo o estilo Havaiano, aptos a comunicar efeitos falhados de lavanderia, mesmo com o mínimo de intervenção na etapa do beneficiamento – exemplo da Recott.

A ideia de tecidos, tratamentos e fios refletivos foi outra direção de visual colocada pelo evento – muito embora em tecidos distintos do denim, prometem influenciar em breve o setor. JRC Reflex, expositor estreante, levou para a feira o seu fio retrô-refletivo, distribuído ao longo de um mix de tecidos resinados, atraindo a atenção desde marcas de luxo até o ready-to-wear. Monotex, também ganhou notoriedade com seu já patenteado fio refletivo para tecidos, bordados e tricôs. E a Italiana Frizza, também chamou a atenção com seus acabamentos refletivos que agora também são estampados.

Concomitante a esse caminho estético, as tecelagens continuaram trilhando sua revolução tecnológica e ambiental, valorizando o valor agregado do tecido, e as misturas com apelo de conforto superior. Porém muitas estão buscando sinalizar esses esforços para além de um Tag – comunicando qualidades através do toque ou visual. Entre os exemplos, destaque para a Eurojersey, que ganhou visibilidade com a nova tecnologia integrada no seu tecido Sensitive, composto de nylon-Lycra, com aspecto de lã, desenvolvido para linhas de alfaiataria. Uma novidade que rendeu 8% a mais de vendas para a fabricante em 2018.

A marca GRS (Global Recycle Standard) tem sido requisitada. O grupo lluna apresentou suas rendas exclusivas, certificadas com o selo. Miroglio anunciou uma oferta tripla de tecidos com responsabilidade ambiental para o Verão 2020, aumentando seus pedidos em 40%. Na Hemp Fortex, lãs feitas de cânhamo e algodão orgânico estão ganhando espaço no mercado. O Cânhamo foi um dos materiais trendy sublinhados pela feira, presente também como diferencial na Libeco. Já a Dutel Création, trouxe um novo jacquard totalmente desenvolvido com algodão orgânico e poliéster reciclado.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução