ASBCI constata influência de celebridades nas crianças

Os hábitos de consumo de moda infantil estão mudando em diversos mercados internacionais, afetando desde o dimensionamento do vestuário, até aos hábitos de compra. Na segunda matéria sobre o seminário realizado pela Association of Suppliers to the British Clothing Industry (ASBCI) (Veja primeira parte aqui) mais conclusões apresentadas sobre o segmento.

Pequenos de olho nas celebs

Sarah Anderson é técnica de desenvolvimento de produto e segurança de vestuário infantil da Marks & Spencer, e está a acompanhando a evolução deste mercado.


Usando o feedback dos seus grupos de público-alvo, a M&S descobriu que aos 8 anos de idade as meninas estão sendo menos influenciadas pelos seus pais e mais pelas tendências de moda de celebridades e mídias sociais. “As meninas com idades entre 8 e 12 anos são mais propensas a irem à Topshop, onde não vão encontrar a avó ou a sua professora”, explicou Anderson.


Embora os meninos comprem menos roupas, as suas compras são influenciadas por celebridades como David Beckham, Matt Smith e Daniel Craig. “É, portanto, fundamental que os designers de vestuário infantil traduzam a moda adulta em modelos mini-eu, adequados para as crianças”, defende a responsável.


Novas normas em novos mercados
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Jonty Wilson, da SGS United Kingdom, ajudou os profissionais a compreenderem os desafios de levar produtos para novos mercados externos, onde diferentes padrões de avaliação de risco implicam requisitos diferentes. Wilson considerou especificamente: China, EUA, Rússia e Europa, pedindo às autoridades para investigarem as peculiaridades locais dos mercados estrangeiros e distinguirem entre as normas locais e os requisitos legais para um tipo de produto específico.


Além do produto, cada país deve ter sua própria rotulagem, embalagem e requisitos de importação/exportação. Também pode haver implicações de custos devido à certificação adicional para novos mercados. Por exemplo, o Japão requer legalmente testes JIS formaldeído.


“As exigências religiosas e culturais também devem ser consideradas, o que leva ainda mais tempo. Por isso, planejem e organizem tempo suficiente para que a entrada em um novo mercado seja o menos traumática possível”, concluiu Wilsou.


Norma global de tamanhos e as mídias socias

David Bell, diretor-executivo da Human Solutions, mostrou como os fornecedores de moda infantil podem avançar para um padrão global no dimensionamento com a sua ferramenta iSize, uma base de dados online com informação de dimensionamento.


O banco de dados iSize inclui dados provenientes de inquéritos internacionais de scans de corpos em 3D, criando uma geografia global da morfologia. As empresas podem usar a ferramenta para gerar os seus próprios gráficos de dimensionamento para seu novo público alvo. Esta informação de dimensionamento pode então ser transmitida diretamente ao software CAD de classificação.

Outra dica é estar sempre em dia com os avanços tecnológicos, que já fazem parte do dia-a-dia das crianças: “Tenha cesso à redes sociais para saber o que os jovens andam falando”, aconselhou Chris Middleton, diretor de marketing e especialista em relacionamentos de mídia social. “As mídias sociais não são apenas uma ambiente para a venda do produto. Tem que se criar um canal de comunicação com o consumidor”, defendeu.

Middleton demonstrou ainda como as marcas com experiência na Internet, como a Asos.com, utilizam os sites de redes sociais para premiar os clientes com descontos de fidelidade e ouvir o que estes têm a dizer. No final da sua intervenção, incentivou as empresas a seguirem o exemplo da marca: ter diálogo com os consumidores e desenvolver personalidades digitais com as quais as pessoas queiram interagir.

PORTUGAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO