BW Live discute mudanças sistêmicas no mundo da moda

Sempre buscando trabalhar questões de pertencimento e de identidade, refletindo a sociedade e a cultura de cada época em sua história, o mundo da moda tem sofrido com dois desafios nos últimos anos. São eles: o alto impacto ambiental da atividade e a precária condição de trabalho em alguns lugares do mundo.

Durante o evento online BW LIVE: Moda e Sustentabilidade, transmitido na última semana no Instagram da Biosphere World Expo, a diretora executiva do Instituto Fashion Revolution Brasil, Fernanda Simon, discutiu como uma mudança no próprio sistema do setor poderia aliviar estas questões. “Eu ouvi a expressão de que a ‘moda é a filha predileta do capitalismo‘. E, de fato, ela sempre incentivou o consumo exagerado”, apontou.

Fernanda Simon avaliou que antigamente as confecções trabalhavam em quatro coleções e, atualmente, esse número pode chegar a 50, por isso que semanalmente lojas recebem algumas peças novas, principalmente, as de departamento. De acordo com a executiva, para combater os dois desafios, é preciso olhar na cadeia como um todo.

“Necessitamos de uma revolução e uma mudança sistêmica no mundo da moda. Não adianta olhar apenas um aspecto, como por exemplo, a matéria-prima ou o comportamento do consumo”, enfatizou Fernanda, que ressaltou que o consumidor tem uma “chave na mão” para essa mudança porque é ele quem faz o investimento em uma peça.

“Esse poder do consumidor pode abrir uma porta para essa transformação sistêmica, despertando as marcas para a necessidade de melhorias”, completou.

Contudo, o questionamento é apenas uma etapa nesse processo. Outra seria a mudança de comportamento no consumo de forma geral. Isso porque, segundo Fernanda, não basta apenas adquirir produtos de marcas ecologicamente sustentáveis, mas também como usar essa roupa. “O cidadão pode, por exemplo, refazer, trocar, comprar de segunda mão, customizar, ir além da simples aquisição do produto”, complementou.

No caso da indústria, a diretora executiva do Instituto Fashion Revolution Brasil comentou sobre a importância de uma alteração em todo o ciclo de produção, desde a adoção de matérias-primas mais limpas, de processos de beneficiamento atóxicos, do desperdício em todas as etapas – no corte, por exemplo, pode chegar até 30% -, no uso de tecidos biodegradáveis, entre outros.

“Essa nova geração está muito mais crítica e informada. Por isso, as marcas têm buscando mudanças, que precisam também ser reconhecidas. Mas, ainda temos muito a fazer”, finalizou Fernanda Simon.

Confira a transmissão na íntegra:

 

Fonte: Redação | Foto: Divulgação