Burberry quer cidades top

O grupo de luxo Burberry, que superou as expectativas dos analistas no primeiro semestre, vai manter o seu ambicioso plano de expansão, considerando a procura em cidades tops como Hong Kong, Londres e Nova Iorque
A diretora-executiva Angela Ahrendts revelou que a Burberry, empresa de 155 anos, fez 60% do volume de negócios no varejo em 25 cidades mais ricas do mundo e atraem um elevado número de turistas. «Esses 25 mercados estão muito mais protegidos durante uma crise», afirmou, após a Burberry ter superado as previsões, com um aumento de 26% no lucro do primeiro semestre.



Ahrendts indicou que a Burberry, que respondeu rapidamente à recessão de 2008/2009 reduzindo os postos de trabalho e os estoques, está pronta para reagir novamente se houver sinais de abrandamento. No atual cenário, mantém-se focada nos planos de expansão, que incluem a abertura de 8 a 10 lojas no segundo semestre deste ano fiscal. «Sabemos exatamente que trunfos devemos usar caso necessário. Mas, honestamente, não estamos muito centrados nisso», declarou. «Agora estamos extremamente focados em otimizar o dinamismo da marca que temos em todo o mundo e o crescimento do setor de luxo, que deverá aumentar mais 10% este ano», acrescentou.



As ações das empresas de luxo balançaram nos últimos meses entre sinais de um abrandamento no crescimento econômico da China – o motor da recente forte procura por artigos de luxo – e receios de que a crise da Zona Euro possa arrastar o mundo de novo para a recessão. No entanto, os resultados fortes, apresentados nas últimas semanas, dos “pesos pesados” da indústria, como a Hermès, Hugo Boss, LVMH e PPR, acalmaram os analistas e o mercado.



A Burberry registrou um lucro bruto de 162 milhões de libras entre Abril e Setembro. No mês passado, o grupo já tinha ultrapassado as expectativas com um aumento de 29% do volume de negócios no segundo trimestre.



A diretora financeira Stacey Cartwright afirmou que a Burberry está em melhor posição para lidar com qualquer recessão econômica do que há três anos, porque tem um melhor sistema de pedidos, o que significa que não necessita de níveis elevados de estoque.
O grupo planeja aumentar a área de venda em cerca de 15% no segundo semestre, incluindo novas lojas na França, China e América Latina.


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