Comas lança coleção cápsula produzida a partir de fios reciclados

O Espaço Coletivo + CASA MANUAL, que fica dentro do Morumbi Shopping, recebeu no último dia 14 de fevereiro o lançamento da coleção cápsula Comas Circular, além de proporcionar ao público presente um talk sobre estratégias sustentáveis no segmento de moda, com temas como modos de produção, durabilidade das peças e reutilização de resíduos.

A nova coleção da Comas, sob o comando da uruguaia Agustina Comas, é resultado da parceria da marca com a Cotton Move e a Souza e Cambos – ambas empresas brasileiras comprometidas com o desenvolvimento de processos sustentáveis.

Agustina, que mora no Brasil há 14 anos, tem uma vasta pesquisa sobre upcycling, com peças em denim produzidas a partir de peças masculinas descartadas. Essa coleção traz oito modelos, incluindo tecidos com tencel e liocel e o jeans reciclado da Cotton Move, somente amaciadas, por isso o azul mais escuro em shapes como chemisiers, calça 5 pockets usando o direito e o avesso da peça, macaquinho pantacourt, camisas com costuras marcadas, saias.

Parceiras de Agustina nesta nova coleção, a Souza e Cambos e a Cotton Move destacam-se pelo comprometimento com a questão ambiental e pela reutilização completa dos resíduos industriais para fabricação têxtil, através da captação da água da chuva que, depois de usada na fabricação de roupas é tratada e reutilizada no processo de produção. Também é feita a gestão de resíduos sólidos resultantes do corte das peças. A empresa desfibra retalhos inutilizados vindos de diferentes confecções e produzem um novo fio para a produção do denim reciclado. São gerados, em torno de 7 toneladas de resíduos de jeans de corte, por mês.

“A vontade de fazer roupas a um preço mais acessível para mais gente – sem deixar de lado a atenção quanto à durabilidade e à reutilização de resíduos – chega agora a sua concretização graças a essa parceria”, explica Agustina.

Ela diz ainda que foram desenvolvidas peças inspiradas em modelos consagrados da marca como as camisas que viram vestido ou a saia longa feita de duas camisas, tudo adaptado com novas técnicas de acabamentos, numa versão industrial a partir do original.

O talk contou com a presença de Agustina, José Guilherme Teixeira, fundador da Cotton Move, João Vitor Coelho e Luís Flávio Mendes Alves, engenheiro químico e engenheiro ambiental, respectivamente, da Souza e Cambos – indústria de confecção e tecelagem, sediada em Elói Mendes, em Minas Gerais, e Fábio Beltrame Magalhães, representando a certificadora Global Recycle Standard (GRS). E, para mediar o debate, Marina Colerato, da plataforma de moda sustentável Modefica.

O tecido da Cotton Move é fabricado dentro da Souza & Cambos, com sede no interior de Minas Gerais, e à princípio, resolveram trabalhar com a reciclagem do denim, porque, além de gerar grande quantidade de resíduos dentro da indústria da moda, é um tecido que danifica muito o meio ambiente, apesar de já termos grandes conquistas como o laser que substitui produtos químicos.

Eles ainda pretendem expandir para outras construções, desenvolvendo novos artigos. Outro objetivo é buscar os pequenos designers através de parcerias em pequenas escalas. Todo o fio reciclado passa por testes de resistência e solidez e pré-encolhimento, em torno de 10 a 12%, além disso eles conseguem chegar em um tecido de até 13oz.

É um caminho longo, há ainda muito a ser trabalhado, porém são propostas como essa que nos faz seguir em frente e acreditar num futuro melhor para o mercado, para o meio ambiente e, para a população.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Equipe Guia JeansWear