Novos tempos, uma nova moda, um novo jeito de pensar e de consumir. Dentro desse contexto aconteceu pela primeira vez no Brasil, uma semana de moda inteiramente dedicada à sustentabilidade, a Brasil Eco Fashion Week (BEFW) realizada entre os dias 21 e 24 de novembro, na Unibes, em São Paulo.
O evento, aberto ao público, contou com desfiles, palestras, showroom para atacado e varejo, mostras e workshops que conectaram, de forma inovadora, aqueles que estão mudando o modo de criar, produzir e consumir moda. As marcas participantes foram escolhidas através de curadoria que considerou design, o meio ambiente, as pessoas e a criatividade.
“São diversos profissionais que estiveram mobilizados pela causa, formando uma corrente e acreditando na importância deste encontro” diz Fernanda Simon, co-idealizadora do BEFW e coordenadora nacional do Fashion Revolution Brasil.
O assunto ecologia e processos sustentáveis na moda é tão pertinente, hoje em dia, que até o jornal “Estado de São Paulo” fez uma matéria sobre o evento e os tingimentos naturais e algodão orgânico de marcas como a Flavia Aranha que atua no mercado desde 2008.
Entre as mesas redondas, o Guia Jeanswear conferiu a Roda de Conversa: “Um Novo Olhar Às Marcas”, com mediação de Luciane Robic do IBModa e participação de Maria Augustina Comas, da marca Comas, Lucas Arcoverde da marca Mescla, Aline Fróes, do 1STi e Instituto PrecisaSer, Marisa Feregutt, da Ecosimple, empresa têxtil, Paulinho Moreira, da marca Oriba. A conversa teve início com uma pergunta no ar: Como ser feliz, empreender, pagar as contas, oferecer um preço justo e ser sustentável? Pergunta que ainda não obteve uma resposta concreta pois algumas marcas ainda estão no início, se adaptando às mudanças e aos novos hábitos dos consumidores.
Alguns desses profissionais migraram de empresas tradicionais para um novo modo de produzir por não acreditar nas práticas antigas dentro do universo da moda. Maria Augustina, por exemplo, trabalhava na Daslu Homem e resolveu largar tudo para criar a sua marca com foco no upcycling, quando percebeu que havia muita sobra de roupas no varejo. “Faço roupas através de roupas”, afirma. Augustina produz diferentes peças através de camisas masculinas com defeitos que nunca chegariam ao mercado. A estilista realiza diferentes efeitos de patchworks com o denim onde entram lavagens contrastantes ou o jeans bruto em formas amplas – tudo de material reaproveitado. Além de vender através do site, ela envia malinhas com seus produtos para as casas das clientes.
Já Lucas, da marca carioca Mescla, trabalhou em grifes como Animale e Totem e, não via mais sentido nas coleções que desenvolvia. “Qual o significado para o o consumidor? A marca tem que contar uma história agregando valor para o mundo”, comentou Lucas. O estilista trabalha com algodão orgânico e reciclado e produção 100% nacional. “Precisamos alimentar a indústria local”, disse Lucas. Além disso, a Mescla oferece produtos atemporais, em coleções cápsulas que não seguem tendências e nem estações. “São enxutas em relação ao mix de produtos”, diz.
Aline, do 1STi e Instituto PrecisaSer, trabalha como diretora de uma empresa de tecnologia digital orientada por valor compartilhado, isso quer dizer, trabalhar para resolver ou minimizar algum problema social. “A marca se apropria verdadeiramente de um problema que a sociedade enfrenta e busca estratégias para que possa ser solucionado ou abrandado”, afirma Aline.
O Instituto Precisa Ser surgiu em janeiro de 2016 como um braço social da 1STi, para ajudar, com tecnologia, líderes e apoiadores de projetos sociais a alcançarem ainda mais impacto positivo na sociedade, onde promovem cursos, oficinas, doações e consultorias para diferentes iniciativas de cunho social.
Marisa Ferregut, da Ecosimple é formada em tecnologia têxtil e sempre atuou na área. Em 2004 montou a própria tecelagem e em 2008 iniciaram o trabalho com fios feitos de materiais reciclados, como aparas de confecções, onde não é adicionado nenhum corante químico. Para ter uma ideia da quantidade de sobras na indústria da moda, somente no Bom Retiro, são eliminadas 13 toneladas de resíduos de tecidos, por dia.
Paulinho Moreira, da Oriba, sempre pesquisou sobre reciclagem e também apoia causas sociais – para cada produto que ele vende, é doado um kit escolar às instituições. Ele salienta que suas peças têm um preço justo – tanto para quem faz, quanto para quem usa. “As roupas normalmente ou acabam rápido ou são muito caras, por isso nossa marca é diferente”, afirma Paulinho. Eles não fazem promoções, trabalham com design básico e atemporal e matéria-prima reciclada. “Trazemos a ideia do minimalismo na moda, não vendemos moda, mas roupa”.
FONTE: Vanessa de Castro | Fotos: Equipe Guia JeansWear











