Cedro Têxtil traz editorial com reflexões sobre desafios contemporâneos

Após o sucesso da campanha da coleção Reflexos, lançada pela Cedro Têxtil em outubro de 2021, a empresa lançou um novo editorial intermediário inspirado na resiliência dos brasileiros. E onde eles buscam no que há de melhor em suas características, a força para atravessar dificuldades.

Com o slogan “O que não está no retrato?“, a campanha mostra histórias de superação e, ainda, provoca reflexão sobre a necessidade da quebra de padrões de afeto, gênero, beleza e idade. Foram produzidos seis vídeos, criados pela agência Reciclo Comunicação, além de fotos registradas pelo olhar de moda aguçado de Márcio Rodrigues, dessa vez com pessoas que não são modelos profissionalmente.

Chico Mascarenhas no editorial Reflexos

As imagens traduzem o conceito elaborado por Eduardo Paixão, gerente de estilo da Cedro, e sua equipe, fazendo referência ao impacto da pandemia nas pessoas que se viram confrontadas pelas imposições do coronavírus. A ideia da campanha é usar a moda como instrumento de transformação social.

“Vivemos uma crise que não é só pandêmica. É econômica, social e de identidade. Isso é muito difícil. Mas nos deu a oportunidade de olharmos pra dentro de nós e buscarmos aquilo que nos torna quem somos em meio a todas as adversidades […] Nossa proposta para os 150 anos de história da Cedro é celebrar a vida como ela é agora. Sem utopias e com respeito”, indicou Paixão.

“Convidamos seis pessoas com histórias de vida inspiradoras para incentivar positividade, reação e equilíbrio. Sem negar a dor, o problema e a dificuldade. Ao contrário, encarando tudo isso de frente. Reconhecemos a capacidade ancestral do nosso povo frente às situações difíceis. E desejamos que a Reflexos seja um disparador para que os brasileiros possam enxergar a beleza na diversidade e, nela, reavivar a força para construir um país melhor e uma vida mais intimamente confortável”, completou.

Três homens e três mulheres foram convidados a retratar as qualidades marcantes em suas personalidades que o espelho não mostra: luta, vaidade, paixão, perseverança, resiliência e otimismo.

Chico Mascarenhas, 30 anos, arquiteto e paisagista, é um apaixonado pelo que faz. Com a mãe Vanda, aprendeu a se amar e a respeitar seus desejos. Com a irmã, abriu-se ao universo das plantas. Em todo seu processo de busca nestas três décadas de vida, uma perspectiva que passa pelo afeto livre. “Eu coloco paixão em tudo que faço. E acredito que a paixão é um caminho transformador e para mim passa pela dedicação. Sou apaixonado dedicado em meus projetos, meus amigos, minhas plantas e meus amores. E acredito que isso é uma semente que lanço para uma vida melhor, um mundo melhor”, disse.

Marcela Rosa no editorial Reflexos

Já a bailarina Marcela Rosa, 54 anos, conta que em quase 40 anos de dança, tem aprendido a reconhecer e lidar com os limites do corpo e da vida em si como referências de ponto de partida, de construção de foco e de objetivos para alcançar e transpor. Para ela, esse processo de autoconhecimento de seu corpo e de sua essência é um caminho para o crescimento pessoal.

“Fui convidada a falar de resiliência para a campanha e isso me fez refletir sobre o movimento, sobre a dor, sobre os limites do corpo, do tempo e da vida. Cada pessoa tem um corpo, e cada corpo tem seu tempo e sua história. Isto não é necessariamente ruim, pelo contrário, é aí que mora a beleza, a riqueza e o que cada um tem a contribuir com sua expressão”, confidencia Marcela.

“A existência é fluida, querendo ou não estamos vivos no movimento do tempo e para evoluirmos precisamos estar atentos e abertos às mudanças e necessidades do tempo presente. Portanto, para mim, a resiliência é doação e ação que se fazem em comportamentos do dia a dia ou em grandes atos na vida. É também o que me permite manter minha flexibilidade, sempre buscando o movimento do corpo e da alma”, acrescenta.

Waleson Rosa no editorial Reflexos

Em uma realidade muito diferente está Waleson Rosa, 35, barbeiro. Nascido e criado no Vera cruz, aprendeu sobre vaidade e autoestima com o pai Luiz. E se inspirou no ofício da mãe, a cabelereira Marilsa. Barbeiro e cabelereiro, tem clientela fixa da periferia à zona sul e faz questão de andar alinhado. Estimula a esposa Manuella e outros que o rodeiam a fazer o mesmo. Isso porque considera a vaidade um ato de amor-próprio.

“Para mim, a vaidade é estar bem, com autoestima renovada, livre para ser quem você é, onde estiver. Por isso, a vaidade funciona para mim como exercício de representatividade”, defende.

Lua Sanja no editorial Reflexos

Perseverança é a marca da cantora, modelo e comunicadora Lua Sanja, 29 anos. De família simples, vivem a infância e adolescência em Vespasiano. Precisou batalhar para estudar e formou-se em dois cursos superiores: jornalismo e publicidade.

Depois de estabelecida no mercado da comunicação, decidiu colocar sua voz no mercado e já gravou o primeiro clipe chamado Hurricane, de pop music. “De onde eu venho, a educação é um privilégio. E a perseverança um modo de vida que aprendi com meus pais. É isso que me permite viver mais que sobreviver. Com ela, posso mapear meus lugares e ser quem eu sou. Isso é importante para mim. Também é para minha mãe e tias que não puderam ousar como eu posso. E tantas outras mulheres. Portanto, considero que perseverar é um jeito de realizar meus sonhos e ajudar outros a sonhar, ousar e realizar”.

Ivone Cavalhais no editorial Reflexos

Ivone Carvalhais, 53 anos, empreendedora é também lutadora dentro dos ringues. Motivada a colocar para fora o sofrimento, aprendeu a lutar boxe. A vida dela sempre foi uma batalha e a luta faz parte de sua rotina. Cada desafio, um round. Atualmente desempregada, aprendeu a fazer bolos e está se reinventando na pandemia. Inspirada em uma lembrança de nunca poder comer bolo, decidiu ser confeiteira. Para ela, a força é feminina e cíclica.

“Sendo mulher, negra e pobre meu lugar nunca esteve onde devia. Por isso, eu luto com inteligência e busco refúgio na minha fé. Sei que não posso mudar o mundo, mas estou aqui para melhorar o meu universo. E acho que isso é aprendizado e exemplo. Para todos”, comenta confiante.

Kdu dos Anjos, 31 anos, artista e agitador cultural, tem no otimismo um traço de personalidade. É por meio dele que nasceu o Lá da Favelinha, um centro cultural de incentivo ao empreendedorismo criativo no Aglomerado da Serra. Ele conta que sua busca por justiça social veio de família onde todos estão envolvidos neste tipo de articulação. E revela que seu otimismo é impulsionado pela miséria.

“Quando eu vejo a fome de comida, de arte, de pensamento crítico, de educação política eu sinto que não tenho o direito de parar. Meu rolê de otimismo tem a ver com a indignação com a miséria. Ela me dá coragem para superar medos e ser um sujeito que executa. Eu pego e faço. Mesmo sem saber como. Para mim, o feito é sempre melhor que o perfeito pois há coisas que não podem esperar”, desabafa.

Kdu dos Anjos no editorial Reflexos

Fonte: Redação | Fotos: Divulgação