Adaptação, coletivo e rede são realidades indicadas na Canatiba Denim Experience

A têxtil Canatiba Denim Industry promoveu, na última quarta-feira, a edição online do Denim Experience, com o tema “Percepção”. O evento foi apresentado pela consultora de moda Bia Aidar, que iniciou sua palestra afirmando que o mundo da moda estava caminhando de forma robótica, muitas vezes com produções sem sentido, onde antes não tínhamos tempo para nada e agora, temos tempo de sobra para pensar sobre novas experiências.

É hora de rever o que é importante, focar em novos desafios, metas e propósitos e os anseios de nossos clientes. “Mais do que nunca dados que já tinham sido estudados e passados estão valendo com importância como o tempo, a experiência e a solidariedade”, comentou Bia.

A consultora de moda, que normalmente traz as principais tendências para o mercado jeanswear, dessa vez sugeriu questionar qual vai ser o ponto de partida e trouxe três principais movimentos que já vem se desenhando – adaptação, coletivo e rede. “Ao invés de falar sobre tendências precisamos pensar nas nossas realidades”, afirmou.

Adaptação

Neste quesito, falamos de proteção, conforto, contato com a natureza (tão precioso atualmente), luminosidade, readaptação da nossa casa para encarar o home office e a família sempre junta.  A percepção é de coisas simples, como um pôr do sol.

Dentro de casa, surgem ainda novos hábitos como colocar os sapatos para fora ou usar chinelos quentinhos no inverno. Móveis que tiveram que ser arrastados para adaptar os exercícios ou a yoga e meditação. E para todas essas ações, a roupa é prática vai do indoor para o outdoor quando é necessário ir ao supermercado, por exemplo.

Os tecidos ganham fibras naturais, toque suave e muito conforto. As peças utilitárias são essenciais para as multifunções e a questão da proteção tem tudo a ver com o ficar em casa, onde nos sentimos protegidos. Roupas minimalistas, golas, mangas amplas e o matelassê sugerem aconchego. O design também faz parte desse tema onde entram abotoamentos diferenciados, recortes orgânicos, zíperes, bolsos modulares e o upcycling.

A valorização do feminino pode ser visto em peças delicadas e itens como os bralettes e volumes nos ombros. Já o orgânico inspira a alfaiataria com cintura marcada, tops de um ombro só e volumes na parte superior. O esportivo ganha toques do homewear e o conceito de malha surge em calças jogger, macacões, vestidos e calças com aberturas e mix de tecidos.

Coletivo

Aqui o destaque fica por conta da parceria cada vez mais necessária dentro de toda a cadeia de moda. O passado mistura-se ao artesanal e o retrô apresenta traços modernos. As multiculturas são valorizadas pelo aspecto social e pela arte. As marcas continuam valorizando belezas e corpos diferentes tanto para homens quanto para mulheres, além de peças inclusivas. O “glocal” valoriza o produto de cada região.

Este tema também recebe influência do upcycling num mix do jeans com o algodão, tapeçarias para peças customizadas e tecidos com melhor custo-benefício. Surgem ainda efeitos de distorção inspirados em etnias e estampas com flocagens com base em desenhos de porcelanas.

Referências do rodeio continuam em algumas regiões com mistura de veludo, couro e franja. O rock ganha pinturas, grafites e spikes. A alfaiataria tradicional vem combinada ao jeans, enquanto o manual é importante com cerzidos feitos à mão e patches decorativos. O old school pode ser retrabalhado e confere um novo ar à coleção, assim como o vintage e aspectos artísticos com splater e referências esotéricas.

Rede

Tema muito importante principalmente para o mercado jovem e o infantil onde surgem aspectos futuristas, funcionais e experimentais. Aqui o online faz parte do dia a dia das pessoas sendo inserido também no cotidiano dos mais velhos. E como será essa nova comunicação? Certamente esse contato entre rede e cliente dever fácil para que não perca tempo e desista da compra. Um dos exemplos que vêm surgindo durante a pandemia é o take way ou delivery de grandes magazines e lojas de varejo.

Os stylists podem ajudar virtualmente na consultoria de looks. Deve-se pensar ainda na tecnologia das lojas físicas (quando forem reabertas) e até na entrega e cuidado com a embalagem. Destaque para os tecidos com brilho líquido, fluído, com sensação galáctica, com foil, glitter, cristais e inspiração no céu, além de pontos flúors e metalizados.

Há a influência dos games com patches, leads, flexibilidade e fluidez das peças. O overday pode ser usado no utilitário com cores fortes, o tie dye ganha uma pegada jovem e o upcycling surge com desconstruções, assimetrias e efeitos orgânicos.

E, por fim, o que falar sobre o futuro?

Bia Aidar também ressaltou a importância de cada vez mais olhar para dentro de casa, para a sua empresa, seu passado, focar no estoque, tecidos, produtos que podem ser refeitos e novos que podem ser reinventados.

Quer conferir a transmissão na íntegra? Basta clicar aqui.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Reprodução