Abit discute perspectivas para indústria e varejo pós-Covid-19

Na última semana, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) reuniu players do setor para discutir as perspectivas do futuro pós-Covid-19. O bate-papo online contou com a presença de Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, Josué Gomes da Silva, presidente da Conteminas, e Ricardo Steinbruch, presidente do conselho consultivo da Vicunha Têxtil.

A conversa comandada pelo presidente da Abit, Fernando Pimentel, que teve como tema “Varejo e Indústria debatem perspectivas”, foi iniciada por Flávio Rocha, que apontou o setor varejista como principal prejudicado pela pandemia do novo coronavírus ate aqui. Até aqui, as quedas de vendas chegam na ordem de 90%.

O fim da quarentena e a retomada das atividades, ainda que não esteja totalmente estabelecida pelas autoridades, já está entre as preocupações imediatas do varejo. Para Flávio Rocha, é preciso visualizar o problema como um todo para encontrar o melhor caminho em meio a crise.

“Objetivo maior é preservar a segurança e a vida dos nossos colaboradores, estamos fechados desde 18 de março […] Vamos começar a pensar na retomada da vida e da economia. Temos o dever profissional de enxergar o problema como um todo – depressão econômica, desemprego, violência urbana e não apenas evitar a morte por coronavírus mas a morte geral. Vamos preservar a vida e, para isto, é necessário uma visão holística e sistêmica do problema”, disse o presidente da Riachuelo.

Indo para o lado da indústria, Ricardo Steinbruch apontou que a situação “pegou o setor têxtil de surpresa”, logo após um longo processo de recuperação que o mesmo estava passando. Ainda assim, o otimismo no mundo pós-coronavírus não foi deixado de lado.

“O novo normal vai ser conviver com o vírus, por isso, precisamos de medidas e colaboração do governo para passar por esta situação da melhor maneira possível. Vamos sair fortalecidos. Nós queremos preservar os empregos e gostaria muito que tivesse na cadeia têxtil essa união”, apontou o executivo. “Acredito muito que a retomada não será rápida, mas acho que hoje as condições estão se formando para que a indústria têxtil volte a ser mais forte”, completou.

Josué Gomes da Silva ressaltou que o setor não pode ser “medo a ponto de ficar paralisado” ao enfrentar este novo mundo. “A indústria têxtil e de confecção é uma vocação nacional, indústria pujante e cada vez mais forte e ela tem plena capacidade da matéria prima ao produto final. Se todos nós nos unirmos vamos sair mais fortes”, indicou.

As mudanças que ainda estão por vir devem redesenhar e valorizar as cadeias produtivas no país, o que consequentemente afetará o varejo. A integração deve ser palavra de ordem e, de acordo com Flávio Rocha, “é um momento propício para tirar proveito dessa força da indústria têxtil na retomada”.

A linha de pensamento foi seguida por Ricardo Steinbruch. “A crise gera oportunidade, e ela vai ser longa e prolongada. A cadeia têxtil brasileira é uma das mais competitivas do mundo. Na Vicunha, clientes da Europa estavam focados na Ásia e agora voltam os olhos para fornecedores brasileiros. Nós temos todos os elos dentro do nosso país. Esse é o novo normal pos crise: conectar a cadeia de suprimentos mundial”, exemplificou.

Houve espaço também para a discussão sobre o consumo, que mesmo que tenha diminuído com o fechamento de lojas físicas, não está totalmente extinto mesmo em tempos de crise. Josué destacou o modelo Omnichannel como “vencedor” na busca por adaptação ao novo normal, ainda que o comércio in loco carregue a vantagem da compra sensorial.

“As lojas físicas continuarão tendo um papel relevante. O varejo é uma indústria muito dinâmica, mas o digital tem seu espaço também […] Vemos algumas regiões onde as lojas já foram abertas, vemos as pessoas comprando não no mesmo patamar anterior, mas sim num numero considerável”, disse o presidente da Conteminas.

Josué Gomes da Silva (Conteminas), Fernando Pimentel (Abit), Flávio Rocha (Riachuelo) e Ricardo Steinbruch (Vicunha Têxtil)

Neste sentido, Ricardo Steinbruch afirmou que a própria Vicunha Têxtil já estava trabalhando em uma aproximação do consumidor final, com o lançamento do mostruário da tecelagem de forma digital. A empresa também está investido na Indústria 4.0, reconhecendo que a tecnologia dentro do novo normal engloba a sustentabilidade.

“Ninguém sabe exatamente como o consumidor vai se comportar. Este ano teremos 40 a 50% de vendas do que era antes. Minha preocupação principal é com os empregos e tentamos manter ao máximo possível […] Nós vamos aprender a conviver com isso, temos que ir para o combate e experimentar essas novas tecnologias que vão nos ajudar a viver esse novo normal“, acrescentou.

A importância da tecnologia também foi indicada por Flávio Rocha. Vale destacar que a Riachuelo, que conta com e-commerce desde 2017, suspendeu as atividades de todas as suas lojas físicas e têm focado nas vendas online – que mais que dobraram neste período de pandemia.

“O grande ensinamento dessa crise é o digital. Muito mais do que isso é a revolução cultural que está acontecendo na cabeça dos consumidores, pessoas mais velhas que estão aprendendo a lidar com o digital”, afirmou Flávio.

Para conferir a transmissão na íntegra, basta clicar aqui.

Fonte: Thaina Barros | Foto: Reprodução