As oportunidades por trás da indústria do jeans de Toritama

Assim como cada região tem seu clima, sua ambiência e seu jeito de falar, também cada pólo de moda tem suas singularidades. Em se falando da região nordestina, pensamos logo no jeans mais fresco, mais gentil, e até mais artesanal. Mas essa é a impressão da peça pronta e do estilo. Para o agreste, a indústria de jeans representa um importante pilar social e econômico em crescimento.

Na cidade do jeans, o astral, a inspiração e o otimismo imperam. Características que estão sendo muito bem conduzidas, pelo prefeito Edilson Tavares, personalidade que leva na bagagem know how em lavanderia, já que também é proprietário da lavanderia Mamute.

A produção de jeanswear na região, gera o expressivo número de 107.177 empregos. Toritama, local contemplado com a rota do Denim Meeting 2019, fica em terceiro lugar neste ranking, precedida de Santa Cruz do Capibaribe e Caruaru, respectivamente. Fiações e Tecelagens da região, ostentam o impressionante faturamento anual um milhão de reais, segundo dados do IEMI fornecidos em 2016 e expostos pelo prefeito durante a edição recente do evento, em Toritama. Confecções, por sua vez, faturam aproximadamente 4,6 milhões de reais por ano.

Todos esses dados, fazem com que, nas palavras do prefeito, “Pernambuco seja a maior cadeia produtiva da industria de transformação do Estado.” A região, detém 17% do total de peças de jeans confeccionadas no Brasil. Uma característica que se acentua em Toritama.

“No geral do confeccionado, nos aproximamos de 4%, mas se fizermos um recorte somente do que corresponde ao denim hoje, o estado de Pernambuco é o maior produtor de peças em denim segundo documentos oficiais”, afirmou Edilson.

Mas essa indústria em ascensão, que manteve seu crescimento expressivo e forte mesmo com a crise, também tem seus desafios. E o principal deles é ajustar a cultura atual, da produção quantitativa, às macro tendências mundiais que apontam para um mercado qualitativo e mais enxuto. Também a questão da formalização, e da projeção dessa moda, de maneira autoral para o cenário Brasil.

Estamos em um momento que se deve debruçar com atenção sobre o cenário da moda denim no agreste porque falamos de força mas existe um antagonismo desse processo”, opinou Leopoldo durante o talk “A força do denim no agreste Pernambucano”, que integrou a programação do evento.

 Temos então, na região, além da moda autoral, uma grande oportunidade de resolver a carência por mão de obra qualificada, mencionada por muitas marcas brasileiras que terceirizam seus fechamentos.

E é aí que entra novamente a necessidade de formalização, um dos maiores desafios do Agreste como uma estratégia chave para a concretização desse novo contexto. Se os dados já são otimistas com uma parcela dessa industria estando fora desta condição, projetá-la ainda mais forte com a oficialização de todas as suas atividades é inevitável.

Profissionais chave para o desenho do cenário atual do mercado denim em Toritama, Everaldo Gualberto – Diretor Comercial no grupo Avil; João Bezerra, CEO da Etical, e Douglas Costa Silva; Presidente da Acit, mediados por Leopoldo Nóbrega debateram ideias semelhantes durante a palestra. Entre os pontos mais destacados, citaram a necessidade da região trabalhar o alinhamento à exigência de moda consciente, se adequar à economia criativa, e ajustar seu potencial regional ao formato global.

A percepção de valor nas peças produzidas na região, um dos pontos mencionados pelos profissionais reunidos no debate, poderá ser impulsionada por uma das futuras ações declaradas como intenção pelo prefeito. A reestruturação do espaço onde acontece a feira do jeans, envolvendo estacionamento, criação de quiosques e proteções com um design moderno seguindo o estilo internacional.

O investimento estimado para essa transformação será de cerca de 30 a 33 bilhões de reais, sendo que metade deste valor já está assegurado, segundo afirmações do prefeito em painel exposto na recente edição do Denim Meeting. Há que se zelar, no entanto, para que a feira mantenha seu perfil humano e colorido, que tanto atrai o expressivo número de 30 mil pessoas, todos os domingos, ao coração da cidade – mesmo sem nenhum desses atributos.

A substituição da produção em larga escala pela cadeia de valor: um dos dilemas abordados, encontra sua solução por meio da formalização das atividades. Um desafio tão grande, quanto a relevância da produção local. E ao mesmo tempo, tão promissor, quanto a disposição e a alegria empregada por cada trabalhador local envolvido com a atividade.

Fonte: Vivian David | Fotos: Divulgação