Análise das tendências de verão ao estilo Parisiense

Com o término da semana de moda de Paris, a cadeia de moda global dispõe agora do acervo de lançamentos mais independente em termos de criatividade e experimentalismo. Entre os tópicos que diferenciaram a temporada de desfiles parisiense das demais semanas de moda, foram notáveis as inspirações ligadas à indumentária da lingerie, e os cortes circulares compondo volumes balonê, um formato que se mostrou em menor proporção nos desfiles de Nova York, Londres e Milão, e que na cidade luz se mostrou tão importante quanto as modelagens relaxadas e o corte evasé, dois consensos entre as temporadas de moda. Já o diálogo do denim com a proposta do “activewear>“, em Paris encontrou seu visual mais usável dentro da aparência índigo, através da coleção de Barbara Bui.


Para o segmento jeanswear, a semana de moda de Paris se destacou especialmente pelas oportunas referências de lavagens, renovadoras para a temporada, principalmente através da coleção de Chanel e Isabel Marant. Também o mix em couro, ampliou ainda mais suas possibilidades através de Yves Saint Laurent, Undercover e novamente Marant. Nossa galeria agrupa inicialmente uma pequena amostra de volumes, e posteriormente cores e estampas seguindo o princípio da similaridade entre os tons e o estilo. Posteriormente, agrupamos referências de lavagens, interpretações em denim em maior proporção, e por fim, um repertório de moda libertador para o mix em couro – material eternamente ligado à indústria do jeans. Para uma leitura mais direta das informações, os principais apontamentos encontram-se divididos em tópicos:


VOLUMES: Silhuetas delgadas e relaxadas propostas nas demais temporadas confirmaram-se em Paris, porém o evento destacou de maneira mais enfática o formato balonê, até mesmo nas peças relacionadas ao activewear, redesenhando ombros, mangas e renovando os fits relaxados de bermudas e modelagens saruel, a exemplo de Chloé.


CORES: Paris colocou o vermelho de maneira mais acentuada nas coleções, um desdobramento da visão mais rebuscada de moda própria do evento. Quanto às unanimidades com os demais centros de moda, tivemos o pink, o azul cobalto, o amarelo, o laranja e o verde – este último a cor lançamento da temporada – transitando das paletas adocicadas às tonalidades vibrantes. Os tons, muitas vezes beiraram o visual fluo, a exemplo de Yohji Yamamoto, especialmente nas coleções com estilo relacionado ao activewear, temas psicodélicos, ou com pegada jovem e girlie, como Miu Miu. No contraponto, tivemos a cartela macia, outra grande ênfase da temporada de verão 2014-15, associada à looks femininos e maduros, por Hermes e Chloé, que trouxeram os tons rústicos e o oliva. Ainda na cartela macia, tivemos as peças delicadas em tons aguados de Isabel Marant, referências certeiras para o mix colorido do segmento jeanswear, com o acréscimo de um bom repertório de detalhes em amarrações e texturas em forma de diamante. Por fim o branco, que ganha status de “capsule collection” nas coleções, com espaço ampliado e diversificado no mix.


ESTAMPAS: Menos grafismos, mais florais, degradês fluo ou variando do branco aos tons vibrantes como o pink ou laranja. Os xadrezes delicados e leves, a exemplo de Paul&Joe, vieram em tecidos leves propondo luminosidade, e dialogando com os patches no jeans.


LAVAGENS: Chanel esclareceu a importância dos tons acinzentados para o segmento, e trouxe referências importantes de lavagem no seu estilo icônico, através do efeito “hachurado” no denim, trabalhando efeitos que acentuaram os contornos e as construções. Uma nova forma de pensar “beneficiamento”, que ao invés de trabalhar desbotamento, planeja profundidade e efeitos sombreados na peça. Já Barbara Bui, reafirmou os devorês, e juntamente com Paul & Joe, oportunizou uma diversificada cartela de lavagens macias para o azul.


DENIM: Balmain trouxe a linguagem do matelassê, e apostou nos ombros imponentes dos anos 90, e em peças-chave elitizadas para o denim tais como a saia lápis com fenda assimétrica, vestidos embelezados com rendas florais, vazados e trabalhos artesanais. Em estilos similares, e no visual médio do denim, tivemos as coleções Acne Studio, Já em Barbara Bui, tivemos a silhueta feminina ajustada e esportiva por excelência, com leggings em denim, tops, shorts com cortes activewear, jaquetas bomber, e bustiers.


JEANS: Wunderkind e Louis Vitton trouxeram o jeans na linguagem mais próxima do streetwear. No entanto foi através de Vitton que o jeans se tornou o grande foco da coleção, proposto no índigo médio e principalmente em versões mais escuras, enfatizando especialmente o fit boyfriend, embelezado por rendas e adornos escuros. Já em Wunderkind, o jeans ganhou estampas psicodélicas, e foi pontuado por coordenações com jaquetas coloridas com franjas setentistas, à la Janes Joplim.


PEÇAS-CHAVE PARA O DENIM: São exemplos de peças chave o macacão longo tomara-que-caia, a t-shirt esportiva em chambray, os conjuntos de top + legging em denim stretch, a saia lápis, os coletes com comprimentos mais longos, o short estilo activewear e a jaqueta bomber entre outros.

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COURO: O couro atualmente representa um material a ser pensado em alinhamento como o mix em denim. Em Paris, o material se diferenciou pelas interpretações mais diversificadas de saias, com babados por Isabel Marant, micro-comprimentos em Saint Laurent, e visual skater por Yang Li. As calças variaram dos fits relaxados às cinturas elevadas e pernas ajustadas. O outerwear foi outro ponto alto do couro, que extrapolou bastante o lugar comum da perfecto, e realizou aparições minimalistas e com estilo relacionado aos anos noventa.


VIVIAN DAVID / FOTOS: REPRODUÇÃO